• O Autor

  • Uma Questão de Paixão

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  • Dragoscópio

    ...Quando eu digo Deus não é forçoso que eu signifique um Deus confinado a determinado ritual religioso; de facto, posso apenas dizer aquilo que, de certa forma, o conceito de Deus simboliza e consagra, ou seja, determinados princípios e fins - uma causa primeira e uma causa final. Quer dizer, a minha acção deve reger-se por princípios e fins; não quedar apenas refém, enclausurada e cativa dos meios. Pois, conforme estipula a matriz da nossa própria civilização, a acção humana não é um mero exercício de meios; como não é um mero exercício de fins. Nesse caso, nesse exercício desligado e cacofónico dos meios ou dos fins cair-se-á fatalmente no desequilíbrio, na desarmonia caótica. Porque, assim sendo, ou os fins justificarão os meios ou os meios determinarão os fins. Perdidos os princípios, tudo se torna, então, possível. O cosmos deixa de estar sujeito a uma necessidade –isto é, uma ordenação primordial, eterna e transcendente (e transcendente não é nenhum palavrão feio, apenas significa não estar sujeito a caprichos, acidentes e acasos do tempo) – e passa a estar ao pleno dispor da sorte e do acaso. E de quem lá impera. Desce-se, assim, do reinado do sentido, do simbólico, para a tirania do aleatório, mascarada, no melhor dos casos, duma democracia de alienados. Note-se, a esse respeito, como o nosso tempo manifesta uma hostilidade e um desprezo ostensivo pelo “primórdio” e, em contrapartida, celebra o “media” e a “finança” – decantações, respectivas, quer do “meio”, quer do “fim”. Por outro lado, esta ordenação hierárquica das coisas fundada na criação (e entenda-se aqui “criação” não no seu significado apenas religioso, mas também artístico, não sòmente demiúrgico mas também poético – ou seja, não apenas bíblico, mas sobretudo helénico) é deveras interessante e terrível. Senão, reparemos: se aceitarmos a sua lógica teremos qualquer coisa como "o criado ou criatura deve servir o criador. Assim, devemos servir a Deus, tal qual o dinheiro nos deve servir a nós." Em contrapartida, se nos rebelarmos contra essa ordem, se entendermos que (por exemplo, porque não somos criados, porque somos meras moléculas sem qualquer vínculo ao sagrado) não devemos servir a Deus, pode, à primeira vista, parecer muito libertário, catita e altamente moderno, mas depois tem um reverso sinistro que nos atira, de escantilhão, para abaixo dos pré-históricos canibais: é que, na mesma medida, o dinheiro e tudo aquilo que nós criámos deixa de estar na obrigação de nos servir a nós. Tornamo-nos então, nós próprios, servos dos nossos criados, criados dos nossos produtos, prole e plasma dum qualquer Estado burocrático. Preciso de vos apontar a realidade actual à vossa volta? Porque nos rebelámos contra o superior, tornámo-nos escravos do inferior; porque enterrámos as asas do espírito, rastejamos agora no pântano da matéria; porque desertámos do princípio, estamos agora confinados à finança. Partimos e pulverizámos em míseros caquinhos todo o imenso templo da Crença em Deus, doravante nanificada em milhares de minicrenças: crença na casa, crença no carro, crença no sucesso, crença no progesso, crença na ciência, crença no jornal, crença na televisão, crença no pastor, crença no doutor, crença na turba, crença no número, crença no trabalho, crença no umbigo, crença no dinheiro - somos agora miriápodes ouriçados não já em patas mas em crenças, com as quais amarinhamos por tudo, empeçonhando a esmo, e tudo isso embrulhado no tal saco da super-crença na Finança Toda Poderosa, gestora do Céu e do Inferno na Terra. Em boa verdade, à crença deixámos de tê-la para passar a sê-la. De sujeito degradámo-nos a objectos; de protagonistas, passámos a acessórios; de portadores, a transportes; de proprietários, a possessos. O produto tornou-se mais valioso que o produtor. Descartado o Sagrado, a natureza tornou-se descartável para o homem e o homem, por sua vez, tornou-se descartável para a sua própria máquina industrial tecno-eficiente. O conjunto evolutivo lembra, cada vez mais, um foguetão cósmico que vai consumindo e largando andares à medida que se afasta e embrenha direito a sabe-se lá onde. Certo é que quanto mais aumenta a nossa descrença no Sagrado, quanto mais ao descrédito o votamos, ou seja, quanto menos importância lhe damos, mais aumenta a importância que damos a bugigangas e próteses existenciais que fabricamos, e, inerentemente, mais se agiganta a crença que para elas transferimos. No fundo, tanto quanto uma perversão na hierarquia de valores, é uma inversão que se instaura e, gradualmente, nos vai absorvendo: o novo sobrepõe-se ao original, o produto ao produtor, o medíocre ao sublime. De espaço de cultura, o mundo converte-se assim em mero palco da profanação. Desligado do cosmos, oscila, perigosa e maquinalmente, entre a incubadora artificial e o matadouro industrial.
    in Dragoscópio. A par do Jumento, a léguas os dois melhores blogues portugueses.
  • Obrigações Diárias

