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    ...Quando eu digo Deus não é forçoso que eu signifique um Deus confinado a determinado ritual religioso; de facto, posso apenas dizer aquilo que, de certa forma, o conceito de Deus simboliza e consagra, ou seja, determinados princípios e fins - uma causa primeira e uma causa final. Quer dizer, a minha acção deve reger-se por princípios e fins; não quedar apenas refém, enclausurada e cativa dos meios. Pois, conforme estipula a matriz da nossa própria civilização, a acção humana não é um mero exercício de meios; como não é um mero exercício de fins. Nesse caso, nesse exercício desligado e cacofónico dos meios ou dos fins cair-se-á fatalmente no desequilíbrio, na desarmonia caótica. Porque, assim sendo, ou os fins justificarão os meios ou os meios determinarão os fins. Perdidos os princípios, tudo se torna, então, possível. O cosmos deixa de estar sujeito a uma necessidade –isto é, uma ordenação primordial, eterna e transcendente (e transcendente não é nenhum palavrão feio, apenas significa não estar sujeito a caprichos, acidentes e acasos do tempo) – e passa a estar ao pleno dispor da sorte e do acaso. E de quem lá impera. Desce-se, assim, do reinado do sentido, do simbólico, para a tirania do aleatório, mascarada, no melhor dos casos, duma democracia de alienados. Note-se, a esse respeito, como o nosso tempo manifesta uma hostilidade e um desprezo ostensivo pelo “primórdio” e, em contrapartida, celebra o “media” e a “finança” – decantações, respectivas, quer do “meio”, quer do “fim”. Por outro lado, esta ordenação hierárquica das coisas fundada na criação (e entenda-se aqui “criação” não no seu significado apenas religioso, mas também artístico, não sòmente demiúrgico mas também poético – ou seja, não apenas bíblico, mas sobretudo helénico) é deveras interessante e terrível. Senão, reparemos: se aceitarmos a sua lógica teremos qualquer coisa como "o criado ou criatura deve servir o criador. Assim, devemos servir a Deus, tal qual o dinheiro nos deve servir a nós." Em contrapartida, se nos rebelarmos contra essa ordem, se entendermos que (por exemplo, porque não somos criados, porque somos meras moléculas sem qualquer vínculo ao sagrado) não devemos servir a Deus, pode, à primeira vista, parecer muito libertário, catita e altamente moderno, mas depois tem um reverso sinistro que nos atira, de escantilhão, para abaixo dos pré-históricos canibais: é que, na mesma medida, o dinheiro e tudo aquilo que nós criámos deixa de estar na obrigação de nos servir a nós. Tornamo-nos então, nós próprios, servos dos nossos criados, criados dos nossos produtos, prole e plasma dum qualquer Estado burocrático. Preciso de vos apontar a realidade actual à vossa volta? Porque nos rebelámos contra o superior, tornámo-nos escravos do inferior; porque enterrámos as asas do espírito, rastejamos agora no pântano da matéria; porque desertámos do princípio, estamos agora confinados à finança. Partimos e pulverizámos em míseros caquinhos todo o imenso templo da Crença em Deus, doravante nanificada em milhares de minicrenças: crença na casa, crença no carro, crença no sucesso, crença no progesso, crença na ciência, crença no jornal, crença na televisão, crença no pastor, crença no doutor, crença na turba, crença no número, crença no trabalho, crença no umbigo, crença no dinheiro - somos agora miriápodes ouriçados não já em patas mas em crenças, com as quais amarinhamos por tudo, empeçonhando a esmo, e tudo isso embrulhado no tal saco da super-crença na Finança Toda Poderosa, gestora do Céu e do Inferno na Terra. Em boa verdade, à crença deixámos de tê-la para passar a sê-la. De sujeito degradámo-nos a objectos; de protagonistas, passámos a acessórios; de portadores, a transportes; de proprietários, a possessos. O produto tornou-se mais valioso que o produtor. Descartado o Sagrado, a natureza tornou-se descartável para o homem e o homem, por sua vez, tornou-se descartável para a sua própria máquina industrial tecno-eficiente. O conjunto evolutivo lembra, cada vez mais, um foguetão cósmico que vai consumindo e largando andares à medida que se afasta e embrenha direito a sabe-se lá onde. Certo é que quanto mais aumenta a nossa descrença no Sagrado, quanto mais ao descrédito o votamos, ou seja, quanto menos importância lhe damos, mais aumenta a importância que damos a bugigangas e próteses existenciais que fabricamos, e, inerentemente, mais se agiganta a crença que para elas transferimos. No fundo, tanto quanto uma perversão na hierarquia de valores, é uma inversão que se instaura e, gradualmente, nos vai absorvendo: o novo sobrepõe-se ao original, o produto ao produtor, o medíocre ao sublime. De espaço de cultura, o mundo converte-se assim em mero palco da profanação. Desligado do cosmos, oscila, perigosa e maquinalmente, entre a incubadora artificial e o matadouro industrial.
    in Dragoscópio. A par do Jumento, a léguas os dois melhores blogues portugueses.
  • Obrigações Diárias

