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… e eu e tu… tu és eu…e eu sou tu.
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Fácil…
Colocar o mundo a tremer de medo com o vírus, vem mesmo a calhar. Assim, enquanto o pagode desvia a atenção para ” o perigo da pandemia?!”, a irresponsabilidade dos governantes do mundo dito “democrático”, encobrindo a roubalheira dos ricos e poderosos que colocou o globo à beira de uma catástrofe, com empresas a fechar a um ritmo louco e o desemprego a grassar como nunca, vai passando sem muito burburinho.
Num mundo de ceguinhos…
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Contigo Zé, e com os “de coração puro” que não se venderam nem pactuaram com os FILHOS DA PUTA
…Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado, deixem-me só porra, rua, larguem-me, desopila o fígado, arreda, T’arrenego Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me fode a mim, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa…
José Mário Branco in F.M.I. 1982
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Duvido Borges: Uma muito boa noite a todos. As palavras desbocadas do Vítor Pereira, o risco ao meio do Bento, as manchetes do lampião Reys, as garrafas de bagaço do Jesualdo Ferreira, o virtuoso e impoluto Mesquita Machado e tudo o que tenha a ver com as fofocadas à margem do futebol jogado – que isso não nos interessa nada – é o que vamos tratar hoje aqui, como sempre. Para a peixeirada da ordem cá estão os nossos ilustres paineleiros do costume: O Alan Pião Seara pelo benfica, o Élio Nino Ferreira pelo sporting e o draconiano Agapito Dourado Aguiar, e finalmente eu, o Duvido Borges, apresentador desta comédia.E começamos pela atoarda do Vítor Pereira, que afirmou que quem não acredita no futebol que fique em casa.Élio Nino Ferreira, o que tem a dizer?
Élio Nino Ferreira: Esse cabeça de tomate pelado, que tem a mania que é culto, é um labrego pintado. O que ele está a dizer é alguma novidade? Por ninguém acreditar já na trapaça que é o futebol é que os estádios estão cheios de gente, por isso o raquítico vegetal não veio apontar nada de novo. Aliás, eu, se ainda venho aqui falar de bola é porque os carcanhóis que vocês me pagam me fazem muito jeito, senão…
Duvido Borges: E você Alan Pião Seara?
Alan Pião Seara: Eu?… Eu faço minhas as palavras do Élio Nino Ferreira!…
.
Élio Nino Ferreira: Mau! Isto de ter lampiões a apoiar o que eu digo não me cheira nada bem…!
Alan Pião Seara: Ora essa!… porquê?!
Élio Nino Ferreira: Sei lá porquê, não me cheira e pronto! É o mesmo que ver o diabo a rezar o Pai Nosso!
Duvido Borges: Calma meus senhores, não se peguem já que ainda é cedo e temos muito a discutir.
Élio Nino Ferreira: Então diga aí à ave de rapina para estar quietinha com o rabo que me irrita a juba.
Duvido Borges: E você Agapito Dourado Aguiar?
Agapito Dourado Aguiar: Eu o quê?!
Duvido Borges: O que pensa das palavras do Vítor Pereira?
Agapito Dourado Aguiar: Penso que cada um é livre de pintar a tromba com a pasta que quiser.
Duvido Borges: Mesmo que a pasta seja…
Agapito Dourado Aguiar: O producto intestinal pós digestivo, exactamente.
Duvido Borges: E quanto à reacção, ou reacções do Presidente do Braga e do Mesquita Machado?
Agapito Dourado Aguiar: Acho bem, coitadinho do Braga. Se não fosse a roubalheira do jogo com o benfica já tinha ultrapassado os lampiões…
Alan Pião Seara: Ai sim?… e então no jogo contra o porto?
Agapito Dourado Aguiar: Cale-se lá que o porto não teve culpa nenhuma. Os árbitros é que ficaram em brasa com as palavras do Presidente do Braga e do Mesquita e vai daí…zás! Quem não se sente não é filho de boa gente, nunca ouviu dizer?
Élio Nino Ferreira: Mas não falamos do bailarico de bola que os lampiões levaram ontem?
Duvido Borges: Tenha calma que já lá vamos!
Élio Nino Ferreira: Pois é, se fosse o sporting a levar na corneta não faltava nada; Telejornais especias, manchetes do tamanho do comboio da Beira-Baixa etc…
Agapito Dourado Aguiar: Tem razão, os andores do costume. Quando o porto vai à frente e ou os lampiões perdem, assobia tudo para o ar! Já agora… felicidades para a UEFA.
