
… agora reparem no estado civil
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El-Rei a mandou armar
e de Rosa a fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
Da odisseia sem par
dos loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar
Com a maldita tormenta
sem sinais de abrandamento
já esgotada a água benta
que havia lançado ao vento
desde os degraus de S. Bento
a Braga e Castro Marim
a chusma não via o fim
dessa bernarda agoirenta
-não sei se a Nau aguenta-
rosnam as bocas descrentes
escorbúticas, sem dentes
-ai que esta merda rebenta…”
Impassível na amurada
da Nau das aflições
coçando ambos os limões
com a destra mão artilhada
O Capitão da molhada
dos lusos navegadores
ia dizendo:-Senhores
calma que isto não é nada
a malta não está lembrada
dos Gamas e dos Cabrais
que venceram temporais
com vontade inusitada?
Pois nós os seus descendentes
dobraremos este cabo
nem que a porca torça o rabo
ou ao galo cresçam dentes!
Calem a boca os descrentes
que mais dia menos ano
voaremos a todo o pano
e com esta dica acabo
não sou trouxa nem sou nabo
seja vivo ou esteja morto
hei-de levar a bom porto
a Nau de El-Rei , c’um diabo!-
Nem palmas nem pateada
nada se ouviu de seguida
pois já nada dava vida
à ralé desanimada
nem a promessa dourada
de vaquinhas anafadas
onde o pãozinho às carradas
lhes mataria a larica
nem isso ousava dar pica
minorar o sofrimento
-Promessas leva-as o vento
e não enchem a barriga-
Este Capitão chanfrado
mais os seus loucos tenentes
da córnea caixa dementes
há muito houveram pirado
-ir ao fundo é nosso fado
já os peixes batem palmas
encomendemos as almas
ao nosso santinho amado
Tá tudo doido e passado
que se foda o desemprego
ao fundo que nem um prego
restará como salvado
Vem aí a bancarrota?
não há espiga camaradas
porque há crédito às carradas
na Cofidis e no Totta
e o Doutor Mário Frota
que ajuda os endividados
os que se vêm lixados
para descalçar a bota
…
Isto é uma Nau da treta
e não tarda o afundanço
gozemos, viva o ripanço
que se foda a Catrineta!!!
Nos minutos derradeiros
antes do baque final
O Capitão General
e a corja de sendeiros
tenentes flibusteiros
do chavascal que criaram
pois ainda nos prendaram
com mais mais esta, os trapaceiros:
Doravante os paneleiros
e as fufas deste país
terão um ar mais feliz
pois não morrerão solteiros
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Após uma longa ausência ( motivos pessoais ) espero voltar às lides “bloguistas” habituais. A todos os companheiros que têm cá vindo espreitar ( e aos que não vieram também), AQUELE ABRAÇO do Zé do Telhado.
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Fácil…
Colocar o mundo a tremer de medo com o vírus, vem mesmo a calhar. Assim, enquanto o pagode desvia a atenção para ” o perigo da pandemia?!”, a irresponsabilidade dos governantes do mundo dito “democrático”, encobrindo a roubalheira dos ricos e poderosos que colocou o globo à beira de uma catástrofe, com empresas a fechar a um ritmo louco e o desemprego a grassar como nunca, vai passando sem muito burburinho.
Num mundo de ceguinhos…
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Contigo Zé, e com os “de coração puro” que não se venderam nem pactuaram com os FILHOS DA PUTA
…Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado, deixem-me só porra, rua, larguem-me, desopila o fígado, arreda, T’arrenego Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me fode a mim, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa…
José Mário Branco in F.M.I. 1982
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Duvido Borges: Uma muito boa noite a todos. As palavras desbocadas do Vítor Pereira, o risco ao meio do Bento, as manchetes do lampião Reys, as garrafas de bagaço do Jesualdo Ferreira, o virtuoso e impoluto Mesquita Machado e tudo o que tenha a ver com as fofocadas à margem do futebol jogado – que isso não nos interessa nada – é o que vamos tratar hoje aqui, como sempre. Para a peixeirada da ordem cá estão os nossos ilustres paineleiros do costume: O Alan Pião Seara pelo benfica, o Élio Nino Ferreira pelo sporting e o draconiano Agapito Dourado Aguiar, e finalmente eu, o Duvido Borges, apresentador desta comédia.E começamos pela atoarda do Vítor Pereira, que afirmou que quem não acredita no futebol que fique em casa.Élio Nino Ferreira, o que tem a dizer?