Lá Vem a Nau Catrineta

Lá vem a Nau Catrineta

que tem muito que contar

esta Nau – diz o poeta-

El-Rei a mandou armar

e de Rosa a fez zarpar

para uma nova demanda

é D. José quem comanda

a barquinha em alto-mar

Da odisseia sem par

dos loucos navegadores

ouvi agora senhores

outra história de pasmar

 

De olhar alucinado

para o vazio baú

dedo da destra espetado

D. José coçava o cú

Havia acabado a cheta

e p’ra mór desolação

o invejoso forreta

não lhe fiava um tostão

A Catrineta-Nação

já não valia a penhora

por isso senhores, agora

ouvira um rotundo NÃO!

 

Gastara-se sem sentido

fôra um bodo até aí

e agora o F.M.I.

vinha saldar o devido

“Ai de mim que estou fodido!…”

-rosnava por entre dentes-

…”o que vou dizer às gentes

da Lusa Nau Portuguesa

quando sentados à mesa

me forçarem à verdade?…

dizer com frontalidade

que a Catrineta está tesa?…

 

…põe a mona a funcionar

meu capitão fraldisqueiro

que és um belo engenheiro

na nobr´arte de aldrabar

se conseguiste aviar

durante anos, o que é obra

a baba e banha da cobra

à ralé da Catrineta

vê se tiras da gaveta

ou da rosada cartola

um plano p´ra que a “bola”

não te atire p´rá valeta!”

 

Qual Maquiavel malvado

o astuto capitão

manda chamar D. Lacão

seu bom sabujo amestrado

-“ Ai Jorge que o nosso fado

pode ter cruel destino

se aqui este menino

de todo não conseguir

limpar, escorrer, sacudir

a água do seu capote

que é terminado o fartote

e a factura vai sair!…

 

 

…A tropa da laranjinha

e a malta do Anacleto

debaixo do mesmo tecto

reuniram à tardinha

p´ra compor a panelinha

sem faltarem condimentos

matilha de cães sarnentos

chamaram o camarada

está pois a tuna formada

p´ra nos tocar a pavana

e o Portas esta semana

também se junta à molhada!”

 

 

Estes dois génios da intriga

e mestres da arte trágica

buscavam a poção mágica

sem olharem à fadiga

bem lhes roncava a barriga

mas p´la mór aflição

nem um graminha de pão

entrou nas bocas esfaimadas

o duo de camaradas

tinha à força que arranjar

um plano p´ra safar

o coiro de umas mocadas

 

 

Já ia mais alta a lua

que os juros a cinco anos

quando este par de bacanos

despertou da macacua

O mestre da falcatrua

D. José o Capitão

virando-se p´ra D. Lacão

berra eufórico: -“Já sei!…

ponho as culpas em El-Rei

e no se fiel fedelho

o beto Passos Coelho

e à turba parva direi:

 

Culpados do triste fim

são o Portas e o Anacleto

e o comuna abjecto

todos feitos contra mim

logo quando eu tinha o sim

dos capitães da Europa

p´ra sacar mais pão e sopa

e pôr no rol dos fiados

esse grupo de malvados

só p´ra me fazer cair

ousaram deixar falir

a Lusa Nau dos danados

 

Vais ver amigo Lacão

a turba a ficar borrada

quando de mala aviada

e de cutelo na mão

entrarem de supetão

p´lo convés da Catrineta

os homens da mala preta

a mando do F.M.I. !…”

Depois ver-me-às a mim

qual calimero chorão

da proa até ao porão

falando à ralé assim:

 

Acabou-se a bela-vida

de sopinha e pão à pala

vai haver fome que estala

a maralha está fodida

Essa tão grande e feroz

ambição pelo poder

acabou foi por foder

esta Nau de todos nós!…

Ai a larica maldita

porque vocês vão passar

sem côdea para acalmar

os roncos da barriguita!

 

E fiquem sabendo já

que estes capitães da Europa

não vão só cortar na sopa

nem no pãozinho…ólalá!…

Vão-se ao pré qual gato à isca

Ao décimo terceiro mês

O de férias… era uma vez

Levam rei, valete e bisca!…

… O que pensas bom Lacão

deste plano ardiloso

de passar o odioso

p´rá maldita opisição?”

 

-Embora sejam tótós

a turba vai no engôdo?

quem fodeu o pilim todo

não se esqueça, Fomos nós!”

-“Pensa bem meu bom Lacão

p´lo menos trinta por cento

mamaram do orçamento

sem sequer dar ao coirão

Subsídios a contento

reformas acumuladas

cartões Visa, almoçaradas

à pala do orçamento

 

Podes estar certo ó Lacão

-escreve o que te vou dizer-

que aqui o teu Capitão

não perderá o poder

Estás tu farto de saber

que a chusma da Catrineta

se vir que coisa está preta

e lhe cheirar a trabalho

vai mandar para o caralho

o betinho da laranja

serei reeleito, é canja

e sem ter muito trabalho

Lá Vem a Nau Catrineta

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta Nau – diz o poeta-

El-Rei a mandou armar

e de Rosa a fez zarpar

para uma nova demanda

é D. José quem comanda

a barquinha em alto-mar

Da odisseia sem par

dos loucos navegadores

ouvi agora senhores

outra história de pasmar

Com a maldita tormenta

sem sinais de abrandamento

já esgotada a água benta

que havia lançado ao vento

desde os degraus de S. Bento

a Braga e Castro Marim

a chusma não via o fim

dessa bernarda agoirenta

-não sei se a Nau aguenta-

rosnam as bocas descrentes

escorbúticas, sem dentes

-ai que esta merda rebenta…”

Impassível na amurada

da Nau das aflições

coçando ambos os limões

com a destra mão artilhada

O Capitão da molhada

dos lusos navegadores

ia dizendo:-Senhores

calma que isto não é nada

a malta não está lembrada

dos Gamas e dos Cabrais

que venceram temporais

com vontade inusitada?

Pois nós os seus descendentes

dobraremos este cabo

nem que a porca torça o rabo

ou ao galo cresçam dentes!

Calem a boca os descrentes

que mais dia menos ano

voaremos a todo o pano

e com esta dica acabo

não sou trouxa nem sou nabo

seja vivo ou esteja morto

hei-de levar a bom porto

a Nau de El-Rei , c’um diabo!-

Nem palmas nem pateada

nada se ouviu de seguida

pois já nada dava vida

à ralé desanimada

nem a promessa dourada

de vaquinhas anafadas

onde o pãozinho às carradas

lhes mataria a larica

nem isso ousava dar pica

minorar o sofrimento

-Promessas leva-as o vento

e não enchem a barriga-

Este Capitão chanfrado

mais os seus loucos tenentes

da córnea caixa dementes

há muito houveram pirado

-ir ao fundo é nosso fado

já os peixes batem palmas

encomendemos as almas

ao nosso santinho amado

Tá tudo doido e passado

que se foda o desemprego

ao fundo que nem um prego

restará como salvado

Vem aí a bancarrota?