Duvido Borges: ..???!!!… para quem?
Agapito Dourado Aguiar: Para os lampiões.
Duvido Borges: Mas o benfica já lá não anda!
Agapito Dourado Aguiar: Ai não?!… então desculpem lá, eheheheheh!
Alan Pião Seara: Gozem seus animais agoirentos, que o Bayern e o Atlético já vos vão dar o arroz.
Élio Nino Ferreira: Eu cá não gosto de arroz.
Alan Pião Seara: Então comes enchidos à alemã, eheheheh!
Élio Nino Ferreira: Vamos ver se não acrescento couve portuguesa à salsicha ehehehe!
Duvido Borges: Vamos lá a coisas sérias antes que isto entorne. Falemos do arquivamento dos processos ao presidente do porto. Agapito Dourado Aguiar, o que é que pensa disso?
Agapito Dourado Aguiar: O que é que eu penso?!… Acho muito bem!… Mas nesta merda de país alguém escutado em negócios sujos é condenado por isso? Era só o que faltava, condenarem o meu presidente!…
Duvido Borges: As escutas não valeram para a justiça, é um facto, mas lá que as conversas sinistras estavam lá… estavam!
Agapito Dourado Aguiar: Mas não valem pôrra!… portanto… nicles!
Alan Pião Seara: No Papa ninguém toca. Se fosse o Vale a Azevedo…
Élio Nino Ferreira: Há sempre um otário que tem que pagar o pato para levar o pagode a crer na seriedade desta merda. O Vale a Azevedo já tinha a cama feita porque o Manuel Vigarinho queria ser presidente dos lampiões e, como havia substituto para o careca trafulha, veio tudo a calhar, ou não foi assim?
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Apresentador: Muito boa noite meus senhores e minhas senhoras. Sejam muito bem vindos a mais uma sessão fadista aqui na humilde tasquinha da rosa ao Rato. Esta noite o programa promete. Como puderam vez no cartaz publicitário, temos um terceto de fadistas de estalo…
Um da plateia: Epá, se é p’ró estalo vou já começar a arregaçar as mangas!
Apresentador:… Ó meu amigo, por favor…
O mesmo… Amigo? mas tu conheces-me de algum lado ó meu talibã de Gaza?…
Outro: Epá, deixa lá o homem que ele já está à rasca, eheheh!
Risada geral na plateia
Apresentador: … Como eu ia dizendo…
Outro: Então diz ó morcão!
Outro ainda: Epá, se não deixam o otário falar, esta merda nunca mais começa.
Plateia aos berros batendo palmas a compasso: Fala, fala, fala…
Apresentador: Pois bem, então temos cá hoje as seguintes personalidades fadistas: Pedro Santana, Monhé da Costa e, para fechar o concerto o nosso estimado gerente Zé Engenheiro. Como sempre, à guitarra o avô Palmeida Santos, à viola o Jerónimo metalúrgico, no baixo a sempre sexy Anã Droga e no contra – baixo o reformado minorca Mendes.
Depois do anúncio das candidaturas à Câmara dos Fadistas da Capital por parte Pedro Santana e do Monhé da Costa, ei-los que se desafiam mutuamente hoje e aqui, onde se vão degladiar à desgarrada. Uma salva de palmas para os dois beligerantes.
Público aplaude, apagam-se as luzes, acendem-se as velas, crepitam os chouriços na canoa, entram os fadistas, gemem as guitarras.
Santana: Boa noite meus senhores
vou entrar cheio de fé
e com mais ou menos flores }
eu vou ganhar ao Monhé }bis
Monhé da Costa: Vai beber água das ratas
ó meu reles fraldisqueiro
tu vais ganhar o que as gatas
ganham no mês de Janeiro
Plateia; Boa, boa, à garganta linda!
Santana: Vais levar uma tareia
meu chico escuro indiano
esclarece a plateia
se és monhé ou cigano
Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! tás com a corda toda ó Santana. Á boca doce!
Monhé da Costa: Eu fui parido em Lisboa
a capital da nação
o meu pai era de Goa
minha mãe do Algueirão
Santana: Cá p´ra mim tás a inventar
como todos os canalhas
e eu vou-te barbear
que os meus dentes são navalhas
Monhé da Costa: Olha vê lá se te espalhas
meu valente gabirú
se os teus dentes são navalhas
faz-me aqui a barba ao cú
Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! Já chega, ganhou o monhé, ganhou o monhé!
