
Apresentador: Muito boa noite meus senhores e minhas senhoras. Sejam muito bem vindos a mais uma sessão fadista aqui na humilde tasquinha da rosa ao Rato. Esta noite o programa promete. Como puderam vez no cartaz publicitário, temos um terceto de fadistas de estalo…
Um da plateia: Epá, se é p’ró estalo vou já começar a arregaçar as mangas!
Apresentador:… Ó meu amigo, por favor…
O mesmo… Amigo? mas tu conheces-me de algum lado ó meu talibã de Gaza?…
Outro: Epá, deixa lá o homem que ele já está à rasca, eheheh!
Risada geral na plateia
Apresentador: … Como eu ia dizendo…
Outro: Então diz ó morcão!
Outro ainda: Epá, se não deixam o otário falar, esta merda nunca mais começa.
Plateia aos berros batendo palmas a compasso: Fala, fala, fala…
Apresentador: Pois bem, então temos cá hoje as seguintes personalidades fadistas: Pedro Santana, Monhé da Costa e, para fechar o concerto o nosso estimado gerente Zé Engenheiro. Como sempre, à guitarra o avô Palmeida Santos, à viola o Jerónimo metalúrgico, no baixo a sempre sexy Anã Droga e no contra – baixo o reformado minorca Mendes.
Depois do anúncio das candidaturas à Câmara dos Fadistas da Capital por parte Pedro Santana e do Monhé da Costa, ei-los que se desafiam mutuamente hoje e aqui, onde se vão degladiar à desgarrada. Uma salva de palmas para os dois beligerantes.
Público aplaude, apagam-se as luzes, acendem-se as velas, crepitam os chouriços na canoa, entram os fadistas, gemem as guitarras.
Santana: Boa noite meus senhores
vou entrar cheio de fé
e com mais ou menos flores }
eu vou ganhar ao Monhé }bis
Monhé da Costa: Vai beber água das ratas
ó meu reles fraldisqueiro
tu vais ganhar o que as gatas
ganham no mês de Janeiro
Plateia; Boa, boa, à garganta linda!
Santana: Vais levar uma tareia
meu chico escuro indiano
esclarece a plateia
se és monhé ou cigano
Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! tás com a corda toda ó Santana. Á boca doce!
Monhé da Costa: Eu fui parido em Lisboa
a capital da nação
o meu pai era de Goa
minha mãe do Algueirão
Santana: Cá p´ra mim tás a inventar
como todos os canalhas
e eu vou-te barbear
que os meus dentes são navalhas
Monhé da Costa: Olha vê lá se te espalhas
meu valente gabirú
se os teus dentes são navalhas
faz-me aqui a barba ao cú
Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! Já chega, ganhou o monhé, ganhou o monhé!
Monhé da Costa e Santana pegam-se à chapada e saem disparados pela esquerda alta.
Plateia: Bravo, Bravo! isto é que é um espectáculo à portuguesa como deve ser.
Entra em cena o apresentador
Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, peço desculpa em nome da gerência pelo espectáculo degradante a que acabámos de assistir…
Plateia: Degradante?!… qual degradante qual carapuça, um espectáculo puramente lusitano! Isto sim, vale a pena pagar bilhete de camarote, eheheheheh!
Apresentador: Bem… então se gostaram… E agora, para fechar a sessão, chamo ao palco o nosso ilustre gerente-mor da tasquinha rosa do Rato, o grande, o sensacional, o maior…
Uma voz da plateia: Epá chega de pomada que amanhã és aumentado pela certa, anda lá com essa merda!
Apresentador: … ora como dizia, o grande, o sensacional,…
Voa um par de sapatos da plateia diteito ao apresentador
Uma voz: Ó meu, tem lá calma que o esticadinho da Silva não é o presidente da América, eheheheheh!
Apresentador: … meus senhores e minhas senhoras… Zé engenheiro!