não há espiga camaradas

porque há crédito às carradas

na Cofidis e no Totta

e o Doutor Mário Frota

que ajuda os endividados

os que se vêm lixados

para descalçar a bota

Isto é uma Nau da treta

e não tarda o afundanço

gozemos, viva o ripanço

que se foda a Catrineta!!!

Nos minutos derradeiros

antes do baque final

O Capitão General

e a corja de sendeiros

tenentes flibusteiros

do chavascal que criaram

pois ainda nos prendaram

com mais mais esta, os trapaceiros:

Doravante os paneleiros

e as fufas deste país

terão um ar mais feliz

pois não morrerão solteiros

Lá Vem a Nau Catrineta

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta Nau, conta o poeta
El-Rei a mandou armar
e de “Rosa” a fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
da odisseia sem par
dos loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

No bojo da Catrineta
no canto sul do porão
vivia-se a agitação
nas hostes da laranjinha
Desde a austera velhinha
ao guerreiro Santanás
passando pelo rapaz
“pinta” betinho da linha
e acabando em D. Patinha
-que à falta de um netinho
p’ra passar um bocadinho-
estava tudo engalfinhado
da ralé  ao Almirantado
-dos paquetes aos barões-
com punhais e facalhões

era ver quem mais picava
E em que pé a coisa estava  
este saco de ginetes?

Os barões queriam a velha
Ribaus e outros fregueses
que hão estado com Meneses
preferiam D. Santanás
ou então o tal rapaz
O betolas  do Estoril
simpático e mui gentil
o chavaleco Coelho
Claro que era um fedelho
muito tenrinho p’rá luta
mas “pinta filho da puta”
que um líder deve ostentar
já se via a despontar
e a crescer à força bruta

Na noite de trinta e um
foi a votos a laranja
e para a velha foi canja
com o apoio dos barões
e de outros figurões
limpou toda a concorrência
que terá que ter paciência
e ir p’rá bicha outra vez
Fiquem sabendo vocês
que mal venceu a contenda
recebeu uma encomenda
de uma empresa de cosmética
que fará desta caquéctica
de ar austero e solene
modelo “Laca Pantene”
para cabelos com estética

E na “Rosinha” frenética
que se passava com  o Boss?

Embora fizesse um crosse
assim que o galo cantava
o Capitão não deixava
-por mais que houvesse tentado-
o viciozinho danado
de fumar o seu cigarro
Não que a pieira ou catarro
lhe turvassem o discurso
Mas pôrra!… a figura de urso
de um Capitão assaz fraco
dependente do tabaco
qual um “carocho” da coca
do cavalo ou outra “moca”
p’la qual se sente tentado
possuído e agarrado
como o fuso à sua roca


A imagem de homem forte
resoluto e decidido
claro, havia sofrido
uma cruel machadada
não lhe faltava mais nada
senão ver “ir p’ró galheiro”
ou escoar-se num bueiro
a imagem que vendera
e tanto trabalho dera
a impingir à ralé
que da proa até à ré
-qual varinas da ribeira-
pela Catrineta inteira
zurziam em D. José

A culpa fôra do Pinho
seu tenente depravado
também ele um “agarrado”
p’los prazeres da fumaceira
trazia sempre na algibeira
de dentro do seu casaco
um macinho de tabaco
marca “Português Suave”
que como a maralha sabe
despoletou a bombarda
que causou a tal bernarda
gerada pelo sebento
chibo, sabujo, nojento
daquele escriba industriado
‘inda p’ra mais convidado
a custas do orçamento