Lá Vem a Nau Catrineta

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta Nau, conta o poeta
El-Rei a mandou armar
e de “Rosa” a fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
da odisseia sem par
dos loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

No bojo da Catrineta
no canto sul do porão
vivia-se a agitação
nas hostes da laranjinha
Desde a austera velhinha
ao guerreiro Santanás
passando pelo rapaz
“pinta” betinho da linha
e acabando em D. Patinha
-que à falta de um netinho
p’ra passar um bocadinho-
estava tudo engalfinhado
da ralé  ao Almirantado
-dos paquetes aos barões-
com punhais e facalhões

era ver quem mais picava
E em que pé a coisa estava  
este saco de ginetes?

Os barões queriam a velha
Ribaus e outros fregueses
que hão estado com Meneses
preferiam D. Santanás
ou então o tal rapaz
O betolas  do Estoril
simpático e mui gentil
o chavaleco Coelho
Claro que era um fedelho
muito tenrinho p’rá luta
mas “pinta filho da puta”
que um líder deve ostentar
já se via a despontar
e a crescer à força bruta

Na noite de trinta e um
foi a votos a laranja
e para a velha foi canja
com o apoio dos barões
e de outros figurões
limpou toda a concorrência
que terá que ter paciência
e ir p’rá bicha outra vez
Fiquem sabendo vocês
que mal venceu a contenda
recebeu uma encomenda
de uma empresa de cosmética
que fará desta caquéctica
de ar austero e solene
modelo “Laca Pantene”
para cabelos com estética

E na “Rosinha” frenética
que se passava com  o Boss?

Embora fizesse um crosse
assim que o galo cantava
o Capitão não deixava
-por mais que houvesse tentado-
o viciozinho danado
de fumar o seu cigarro
Não que a pieira ou catarro
lhe turvassem o discurso
Mas pôrra!… a figura de urso
de um Capitão assaz fraco
dependente do tabaco
qual um “carocho” da coca
do cavalo ou outra “moca”
p’la qual se sente tentado
possuído e agarrado
como o fuso à sua roca


A imagem de homem forte
resoluto e decidido
claro, havia sofrido
uma cruel machadada
não lhe faltava mais nada
senão ver “ir p’ró galheiro”
ou escoar-se num bueiro
a imagem que vendera
e tanto trabalho dera
a impingir à ralé
que da proa até à ré
-qual varinas da ribeira-
pela Catrineta inteira
zurziam em D. José

A culpa fôra do Pinho
seu tenente depravado
também ele um “agarrado”
p’los prazeres da fumaceira
trazia sempre na algibeira
de dentro do seu casaco
um macinho de tabaco
marca “Português Suave”
que como a maralha sabe
despoletou a bombarda
que causou a tal bernarda
gerada pelo sebento
chibo, sabujo, nojento
daquele escriba industriado
‘inda p’ra mais convidado
a custas do orçamento

Magicava D. José
com a mioleira a arder
o que devia fazer
p’ra não sair chamuscado
desse fogacho ateado
pelo tal escriba maldito
pudera um só cigarrito
queimar e fazer mais dano
que o déspota romano
de nome Nero causou
– o que nunca se provou
como afirmam afinal
os historiadores em geral
pois ao que parece até
o Nero estava “bué
de longe” da Capital

Após pensar concluiu:
“Pois p’ra puta, puta e meia
impressiono a plateia
com a promessa directa
aos parvos da Catrineta
que de hoje para o futuro
garanto, afianço e juro
que vou parar de fumar
Assim deixam de ladrar
os puritanos parolos
e vou comê-los por tolos
com a minha distinta lata
de velha e sabida rata
-não sei se estão a topar-
EU CÁ PROMETO DEIXAR
SÓ NÃO PROMETO É A DATA!”