Monhé da Costa e Santana pegam-se à chapada e saem disparados pela esquerda alta.
Plateia: Bravo, Bravo! isto é que é um espectáculo à portuguesa como deve ser.
Entra em cena o apresentador
Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, peço desculpa em nome da gerência pelo espectáculo degradante a que acabámos de assistir…
Plateia: Degradante?!… qual degradante qual carapuça, um espectáculo puramente lusitano! Isto sim, vale a pena pagar bilhete de camarote, eheheheheh!
Apresentador: Bem… então se gostaram… E agora, para fechar a sessão, chamo ao palco o nosso ilustre gerente-mor da tasquinha rosa do Rato, o grande, o sensacional, o maior…
Uma voz da plateia: Epá chega de pomada que amanhã és aumentado pela certa, anda lá com essa merda!
Apresentador: … ora como dizia, o grande, o sensacional,…
Voa um par de sapatos da plateia diteito ao apresentador
Uma voz: Ó meu, tem lá calma que o esticadinho da Silva não é o presidente da América, eheheheheh!
Apresentador: … meus senhores e minhas senhoras… Zé engenheiro!
Plateia: UUUUUUUhhhhhhhhhhh!!! Vai-te embora ó rouxinol da bicada!… Cangalheiro!…
Zé Engenheiro: Obrigado, obrigado. Com letra da minha autoria e música do Fausto, vou cantar: O TGV vai de saída.
Gemem outra vez as guitarras
Zé Engenheiro: O TGV vai de saída
adeus Santa Apolónia
se agora vou de partida
levo-te comigo ó cana-velha ( a cana-velha é a Nélinha das laranjas)
levo-te comigo meu estupor
anda comigo nesta aventura
p’ra lá da loucura
p’ra lá do Equador…
Em da plateia: Alto e pára a guitarra!… Do Equador?!… mas o TGV vai até à América Latina?!
Outro: Não meu, isso é só p’ra rimar e ser fiel à música do Fausto!
O primeiro: À bom!… tava a ver…
Zé Engenheiro: Posso continuar ou não?
( Antes que pudessem responder irrompe p’la sala Dona Nélinha, presidente da tasca da laranjinha)
Dona Nélinha: Não pode continuar nada seu marmelo mal cheiroso. Que ousadia é essa de me enfiar na merda do seu faduncho carunchoso?
Zé Engenheiro: Perdão mas…
Um da plateia: Estás feito ó Engenheiro, agora aguenta-te com a velhinha, ahahahahah!
Dona Nélinha: Velhinha é a sua mãe, seu perdigueiro sarnento!…
Plateia: Boa, velhota! dá-lhe com a bengala!
Dona Nélinha: Eu não uso bengala, mas juro que que lhe dou com esta mala de marroquim no cocuruto!…
Plateia: Dá-lhe, dá-lhe bruxa do Salem da Lapa!
( Dona Nélinha perde as estribeiras com a súcia de gente reles que a acirra e atira com a mala de marroquim nas fuças do provocador. Zé Engenheiro vendo que se está a armar rebuliço dá à sola pela direita baixa, não sem antes levar com um chouriço meio assado na nuca. É o pandemónio geral com mesas, cadeiras, canoas de assar chouriço, garrafas de tinto carrascão etc, a voar pelos quatro cantos da sala.
Entra a polícia de choque a distribuir farturas de cassetete e vai tudo em cana.
Escondidos atrás das bambolinas os músicos e o apresentador comentam)
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei!…
Anã Droga: Está a ver avô Jerónimo, já está convencido? Veja aí se a bófia já basou que eu preciso de enrolar um porro p’ra desanuviar.
Apresentador: Peço desculpa mas aqui não se pode fumar, é um espaço fechado, se quer queimar a broca vá p’rá varanda.
Anã Droga: Epá, deixa-te de merdas parolas, poluem mais o ambiente as bufas mal-cheirosas que largas por aí que o fumo da minha broca, qualquer dia estes puritanos da treta ainda se lembram de proibir os W.C. dentro de casa por causa da poluição atmosférica e passamos todos a cagar na varanda que é um gôzo, eheheheheh!