Magicava D. José
com a mioleira a arder
o que devia fazer
p’ra não sair chamuscado
desse fogacho ateado
pelo tal escriba maldito
pudera um só cigarrito
queimar e fazer mais dano
que o déspota romano
de nome Nero causou
– o que nunca se provou
como afirmam afinal
os historiadores em geral
pois ao que parece até
o Nero estava “bué
de longe” da Capital

Após pensar concluiu:
“Pois p’ra puta, puta e meia
impressiono a plateia
com a promessa directa
aos parvos da Catrineta
que de hoje para o futuro
garanto, afianço e juro
que vou parar de fumar
Assim deixam de ladrar
os puritanos parolos
e vou comê-los por tolos
com a minha distinta lata
de velha e sabida rata
-não sei se estão a topar-
EU CÁ PROMETO DEIXAR
SÓ NÃO PROMETO É A DATA!”

 

 

 

 

 

 

 

Lá Vem a Nau Catrineta…

logotipo-da-nau.jpg

  Ora cá está o Zecatelhado regressadinho das férias e cheio de vontade… (Eh lá!…)

Trago a Nau que fiz durante o ripanço, já vem um bocadinho desfazada no tempo mas…

Um abração para todos.

Uma coisita mais: Hoje deram um tiro no Ramos Horta… por pura curiosidade hoje é dia 11! Mais, 11(dia)+2(mês)=13! Ora olhem ali para o lado direito da página e reparem no que já lá está há um tempo.  Já viram? Eh,eh,eh! não se assustem, é só mais uma coincidência… até à próxima. Bem, chega de assunto por hoje e vamos lá à Nau de hoje:

 Janeiro de 2008

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta Nau, diz o poeta
El-Rei a mandou armar
e de rosa a fez zarpar
para uma nova demanda
é D.José quem comanda
a barquinha em alto mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar
Corria o mês de Janeiro
deste Ano Santo da Graça
Teixeira contava a massa
refundida no baú
D. José coçava o cú
com um ar preocupado
olhando p’ra D. Amado
o pavão flibusteiro
perú vaidoso, sendeiro
de barbicha esbranquiçada
tenente que comandava
os negócios com o estrangeiro
Ora a  preocupação
deste par de figurões
fôra a ordem dos Patrões
que nos Sete-Mares mandavam
e à Catrineta ordenavam
que arranjasse urgentemente
algo que fizesse a gente
da Catrineta-Nação
centrar a sua atenção
naqueles que em nome da fé
em Alá e em Maomé
madavam brasa ou tição