Élio Nino Ferreira: Esse cabeça de tomate pelado, que tem a mania que é culto, é um labrego pintado. O que ele está a dizer é alguma novidade? Por ninguém acreditar já na trapaça que é o futebol é que os estádios estão cheios de gente, por isso o raquítico vegetal não veio apontar nada de novo. Aliás, eu, se ainda venho aqui falar de bola é porque os carcanhóis que vocês me pagam me fazem muito jeito, senão…
Duvido Borges: E você Alan Pião Seara?
Alan Pião Seara: Eu?… Eu faço minhas as palavras do Élio Nino Ferreira!…
.
Élio Nino Ferreira: Mau! Isto de ter lampiões a apoiar o que eu digo não me cheira nada bem…!
Alan Pião Seara: Ora essa!… porquê?!
Élio Nino Ferreira: Sei lá porquê, não me cheira e pronto! É o mesmo que ver o diabo a rezar o Pai Nosso!
Duvido Borges: Calma meus senhores, não se peguem já que ainda é cedo e temos muito a discutir.
Élio Nino Ferreira: Então diga aí à ave de rapina para estar quietinha com o rabo que me irrita a juba.
Duvido Borges: E você Agapito Dourado Aguiar?
Agapito Dourado Aguiar: Eu o quê?!
Duvido Borges: O que pensa das palavras do Vítor Pereira?
Agapito Dourado Aguiar: Penso que cada um é livre de pintar a tromba com a pasta que quiser.
Duvido Borges: Mesmo que a pasta seja…
Agapito Dourado Aguiar: O producto intestinal pós digestivo, exactamente.
Duvido Borges: E quanto à reacção, ou reacções do Presidente do Braga e do Mesquita Machado?
Agapito Dourado Aguiar: Acho bem, coitadinho do Braga. Se não fosse a roubalheira do jogo com o benfica já tinha ultrapassado os lampiões…
Alan Pião Seara: Ai sim?… e então no jogo contra o porto?
Agapito Dourado Aguiar: Cale-se lá que o porto não teve culpa nenhuma. Os árbitros é que ficaram em brasa com as palavras do Presidente do Braga e do Mesquita e vai daí…zás! Quem não se sente não é filho de boa gente, nunca ouviu dizer?
Élio Nino Ferreira: Mas não falamos do bailarico de bola que os lampiões levaram ontem?
Duvido Borges: Tenha calma que já lá vamos!
Élio Nino Ferreira: Pois é, se fosse o sporting a levar na corneta não faltava nada; Telejornais especias, manchetes do tamanho do comboio da Beira-Baixa etc…
Agapito Dourado Aguiar: Tem razão, os andores do costume. Quando o porto vai à frente e ou os lampiões perdem, assobia tudo para o ar! Já agora… felicidades para a UEFA.
Duvido Borges: ..???!!!… para quem?
Agapito Dourado Aguiar: Para os lampiões.
Duvido Borges: Mas o benfica já lá não anda!
Agapito Dourado Aguiar: Ai não?!… então desculpem lá, eheheheheh!
Alan Pião Seara: Gozem seus animais agoirentos, que o Bayern e o Atlético já vos vão dar o arroz.
Élio Nino Ferreira: Eu cá não gosto de arroz.
Alan Pião Seara: Então comes enchidos à alemã, eheheheh!
Élio Nino Ferreira: Vamos ver se não acrescento couve portuguesa à salsicha ehehehe!
Duvido Borges: Vamos lá a coisas sérias antes que isto entorne. Falemos do arquivamento dos processos ao presidente do porto. Agapito Dourado Aguiar, o que é que pensa disso?