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas…
Anã Droga: Ó avô Jerónimo, mas avisou o quê?!
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas, que esta coisa do TGV ia dar merda e da grossa, avisei ou não avisei? Eh,eh,eh,eh,eh!
FIM
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Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta nau, diz o poeta
El-Rei a mandou zarpar
e de rosa a fez armar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto mar
da odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar
Com a borrasca a assolar
os sete mares do planeta
a pobre da Catrineta
mal se podia aguentar
por todo o lado rangia
no meio do temporal
e a marujada temia
p’lo peido-mestre final
e se o naufrágio fatal
se adivinhava iminente
que fazia o intendente
Capitão de Portugal?
Com ar despreocupado
como se houvesse mar-chão
de binóculo na mão
na ponte do almirantado
passeava acompanhado
pelos seus fieis tenentes
também eles indiferentes
à fúria do temporal
Era a cegueira total
na nobre gente da rosa
que de Saramago a prosa
o mote dera afinal?
O maralhal aturdido
com a força da ventania
opiniões dividia
sobre o caminho a tomar
Uns juravam que rezar
à Santa Virgem Maria
que sempre lhes acudia
se o caldo estava a entornar
era capaz de travar
a fúria do vento leste
pois só o apelo Celeste
os poderia salvar
P’ra outros, coisas da fé
eram tontices sem nexo
que desde o tabú do sexo
à última da Pia Sé
que aconselhava à ralé
a renegar a união
entre um mouro e um cristão
já que os de Alá e Maomé
não são como os de Yhavé
que era um loirinho Ariano
e não um reles cigano
de pele da cor de café
Um capitão com colhões
-no que D. José falhava-
era o que ali lhes faltava
para arranjar soluções
e não esperar que afinal
fosse o Liedson divino
com o seu instinto felino
em desmarcação fatal
aparecesse no final
a resolver finalmente
o problema punjente
da barca de Portugal
Com água a entrar em barda
as bombas quase a gripar
e a malta a desesperar
no meio de tal bernarda
uma figurinha parda
das laranjinhas da Lapa
foi-se acercando à socapa
da ponte do almirantado
e ao Capitão alheado
com a força do temporal
olhando-o com ar fatal
perguntou-lhe com um grasnado:
“Então vós, meu Capitão
perante tal cataclismo
que o pobre do autoclismo
da retrete do porão
com tanta gente a borrar-se
não descansa um segundinho
está “p’ráí” descansadinho
pela ponte a passear-se?!
Como é que pensa livrar-se
-a si a nós igualmente-
desta borrasca inclemente
que não augura acabar-se?”
D. José olhava a velha
que ousara importuná-lo
e se não fosse o chavalo
que lhe fazia parelha
saltaria tecto e telha
do seu punho já cerrado
e lhe teria mandado
tal borracho no focinho
que cagaria fininho
quatro dias sem parar…
mas lá conseguiu travar
vendo ao lado o chavalinho
“Pois saiba a dona Nélinha
bruxa do Salem da Lapa
capitã da laranjinha
que a mim não me tira a capa
e o discurso de zurrapa
com que tenta embebedar
a trupe que anda a lidar
dos mastaréus ao porão
cai redondinho no chão
porque o saquinho está roto…”
……!!??…..
“Seu safado… seu maroto
ó seu valente aldrabão…”…
“É lá!… então, então?!…
que merda vem a ser esta?
eu aqui dormindo a sesta
no meu real cadeirão
e acordo com a discussão
entre estes dois galifões?!
Eu D. Aníbal Cavaco
Presidente desta treta
que é a Nau Catrineta
metida neste buraco
aviso-te meu macaco
e a ti bruxa xereta…
…Quero saber que plano
tem cada um de vocês
p’ra nos pormos outra vez
a voar a todo o pano
………………………………..
D. José, seu carcamano
seu vendedor de ilusões
e a cáfila de coirões
que lhe dão uso ao abano
e a si velha jarreta
que na tropa já tem netos
e ao rebanho de betos
que a seguem na Catrineta
Ou me dizem nesta hora
aqui já sem mais delongas
o que essas cabeças mongas
pensam aqui e agora
p’ra tirar a nau do laço
desta borrasca maldita
ou a Santa Benedita
boa santinha do Paço
recebe no seu regaço
um par de anjos sem cabeça
que o carrasco desta peça
vai tratar de pôr o laço”
“Perdoai real senhor
-returque a velha primeiro -
mas aqui este engenheiro
diplomado a favor
não sabe como se opor
sequer à mija de um cão
quanto mais ao temporão
que assola a Nau Catrineta…”
“… E vós, ó velha jarreta
-responde-lhe o Capitão-
Possuís a solução
Na pontinha da vareta?”