O embuste terrorista                  
sabia-se, fôra criado              
na Nau do Almirantado
do filhos do tio Sam
p’lo conhecido clã
Bilderberg e Companhia
Skull & Bones e CIA
a fina máfia elitista      
do mundo capitalista
credenciados doutores    
mestres manipuladores
da arte ilusionista
P’ra nos poder enganar
tal qual o Luís de Matos
iam aldrabando os patos
“…ó patego olha o balão!…”
presta-lhe toda a atenção
não desvies o sentido
mantém-te bem distraído
vendo o balão a pairar
que assim vamos poder dar
outro nózinho à laçada
sem que repares em nada
com os cornos postos no ar
Com os fantoches comprados
nas ricas Naus do Oriente
iam distraindo a gente
tirando Al Quedas e afins
Bin Ladens e outros mastins
qual coelhos da cartola
destes mágicos da escola
de Harry Potter formados
messias iluminados
adoradores de Satã
que com pézinhos de lã
partem o mundo em bocados
Ora voltemos ao fado
que vos estava cantando
D. José estava coçando
com a destra o olho do cú
“Ó Amado, vê lá tu
se essa mona inteligente
inventa algo pungente
que seja mui bem contado
sem deixar desconfiado
um só marujo com a treta
aqui na Nau Catrineta
que eu estou tão desinspirado!”
“Meu ilustre Capitão
eu tenho uma ideia em mente!…”
“Então bufa cá p´’rá gente
porque é tarde e o tempo urge!”
“A ideia que me surge
foi em Espanha experimentada
e a turba foi na argolada
mudando de opinião
e em massiva votação
deram à rosa a vitória
tão bem foi tratada a história
p’lo nosso partido irmão!”
“Ó Amado, estás parvinho?!…
acaso pensas mandar
a ré ou porão ao ar
p’ra resolver a questão?!…
Isso custa um dinheirão
os Espanhóis têm caroço
e tu sabes que eu não posso
mandar fora um só eurinho!?…
vai lá mais devagarinho
inventa uma outra peta
que o baú da Catrineta
sabes bem que está tesinho!”
“Ó Capitão, eu não falo
de estoiros ou de fogacho
pois bem sei que anda em baixo
o maneio do baú…”
“Então de que falas tu
ó meu Amado tenente!?”
“De um plano bem  diferente
que pode também dar estalo
aposto que vai levá-lo
a que sem hesitação
mande executar a acção…”
Então passa a apresentã-lo!”
“Vai pedir ao Capitão
da rosa espanhola irmã
p’ra que logo p’la manhã
mande prender três monhés
e que espalhe lés a lés
que a Catrineta era vista
como um alvo terrorista
da gávea até ao porão
depois o D. Balsemão
D. Sebrian e os delfins
colocam os seus pasquins
berrando até à exaustão…
…<<Catrineta ameaçada
pelos fundamentalistas
dessa Nau de terroristas
que apavora os Sete-Mares
guisava mandar aos ares
a pobre da lusa-Nau
mas a bófia estava a pau
e a jihad foi travada>>
a turba fica borrada
segunda parte da acção
escondida numa estação
uma mala abandonada…

…e a’crescentar ao rol
sabeis pois vós o que penso?…
podía-se atar um lenço
<<Made in Palestina>> à asa
não achais vós que isto arrasa   
os nervos de qualquer um?…
a maleta fazer PUM!!!…     
e ir desta p’ra melhor?…”                                 
” Ó Amado, és o maior
mas que ideia mais brilhante
vamos levar isto avante
antes que se ponha o sol
Só que há algo, meu amigo                 
que temos que resolver
o que é que vamos dizer
à ralé da Catrineta
quando virem que a maleta
que ali fôra colocada                                      
afinal não tinha nada
que não era do inimigo?                 
depois como é que eu consigo               
sem ser alvo de chalaça
convencer a populaça
que podia estar em perigo?”
“D. José, de Portugal
o senhor que é rei coroado
dos tangueiros deste estado
da Nação da Catrineta
que sois marajá da peta
e um tretas-mor de primeira
estais hoje com a mioleira
em plena greve geral?!…
não sabeis vós afinal
que a rale é bem parvinha
e engole chumbada e linha
mais a minhoca fatal?
Basta dizer-lhes, caneco
que p’la sua segurança
merece desconfiança
tudo o que seja suspeito
um coxo a andar direito
um cego sem instrumento
ou uma saca de cimento
nos costados de um marreco
e enquanto olham “p’ró boneco”
com uma só cajadada
logo ali de uma assentada
manda aqueles dois borda-fora
a Bela culta senhora
e o Campos patareco!”

E assim se passou à acção
tal qual como a cogitara
essa espécie de ave-rara
que só de nome é amado
que há quem diga que é danado
ou melhor, atiradiço
a todo e qualquer chouriço
que lhe passe ao pé da mão
e não o come com pão
nem cortadinho aos bocados
segundo alguns desbocados
da Catrineta Nação

Lá Vem a Nau Catrineta

logotipo-da-nau.jpg

Janeiro de 2008

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta Nau, diz o poeta
El-Rei a mandou armar
e de rosa a fez zarpar
para uma nova demanda
é D.José quem comanda
a barquinha em alto mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

D. José estava estafado
dura tinha sido a faina
mas a lauta comesaina
ali prontinha a atacar
do champanhe ao caviar
do rodovalho ao salmão
das ameijoas à Bulhão
ao bom javali assado
e tudo mui bem regado
por pomadas do melhor
dava graças ao Senhor
embora ateu confessado