 

 

 

 

 

 

 

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Merecido e Justo…

… o triunfo dos leões numa partida entretida, não muito bem jogada (como era de esperar em final de época) mas com um predomínio maior das cores de Alvalade. Está muito bem entregue o troféu e parabéns aos vencedores.

Aí está a FESTA!

Sou completamente neutro nesta final, eh,eh,eh,eh,eh! Que seja um grande espectáculo, uma grande festa e… que ganhe o melhor. Prometo que mais logo coloco um postal especial sobre a festa em si.

Sócrates e o cigarro da polémica

Eis o momento da polémica(?!)

O safardana do jornalista merecia era um borracho bem assente na mona. Se fosse aqui com o Zeca era o que recebia.

O Sócrates não tinha nada que vir pedir desculpa e, pior a emenda que o soneto, para quê pedir desculpas primeiro e depois prometer deixar de fumar? Não entendo.

Assunto encerrado.

No Solar da Rosa

Apresentador: Ora então uma muito boa noite a todos os presentes, sejam todos muito bem vindos a mais uma sessão fadista nesta tão afamada casa. E sem mais demoras, passo a apresentar o nosso mui amado gerente-mór, o magnânimo, o magnífico, o sem par… Zé Engenheiro!
Um do Público: Epá és mesmo um lambe-botas do caraças ó esticadinho da Silva. Estás a ver se o Engenheiro das pias te promove?
Todos: Ah,ah,ah,ah!
Outro: Começa mas é o espectáculo que a pomada está esgotada!

( Entra o gerente-mór)

Zé Engenheiro: Então, então meus amigos?…
Um do Público: Apaga mas é o cigarrinho que já bem bastou a barraca que deste no avião.
Todos: Ah,ah,ah,ah!
Outro: O homem estava nervoso por ir dar de caras com o Índio da Venezuela pá!
Outro: Mas tu não disseste que ias deixar de fumar?
Zé Engenheiro: Bem… lá dizer disse, só que não disse quando, eh,eh,eh!
Outro: Já me lixaste!… Esquecime que estava a falar com o gajo que promete tudo e depois manda as promessas às malvas.
Todos: Ah,ah,ah,ah,ah!
Zé Engenheiro: Bem, vamos lá então à música que se faz tarde.
Outro: Música?!… Mas então a música não começou desde que foste eleito?
Todos: Ah,ah,ah,ah,ah!
Zé Engenheiro: Bem… Meus senhores e minhas senhoras, tal como o cartaz anuncia, esta noite trago aqui três afamados fadistas da nossa praça, todos três com vontade de me comer o lugar. E para que não digam que eu não sou leal, tenho tomates suficientes para os trazer aqui. Meus senhores e minhas senhoras, respeitável público, na minha e na vossa presença esta noite, Nélinha Ferreira, essa avózinha austera que a idade não derrota a voz, o chavalito bem falante e liberal Pedro Coelhinho e finalmente a chamada corujinha feia da laranja, o outro Pedrinho, o Santanás. Uma grande salva de palmas para este trio que vem aqui, através do canto, tentar convencer a populaça.

( Entra o trio )

Um do público: Olhem bem para este trio de senas tristes eh,eh,eh!… Mas isto convence alguém?
Outro: Epá à primeira vista não, mas deixa-os lá cantar que a malta quer ouvir.
Zé Engenheiro: Pois claro, vamos lá deixá-los cantar e julgá-los depois. Senhor apresentador, passo-lhe as batatas… quero dizer, passo-lhe a palavra.
Apresentador: Vamos então começar. Fizemos um sorteio nos camarins para colocar ordem nas entradas, assim, primeiro irá cantar o chavalito, depois o Santanás e finalmente a Nélinha. Como sempre, teremos o acompanhamento à guitarra pelo honorável avô Palmeida Santos, à viola o quase avô Jerónimo Comuna e no baixo a Anã Droga. Como sabem o outro baixo, o Minorca Mendes, já enfiou a viola no saco e reformou-se.