Agapito Dourado Aguiar: O que é que eu penso?!… Acho muito bem!… Mas nesta merda de país alguém escutado em negócios sujos é condenado por isso? Era só o que faltava, condenarem o meu presidente!…
Duvido Borges: As escutas não valeram para a justiça, é um facto, mas lá que as conversas sinistras estavam lá… estavam!
Agapito Dourado Aguiar: Mas não valem pôrra!… portanto… nicles!
Alan Pião Seara: No Papa ninguém toca. Se fosse o Vale a Azevedo…
Élio Nino Ferreira: Há sempre um otário que tem que pagar o pato para levar o pagode a crer na seriedade desta merda. O Vale a Azevedo já tinha a cama feita porque o Manuel Vigarinho queria ser presidente dos lampiões e, como havia substituto para o careca trafulha, veio tudo a calhar, ou não foi assim?
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Apresentador: Muito boa noite meus senhores e minhas senhoras. Sejam muito bem vindos a mais uma sessão fadista aqui na humilde tasquinha da rosa ao Rato. Esta noite o programa promete. Como puderam vez no cartaz publicitário, temos um terceto de fadistas de estalo…
Um da plateia: Epá, se é p’ró estalo vou já começar a arregaçar as mangas!
Apresentador:… Ó meu amigo, por favor…
O mesmo… Amigo? mas tu conheces-me de algum lado ó meu talibã de Gaza?…
Outro: Epá, deixa lá o homem que ele já está à rasca, eheheh!
Risada geral na plateia
Apresentador: … Como eu ia dizendo…
Outro: Então diz ó morcão!
Outro ainda: Epá, se não deixam o otário falar, esta merda nunca mais começa.
Plateia aos berros batendo palmas a compasso: Fala, fala, fala…
Apresentador: Pois bem, então temos cá hoje as seguintes personalidades fadistas: Pedro Santana, Monhé da Costa e, para fechar o concerto o nosso estimado gerente Zé Engenheiro. Como sempre, à guitarra o avô Palmeida Santos, à viola o Jerónimo metalúrgico, no baixo a sempre sexy Anã Droga e no contra – baixo o reformado minorca Mendes.
Depois do anúncio das candidaturas à Câmara dos Fadistas da Capital por parte Pedro Santana e do Monhé da Costa, ei-los que se desafiam mutuamente hoje e aqui, onde se vão degladiar à desgarrada. Uma salva de palmas para os dois beligerantes.
Público aplaude, apagam-se as luzes, acendem-se as velas, crepitam os chouriços na canoa, entram os fadistas, gemem as guitarras.
Santana: Boa noite meus senhores
vou entrar cheio de fé
e com mais ou menos flores }
eu vou ganhar ao Monhé }bis
Monhé da Costa: Vai beber água das ratas
ó meu reles fraldisqueiro
tu vais ganhar o que as gatas
ganham no mês de Janeiro
Plateia; Boa, boa, à garganta linda!
Santana: Vais levar uma tareia
meu chico escuro indiano
esclarece a plateia
se és monhé ou cigano
Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! tás com a corda toda ó Santana. Á boca doce!
Monhé da Costa: Eu fui parido em Lisboa
a capital da nação
o meu pai era de Goa
minha mãe do Algueirão
Santana: Cá p´ra mim tás a inventar
como todos os canalhas
e eu vou-te barbear
que os meus dentes são navalhas
Monhé da Costa: Olha vê lá se te espalhas
meu valente gabirú
se os teus dentes são navalhas
faz-me aqui a barba ao cú
Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! Já chega, ganhou o monhé, ganhou o monhé!
Monhé da Costa e Santana pegam-se à chapada e saem disparados pela esquerda alta.
Plateia: Bravo, Bravo! isto é que é um espectáculo à portuguesa como deve ser.
Entra em cena o apresentador
Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, peço desculpa em nome da gerência pelo espectáculo degradante a que acabámos de assistir…
Plateia: Degradante?!… qual degradante qual carapuça, um espectáculo puramente lusitano! Isto sim, vale a pena pagar bilhete de camarote, eheheheheh!