Nesse Salão espanpanante
só gente ilustre a entrar
ali p’ró acompanhar
no aconchego da pança
estava o Corsário de França
e o Capitão da Espanhola
que era da mesma escola
da Rosa cor navegante
e a mais balofa almirante
da grande Nau Ariana
que ao belo som da Pavana
Sorria a todo o instante

Alguns Capitães à proa
da Catrineta Nação
que com pena de pavão
em sangue haviam jurado
serem fiéis ao Tratado
que D. José terminara
e ao qual apelidara
de Tratado de Lisboa
estavam todos numa boa
Perrier firme na mão
tosta, ovas de esturjão
presuntinho com meloa

D. Portas mui sorridente
a D. Burroso explicou
como é que foi que limpou
aqueles dentes cor de merda
dizia que um tal Lacerda
brasileiro diplomado
os havia branqueado
a laser, ó minha gente!…
de tal forma era potente
que não mais iria usar
dentífrico para os lavar
adeus ó Pepsodent!

D. Burroso já sonhava
com o seu novo sorriso
não mais seria preciso
fechar a boca ao sorrir
sempre a tentar encobrir
a asquerosa dentição
tomou Portas pela mão
sem um segundo de perda
quis saber se o tal Lacerda
tinha uma vaga, pois queria
reformar aquela pia
que tão mau odor deitava

Intervalo na Pavana
D. José já bem tocado
depois de ter misturado
champanhe, tinto e vintage
pensava numa “ménage”
ao belo som de um Bolero
com o amigo Zapatero
e a Capitã Ariana
“É relobuda a sacana
que bruto “ménage a trois”
e o je tem patuá
que chegue p’rá Ariana

“Entiendes lo espanholês?
tu bas entrar neste coche
pois que bai haber deboche
e io boi buscar una dama
bamo-nos los três p’rá cama
hacer um bruto ménage
sei que és hombre de courage…
(Pôrra já falo Francês!?…)
coragem, em Português
comprendes ó espanholito
bamos a dar um polbito
com lá dama que ali bês!

( Vai direito à Capitã Ariana)
– Nota:( Isto é mesmo verídico, vejam a foto do PaParazzy que se infiltrou no evento)

capitao.jpg

El-Rei Aníbal I
tinha orelhas de radar
captou tudo no ar
e olhou p’rá sala aflito
havia de ser bonito
se a Capitã Ariana
desse um estalo no sacana
daquele Capitão sendeiro
o tratado p’ró galheiro
ou até a União
“Mas porque é que este cabrão
não bebe Água do Vimeiro?!”

Fez um sinal conhecido
ao gorila junto à mesa
e ordenou-lhe com firmeza
que levasse o Capitão
para o fundo do porão
e desse um duche à mangueira
p’ra curar a bebedeira
ou estava tudo fo….
Problema resolvido
graças ao tino de El-Rei
assim não fôra e não sei
que teria acontecido

Refeito da carraspana
pesaroso, envergonhado
olhos no chão, ressacado
se dirigiu a El-Rei
“Perdão meu Senhor, não sei…”
“Você não vê seu bandalho
o caldinho do ca……
que arranjava se a Ariana
o entendesse, seu sacana
seu D’Artagnan transmontano!…
seu saloio do catano
qu’inda perco a tramontana!…”

“…Tenha tino na corneta
ande, vá buscar a dama
e não para a levar p’rá cama
mas p’ró retrato informal
está na hora do Jornal
estão aí as televisões
e aperte-me esses botões
da braguilha, seu xereta
seu Engenheiro da treta
seu galaró peneirento
que Errol Flynn de S. Bento
nos saiu na Catrineta!”