( Apagam-se as luzes, trinam os instrumentos e entra o primeiro fadista, o chavalito )

Chavalo Coelhito: Meus senhores e minhas senhoras, eu vou cantar um fado com letra da minha autoria e música do Frei Hermano da Câmara chamado “Ser Ministro foi meu sonho”.

( Palmas da plateia. O chavalito começa a cantar )

Ser Ministro foi meu sonho
era um dever conseguir
Deus traçou-me este fadário
e como não sou otário
comecei a investir

Abandonei o privado
despedi-me do patrão
deixei tudo, já se vê    }
fui p’rá Jota Esse Dê    } Bis
e cheguei a Capitão      }

As saudades que não sinto
descrevê-las já não sei
para quê ser do privado
sou um chavalo dotado
e posso chegar a rei

Não chorem, não tenham pena
que a hora está a chegar
À Nelinha e ao Santanás       }
meto-os ao barulho e…zás!   }  Bis
sou eu quem fica a ganhar     }

( Chovem aplausos para o chavalito )

Um: À boca linda!… com a verdade os enganas!
Outro: Epá o puto é esperto!
Outro: Diz as coisitas a brincar…
Outro: Pois pá, mas nunca ouviste dizer que a brincar, a brincar é que o macaquinho foi à ….**@@##!
Todos: Eh,eh,eh,eh,eh!
Apresentador: E agora o segundo fadista, O Pedrinho Santanás, uma grande salva de palmas para ele.

( Plateia aplaude. Mais uma vez baixa a luz, os instrumentos gemem etc…  Entra o fadista )

Pedrinho Santanás: Uma boa noite a todos. Eu cá vou cantar um fado com letra do Alberto da Madeira e música da minha nova amante e chama-se ” A Nélinha dos Limões… Ai perdão, a Nélinha dos Barões”.

( Começa o canto )

Quando ela passa, aquela velha carcaça
há sempre um ar de chalaça no seu olhar atrevido
Lá vai janota, cada dia mais velhota
no seu vestir bem se nota quem vai dentro do vestido
Passa ligeira, arrogante e altaneira
a sorrir p’rá rua inteira, semeando desacatos
Quando ela passa, dar bem p´ra ver a desgraça
e até lhe chamam por graça a Nélinha dos Barões

Quando ela passa, junto da minha janela
meus olhos vão atrás dela, vai haver fogo na Lapa
a Baronesa, aquela velha jarreta
no braço a malinha preta aos ombros a fina capa

Quando ela passa, bendizendo os seus barões
A sós, com os meus botões, no vão desta janelinha
Fico pensando, que qualquer dia por graça
paço namoro à velhinha
e depois caso com ela
Plateia: Á fadista!!!
Um: És mesmo um engatatão do caraças ó meu!… Não me admirava nada que isso fosse mesmo assim!

( Santanás sai de cena agradecendo os aplausos. Reentra o apresentador )

Apresentador: E depois deste belo faduncho de engate e mal-dizer, eh,eh,eh!, apresento-vos o último convidado, aliás uma convidada. Meus senhores e minhas senhoras, com direito a resposta Nélinha Ferreira!
Um: Dá-lhe aí ó Vóvó Donalda! Mostra a esse pato maluco que o comes com manteiga eh,eh,eh,eh,eh!
Todos: Yesssss!!!!
Outro: Dá-lhe com o cabo da colher de pau ó padeira de Aljubarrota, que esse ganso já vai ver como elas lhe mordem!
Nélinha Ferreira: Não respondo a provocações folclóricas e ou pornográficas. Sou uma senhora muito “in” e não me costumo meter com gabirús deste calibre. Meus senhores e minhas senhoras, com letra do Barão de Cascais e música da baronesa de Bilre, vou cantar o fado intitulado “Ó tempo volta p’ra trás”

( baixam as luzes…etc… Entra a Nélinha. )

O de Gaia foi-se embora
o P.S.D. parou
o Santanás foi com ele
e tudo recomeçou
Foram-se embora estes patos  }bis
e eu fiquei mais descansada
mas neste saco de gatos  }bis
desatou tudo à mocada

Ó tempo, volta p’ra trás
trás de volta o Zé Manel
que só ele era capaz
de meter fim ao granel
Ó tempo, volta p’ra trás
não deixes ir o Barroso
porque toda a gente faz }bis
do Partido um grande gôzo }bis