Apresentador: Bem… então se gostaram… E agora, para fechar a sessão, chamo ao palco o nosso ilustre gerente-mor da tasquinha rosa do Rato, o grande, o sensacional, o maior…
Uma voz da plateia: Epá chega de pomada que amanhã és aumentado pela certa, anda lá com essa merda!
Apresentador: … ora como dizia, o grande, o sensacional,…
Voa um par de sapatos da plateia diteito ao apresentador
Uma voz: Ó meu, tem lá calma que o esticadinho da Silva não é o presidente da América, eheheheheh!
Apresentador: … meus senhores e minhas senhoras… Zé engenheiro!
Plateia: UUUUUUUhhhhhhhhhhh!!! Vai-te embora ó rouxinol da bicada!… Cangalheiro!…
Zé Engenheiro: Obrigado, obrigado. Com letra da minha autoria e música do Fausto, vou cantar: O TGV vai de saída.
Gemem outra vez as guitarras
Zé Engenheiro: O TGV vai de saída
adeus Santa Apolónia
se agora vou de partida
levo-te comigo ó cana-velha ( a cana-velha é a Nélinha das laranjas)
levo-te comigo meu estupor
anda comigo nesta aventura
p’ra lá da loucura
p’ra lá do Equador…
Em da plateia: Alto e pára a guitarra!… Do Equador?!… mas o TGV vai até à América Latina?!
Outro: Não meu, isso é só p’ra rimar e ser fiel à música do Fausto!
O primeiro: À bom!… tava a ver…
Zé Engenheiro: Posso continuar ou não?
( Antes que pudessem responder irrompe p’la sala Dona Nélinha, presidente da tasca da laranjinha)
Dona Nélinha: Não pode continuar nada seu marmelo mal cheiroso. Que ousadia é essa de me enfiar na merda do seu faduncho carunchoso?
Zé Engenheiro: Perdão mas…
Um da plateia: Estás feito ó Engenheiro, agora aguenta-te com a velhinha, ahahahahah!
Dona Nélinha: Velhinha é a sua mãe, seu perdigueiro sarnento!…
Plateia: Boa, velhota! dá-lhe com a bengala!
Dona Nélinha: Eu não uso bengala, mas juro que que lhe dou com esta mala de marroquim no cocuruto!…
Plateia: Dá-lhe, dá-lhe bruxa do Salem da Lapa!
( Dona Nélinha perde as estribeiras com a súcia de gente reles que a acirra e atira com a mala de marroquim nas fuças do provocador. Zé Engenheiro vendo que se está a armar rebuliço dá à sola pela direita baixa, não sem antes levar com um chouriço meio assado na nuca. É o pandemónio geral com mesas, cadeiras, canoas de assar chouriço, garrafas de tinto carrascão etc, a voar pelos quatro cantos da sala.
Entra a polícia de choque a distribuir farturas de cassetete e vai tudo em cana.
Escondidos atrás das bambolinas os músicos e o apresentador comentam)
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei!…
Anã Droga: Está a ver avô Jerónimo, já está convencido? Veja aí se a bófia já basou que eu preciso de enrolar um porro p’ra desanuviar.
Apresentador: Peço desculpa mas aqui não se pode fumar, é um espaço fechado, se quer queimar a broca vá p’rá varanda.
Anã Droga: Epá, deixa-te de merdas parolas, poluem mais o ambiente as bufas mal-cheirosas que largas por aí que o fumo da minha broca, qualquer dia estes puritanos da treta ainda se lembram de proibir os W.C. dentro de casa por causa da poluição atmosférica e passamos todos a cagar na varanda que é um gôzo, eheheheheh!
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas…
Anã Droga: Ó avô Jerónimo, mas avisou o quê?!
D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas, que esta coisa do TGV ia dar merda e da grossa, avisei ou não avisei? Eh,eh,eh,eh,eh!
FIM
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