Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta Nau, conta o poeta
El-Rei a mandou armar
e de “Rosa” a fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
da odisseia sem par
dos loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar
No bojo da Catrineta
no canto sul do porão
vivia-se a agitação
nas hostes da laranjinha
Desde a austera velhinha
ao guerreiro Santanás
passando pelo rapaz
“pinta” betinho da linha
e acabando em D. Patinha
-que à falta de um netinho
p’ra passar um bocadinho-
estava tudo engalfinhado
da ralé ao Almirantado
-dos paquetes aos barões-
com punhais e facalhões
era ver quem mais picava
E em que pé a coisa estava
este saco de ginetes?
Os barões queriam a velha
Ribaus e outros fregueses
que hão estado com Meneses
preferiam D. Santanás
ou então o tal rapaz
O betolas do Estoril
simpático e mui gentil
o chavaleco Coelho
Claro que era um fedelho
muito tenrinho p’rá luta
mas “pinta filho da puta”
que um líder deve ostentar
já se via a despontar
e a crescer à força bruta
Na noite de trinta e um
foi a votos a laranja
e para a velha foi canja
com o apoio dos barões
e de outros figurões
limpou toda a concorrência
que terá que ter paciência
e ir p’rá bicha outra vez
Fiquem sabendo vocês
que mal venceu a contenda
recebeu uma encomenda
de uma empresa de cosmética
que fará desta caquéctica
de ar austero e solene
modelo “Laca Pantene”
para cabelos com estética
E na “Rosinha” frenética
que se passava com o Boss?
Embora fizesse um crosse
assim que o galo cantava
o Capitão não deixava
-por mais que houvesse tentado-
o viciozinho danado
de fumar o seu cigarro
Não que a pieira ou catarro
lhe turvassem o discurso
Mas pôrra!… a figura de urso
de um Capitão assaz fraco
dependente do tabaco
qual um “carocho” da coca
do cavalo ou outra “moca”
p’la qual se sente tentado
possuído e agarrado
como o fuso à sua roca
A imagem de homem forte
resoluto e decidido
claro, havia sofrido
uma cruel machadada
não lhe faltava mais nada
senão ver “ir p’ró galheiro”
ou escoar-se num bueiro
a imagem que vendera
e tanto trabalho dera
a impingir à ralé
que da proa até à ré
-qual varinas da ribeira-
pela Catrineta inteira
zurziam em D. José
A culpa fôra do Pinho
seu tenente depravado
também ele um “agarrado”
p’los prazeres da fumaceira
trazia sempre na algibeira
de dentro do seu casaco
um macinho de tabaco
marca “Português Suave”
que como a maralha sabe
despoletou a bombarda
que causou a tal bernarda
gerada pelo sebento
chibo, sabujo, nojento
daquele escriba industriado
‘inda p’ra mais convidado
a custas do orçamento
Magicava D. José
com a mioleira a arder
o que devia fazer
p’ra não sair chamuscado
desse fogacho ateado
pelo tal escriba maldito
pudera um só cigarrito
queimar e fazer mais dano
que o déspota romano
de nome Nero causou
- o que nunca se provou
como afirmam afinal
os historiadores em geral
pois ao que parece até
o Nero estava “bué
de longe” da Capital
Após pensar concluiu:
“Pois p’ra puta, puta e meia
impressiono a plateia
com a promessa directa
aos parvos da Catrineta
que de hoje para o futuro
garanto, afianço e juro
que vou parar de fumar
Assim deixam de ladrar
os puritanos parolos
e vou comê-los por tolos
com a minha distinta lata
de velha e sabida rata
-não sei se estão a topar-
EU CÁ PROMETO DEIXAR
SÓ NÃO PROMETO É A DATA!”
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O Jumento



Estava à espera desta nau
que aportou ontem a este porto
deixando a gente do Ribau
na invicta cidade do Porto
A cisão neste partido
é por demais evidente
três facções é garantido
militância dissidente
Continuo a afirmar
mal por mal deixemos estar
estes que estão a desgovernar
este País à beira-mar
Aquele abraço do Raul
Excelente!:)
Beijos
De poeta, népia!
Para com o Raul fazer par
A única coisa que sei
É desatar a berrar.
Boa Nau, mesmo muito boa.
Um abraço. Augusto
Folgo em ver a nau aparelhada, com rumo faceiro…
Um abraço.
Venham de lá esses ossos (!) ou seja, essas costas para “aquele abraço” !
Que saudades já tinha tuas, carago !
Está excepcional.
Como sempre!
beijos
Fantástico!! Mordaz q.b. Beijos.