O Sá Carneiro lerpou
e o meu querido Balsemão
p’rá partido se cagou
e foi p’rá televisão
o Cavaco deu à sola
porque já tinha a carola
a matutar com Belém
O Zé Manel foi ao tacho
o partido foi-se abaixo
valha-me Deus, Santa Mãe

Ó tempo, volta p’ra trás
vá lá não te custa nada
do Filipe ao Santanás
põe fim a esta tourada
Ó tempo, volta p’ra trás
e salva lá o partido
olha se não fores capaz }bis
está o país bem fo….! }bis

( Público aplaude entusisticamente. Nélinha agradece )

Um: Á velhota do caneco, nem a Margarete de Sua Majestade! Já ganhaste o partido minha bruxinha do caraças!
Todos: Já ganhou, já ganhou!…

( ao ouvir isto Santanás reentra em cena)

Pedrinho Santanás: Ganhou o quê?…Hã?!… ganhou mas foi o tanas!… Eu é que vou ganhar!
Um: Tu vais é ganhar um balde de merda, meu engatatão da Lapa!

( Voa uma garrafa de Porca de Murça e um chouriço alentejano direito ao palco a acertam com toda a força na moleirinha do Santanás que cai instantaneamente. Gera-se a confusão total com partidários da velhota e partidários dos outros dois e desata tudo à lambada. Entra a polícia de intervenção, chamada pela gerência, e vai tudo em cana )

Zé Engenheiro: ( Depois da casa “limpa” segreda ao avô Palmeida ) Está a ver ó avôzinho, eu não dizia que era uma ideia muito boa trazer cá este trio?
Avô Palmeida: Você é um génio Zé Engenheiro, você é um génio.

 
 
 
  