Plateia: UUUUUUUhhhhhhhhhhh!!! Vai-te embora ó rouxinol da bicada!… Cangalheiro!…
Zé Engenheiro: Obrigado, obrigado. Com letra da minha autoria e música do Fausto, vou cantar: O TGV vai de saída.
Gemem outra vez as guitarras
Zé Engenheiro: O TGV vai de saída
adeus Santa Apolónia
se agora vou de partida
levo-te comigo ó cana-velha ( a cana-velha é a Nélinha das laranjas)
levo-te comigo meu estupor
anda comigo nesta aventura
p’ra lá da loucura
p’ra lá do Equador…
Em da plateia: Alto e pára a guitarra!… Do Equador?!… mas o TGV vai até à América Latina?!
Outro: Não meu, isso é só p’ra rimar e ser fiel à música do Fausto!
O primeiro: À bom!… tava a ver…
Zé Engenheiro: Posso continuar ou não?
( Antes que pudessem responder irrompe p’la sala Dona Nélinha, presidente da tasca da laranjinha)
Dona Nélinha: Não pode continuar nada seu marmelo mal cheiroso. Que ousadia é essa de me enfiar na merda do seu faduncho carunchoso?
Zé Engenheiro: Perdão mas…
Um da plateia: Estás feito ó Engenheiro, agora aguenta-te com a velhinha, ahahahahah!
Dona Nélinha: Velhinha é a sua mãe, seu perdigueiro sarnento!…
Plateia: Boa, velhota! dá-lhe com a bengala!
Dona Nélinha: Eu não uso bengala, mas juro que que lhe dou com esta mala de marroquim no cocuruto!…
Plateia: Dá-lhe, dá-lhe bruxa do Salem da Lapa!
( Dona Nélinha perde as estribeiras com a súcia de gente reles que a acirra e atira com a mala de marroquim nas fuças do provocador. Zé Engenheiro vendo que se está a armar rebuliço dá à sola pela direita baixa, não sem antes levar com um chouriço meio assado na nuca. É o pandemónio geral com mesas, cadeiras, canoas de assar chouriço, garrafas de tinto carrascão etc, a voar pelos quatro cantos da sala.
Entra a polícia de choque a distribuir farturas de cassetete e vai tudo em cana.
Escondidos atrás das bambolinas os músicos e o apresentador comentam)
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei!…
Anã Droga: Está a ver avô Jerónimo, já está convencido? Veja aí se a bófia já basou que eu preciso de enrolar um porro p’ra desanuviar.
Apresentador: Peço desculpa mas aqui não se pode fumar, é um espaço fechado, se quer queimar a broca vá p’rá varanda.
Anã Droga: Epá, deixa-te de merdas parolas, poluem mais o ambiente as bufas mal-cheirosas que largas por aí que o fumo da minha broca, qualquer dia estes puritanos da treta ainda se lembram de proibir os W.C. dentro de casa por causa da poluição atmosférica e passamos todos a cagar na varanda que é um gôzo, eheheheheh!
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas…
Anã Droga: Ó avô Jerónimo, mas avisou o quê?!
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas, que esta coisa do TGV ia dar merda e da grossa, avisei ou não avisei? Eh,eh,eh,eh,eh!
FIM
Arquivado em: No Solar da Rosa



O Jumento

A tua imaginação é sem sombra de dúvida muito fértil meu caro amigo. Este teu solar da Rosa divertiu-me imenso. Estás a ver o porquê de seres imprescindível nestas lides.
Um abraço
Raul
Valem a pena os teus longos silêncios, zeca. A seguir vem disto! Supimpa!
Abraço
Ora, companheiros…
Abração
Zecatelhado
isto ainda vai passar no Variedades…
abraço
Ora ainda bem, re encontrei o Zeca.
Pois amigo Zeca, com este teatro ou outro do mesmo género, nós estamos é fo….., vai-se tudo no ofshor e nós é que “shoramos”
pu… que os pôs neste mundo.
Um abraço