“Pois possuo, seu farsante
mas estar-se-à a enganar
se pensa que lha vou dar
aqui mesmo neste instante
se daqui para diante
me elegerem Capitã
estai certos que amahã
temos mar-chão pela vante”
……………………………
“Ah, ah,ah,, deixa-me rir
que a velha é muito engraçada
tem então já aprontada
a solução do porvir?”
“ Claro, seu palerminha
meta bem dentro da tola
é ser como a formiguinha
e não cigarra estarola
não lhe ensinaram na escola
a fábula de La Fontaine?…”
esse seu conto perene
devia ser-lhe lição
mas você, seu malucão
está-se a cagar p’á despesa
cama farta e boa mesa
para os boys do seu brazão…
…Chegada enfim a borrasca
a desgraça fica a nú
todos vós ficais à rasca
sem um euro no baú
e se vos aperta o cú
tornam Éolo culpado
…………………………..
Há que pôr um fim ao fado
está a ouvir, seu gabirú?”
…………………………….
“Olha a velha pingonheira
esqueceu-se, será possível
dos tempos de D. Aníbal
do qual era a tesoureira?”…
“Eu não sou p’ráqui chamado
-vocifera o algarvio-
o que passou está passado
e é o futuro do navio
que urge dar salvação
E quanto a vós, Capitão
que apontais para salvar
a Catrineta Nação
que se presta a afundar?
vejo-vos tão paciente
esperançado, indiferente,
o que estais a magicar?”
“Meu senhor, eu D. José
sou desde mui pequenino
um homem de muita fé
não em Deus, mas no destino
Olhando p’rá nossa história
somos pátria de odisseias
sempre cobertas de glória
Ó pátria mãe de epopeias
…………………………………
eis que um’outra tenho em mãos
tirar esta nau real
queridas irmãs e irmãos
deste mar de temporal
Que o ser português profundo
dos grandes heróis de antanho
que choraram baba e ranho
pelos sete mares do mundo
Sepúlveda e Mendes Pintos
e outros tantos que mais
desde os Gamas aos Cabrais
Bartomeus ou Jacintos”…
-“…???!!! Jacintos?…
pergunta a velha carcaça-
…essa agora teve graça
Mas quem foram os Jacintos?!”
“… O nome que agora dei
àqueles desconhecidos
que nunca reconhecidos
andaram nas naus de El-Rei…
……………………………………
Pelo que sabem e eu sei
estes heróis do passado
sempre escaparam por bem
à desgraça do seu fado
e que sem nada o prever
sem mexerem um dedinho
sairam bem de finiho
das alhadas, estão a ver?…
……………………………….
Deixem correr o marfim
que mal ou bem nos safamos
se na merda todos estamos
ela há-de chegar ao fim
Como diz o Zé Povinho
siga a marcha toque a banda
de Lisboa a Samarcanda
p’rá frente é que é o caminho
e eu garanto a vocês
que este doce e triste fado
que é o nosso em todo o lado
se cumpre mais uma vez
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Deixa-me rir, eh,eh,eh,eh,eh!
Mas esta merda a que chamam economia de mercado, capitalismo, ou lá o que é, não é assim mesmo, ou estarei enganado?! Esta treta não é o jogo em que se comem uns aos outros sem apelo nem agravo? Não é neste jogo que quem “abafa” mete a viola no saco e sai pela porta do fundo deixando o baile para os outros? Bem… pelos vistos parece que não. Ó Zeca, vais ter que ler tudo outra vez porque não percebes nada disto. E eu que pensava que este jogo era como aquele que a malta jogava há uns anitos atrás e se chamava Monopólio… bem, pelos vistos não é, neste só vai a falência quem não joga, ou seja, os mesmos de sempre, os “zé broa” que engordam esta vara de suínos que se diverte à grande a brincar com esta merda. Ainda falta muito para o mar subir cem metros e lavar e levar de vez esta terra imunda?
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… que não morri, só um pouco “embalado” noutras tarefas que me exigem bastante.
Um @abração para todos
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