Trancada Central

Duvido Borges: Ora então muito boa noite a todos os desportistas do quintal lusitano. Com apitos coloridos qual arco-íris, cantos de dirigentes pseudo-desportivos a imitar os saudosos “Trabalhadores do Comércio” na cantiguinha “…chamem a polícia que eu não pago…”, com um major da tropa a continuar a pensar que é macaco-rei de uma república de bananas, com um chavalito no chamado Conselho de Justiça da Liga a fazer do célebre Narciso uma personagem secundária, com um treinador do “Glorioso” que mais parece acabado de sair de um recreio das Cerci, com um ex-vocalista de banda musical que um dia satisfez mais um capricho e armou-se em Presidente de um clube de futebol e deixou-o -como tudo indica- na segunda divisão, com um especialista em borracha vulcanizada e cobranças difíceis a fazer merda atrás de asneira no clube dos seis milhões, com um betinho da linha a fazer de sério e a deixar o Espírito Salgado a esfregar as mãos de contentamento e com o Papa-Mór desta turba de mentecaptos a rir que nem um perdido, terminou mais um campeonato deste quintalinho de bat(o)ateiros a que chamamos Primeira Liga. Comigo, os comentadores do costume: Pelo F.C.P. o Sr. Agapito Dourado, pelo S.C.P. o Sr. Hélio Nino, pelo S.L.B. o Sr. Alan Pião e, como convidado especial para este debate o – quanto a nós – grande vencedor desta trapalhada toda, o Sr. Manuel Que Ajuda, capataz da equipa das terras de El-Rei Afonso I. E começo pelo fim, ou seja, pelo último que até foi terceiro. Sr. Manuel Que Ajuda, que mistela é que enfiou nos chazinhos da rapaziada… perdão, que força é essa amigo?… como diria o Sérgio Godinho?
Manuel Que Ajuda: Ó mê amigue, qual chá qual carapuça!… Mais que nâ seja uns cafézitos que são riques em cafeína, como me ensinou o meu queride amigue Jaime Pacheque, eh,eh,eh,eh!, assim nã nos apanharem a dormir e…
Duvido Borges: E agora?
Manuel Que Ajuda: Como disse, o primeiro reforçe é… juizinhe! Se o Victória não o tiver, se começar a pensar qual Boavista que, depois de ser campeão julgou que já era o Barcelona cá do burgue, não tarda nada bate com a tola na parede e, num ápice, volta a lutar para não descer de divisão.
Duvido Borges: Então e quando é que o senhor vai treinar um grande?
Manuel Que Ajuda: Ó meu amigue, quando se nasce em Portugal é mais fácil sair do Guimarães para o Manchester ou para o Chelsea, para o Inter ou para o Milan, para o Barcelona ou para o Real Madrid do que para o Sporting, o Benfica ou o Porte!
Duvido Borges: Sr. Agapito, o F.C.P. campeão com vinte e tal de avanço da concorrência directa…
Agapito Dourado: Ora bem… a distância pontual é cada vez mais parecida com a distância quilométrica, eh,eh,eh,eh,eh!…. Não tarda nada e ainda ficam a 400 pontos!
Alan Pião: Ó maçarico fogacheiro do Norte, se não fossem os chocolatinhos, os quinhentinhos e outros “inhos”, se não fossem os Azevedos Duarte, Os Brunos Paixão e afins, estavas mas era na Liga Vitalis que era um gôzo pá! O desgraçado do Boavista, que já não tem um cêntimo para mandar cantar o ceguinho, é que vai pagar o pato desta autêntica palhaçada a fim de tapar os olhinhos ao pagode fazendo-lhe acreditar que há justiça pá! Mas qual justiça?! Quem se lixa é o clube que não tem culpa dos poltrões que o assaltaram nos últimos trinta anos, que se serviram dele em seu belo proveito e que agora põem o cú de fora como se nada fosse pá! Suspender o filho do batateiro?!… mas ele já nem é agente desportivo!?… E o sacaninha do papá do Ban?…hã?… Mas quem é que conhecia o Major antes de ser presidente da instituição?…
Hélio Nino: Conheciam-no os soldados no tempo da guerra quando era despenseiro de quartel e fornecia as mercearias de bairro à conta do orçamento da tropa, eh.eh.eh!, pelo menos é o que consta!
Alan Pião: Tens toda a razão vizinho de rua e companheiro de infortúnio.
Hélio Nino: Mas quando o nosso presidente andava a falar do sistema,todos diziam, também tu ó Alan Pião, que o velhote estava senil, ou não?
Alan Pião: Dou o bico à palmatória.
Hélio Nino: Há!
Agapito Dourado: Eh,eh,eh.eh.eh! estes tipos de Lisboa estão bem um para o outro. No tempo dos cinco violinos e depois no tempo do “preto”, quando os roubos de igreja ao grande F.C.P. eram o pão nosso de cada dia não piavam nem rugiam, mas agora… olha para eles quais viúvas desconsoladas eh,eh,eh,! É para verem quando doi seus sulistas do caraças!
Duvido Borges: Mas ó sr. Agapito Dourado, então o futebol dos milhões é uma treta?!… É uma luta entre máfias?
Agapito Dourado: Tem dúvidas ó Duvido Borges? Não ouviu ontem o Zé Guilherme Aguiar a dizer que nos anos setenta, quando o Chalana foi derrubado a meio metro da área dos Soviéticos o árbitro, industriado pela FIFA, macou penalty porque os Soviéticos não levavam ninguém a assistir aos jogos no Europeu de França e quanto aos Portugueses já lá estavam aos milhares? Não sou eu que o digo, é um ex-alto dignatário do futebol português!
Duvido Borges: Mas então o sistema…
Hélio Nino: O sistema é a promiscuidade que existe entre agentes desportivos, autarcas, banqueiros ou seja: Valentins Loureiro a ameaçarem árbitros “a brincar” – mas como diz o outro:”…a brincar a brincar é que o macaco foi….”. E, movendo-se e manobrando – sempre a brincar- a seu belo prazer os árbitros e delegados de arbitragem, tendo na mão por favores extra-futebol a maioria da cambada, leva sempre a água ao seu moínho, entende?
Alan Pião: E também as dívidas gigantestas que alguns clubes têm com o Espírito Salgado, que leva a que este corrompa o que fôr preciso para que o seu devedor arranje massa para lhe pagar! Esta trampa é que é o sistema pá!
Agapito Dourado: Mas vocês estão admirados com o quê? Só no futebol é que esta chafurdice existe? Ó seus totós!… esta merda é o pão nosso de cada dia em Portugal , em qualquer actividade!
Duvido Borges: Bem, depois disto não se admirem que tenha dito adeus a Portugal e volte para a minha santa terrinha, Angola…
TODOS EM UNÍSSONO: Para onde???!!!… Ó Duvido Borges… nós até que tinhamos alguma consideração por si…
               

Mais uma vez…