E os Capitães posaram
a olhar pr’ó passarinho
todos juntos num molhinho
como os nabos no mercado
logo um pergunta espantado
“”Where Are” Zé Zapatero
esse afável cabalhero?…”
ao que outros dispararam
“vimo-lo, não o toparam?…
cavaqueava de pé
ali junto a D. José
se acaso repararam!”

E com olhar assustado
todos borrados de medo
sussurravam em segredo
“Isto aqui cheira-me a ETA
entraram na Catrineta
todos mui bem disfarçados
de faxinas ou criados
levaram o desgraçado
se calhar amordaçado
e ninguém os viu sair
pelas portas ou telhado!”

No meio do alarido
surgiu o gorila-mor
“Qual é a brasa, senhor?”
“A quê?!!! seu Rambo foleiro?!!!
raptaram o Sapateiro
debaixo das tuas ventas!”
“Ó meu vê lá se te aguentas
e se te pões em sentido
não te armes em atrevido
que te arranjo ferida e mossa
entrou naquela carroça
e deve ter adormecido!”

E toda a trupe correu
para o local apontado
e viram o desgraçado
como Deus o pôs no mundo
todo encolhidinho ao fundo
daquele coche real
“Mas que se passa afinal?!!!…
o espanhol enlouqueceu?!!!…
mas que coisa má lhe
p’ra estar todo descascado
neste coche encafuado
mas que mosca lhe mordeu?!”

Vermelho qual pimentão
ao ver tudo olhar p’ra si
desejou que houvesse ali
um buraco que o escondesse
ou então desaparecesse
tal a vergonha sentida
pregara-lhe uma partida
sacana do Capitão
D. José, esse coirão
portuguesito danado
e agora estava entalado
p’ra explicar a razão

Mais uma vez a terreiro
qual anjinho salvador
surgia nosso Senhor
El-Rei Aníbal I
“…Explicar-vos-ei por inteiro
o que é que aqui se passou
pois bem informado estou
pelo meu bom camareiro
que é do SIS e conselheiro
mui melhor que o James Bond
me confidencia onde
a bronca se dá primeiro

Pois aquilo que mirais
pode parecer surreal
não é sempre que afinal
se descobre um gajo nú
da cabeça até ao cú
encolhido num cantinho
de um coche bem velhinho
de mil oitocentos e tais
e claro, desejais
saber por fim a razão
se o homem está doido ou não
ou então se há algo mais

Pois de doido não tem nada
está tão são como o Noé
que assim da mão p’ró pé
fez um barco em doca sêca
velho, jarreta e careca
a quilómetros do mar
e o pagode a gozar
até que uma trovoada
fez chover de uma assentada
quarenta dias seguidos
e os tolos engolidos
p’la água em enxurrada!…”

“…D. Aníbal, náo entendo…”
“…Todo este mistério tem
explicação, ora bem
e ela chama-se APOSTA!…”
“APOSTA?!!!”
“…Isso mesmo, olaré!…
entre o senhor D. José
e o Zapatero, estais vendo?…
o primeiro foi dizendo
“…mas ó meu queres apostar
que eu consigo aprovar
o tratado sem referendo?

Pergunta o espanhol espantado:
“Mas se a Rosa prometeu
ao povo que a elegeu
que um referendo ia haver
como é que tu vais fazer
camarada Capitão
p’ra que o cunho de aldrabão
não seja aos ventos bradado?!”
“Podes ficar descansado
que algo vou engendrar
mas queres ou não apostar?…”
“APOSTO, está combinado!”

Mas quando viu D. José
chegar-se a mim e dizer:
“Referendo não vai haver
vou informar a ralé”
o espanhol pôs-se de pé
disposto a pagar a’posta
cú e tomates à mostra
tinha perdido, não é?
e se perdeu… olaré!…
perde, paga o apostado
tal como foi combinado
homem de honra o nobre Zé!”

D. José atrás de El-Rei
ouvia e raciocinava
“Por esta é que eu não esperava
ai que este Rei de um cabrão
tem cá uma imaginação
mas que história ele inventou
e com ela me safou
dum sarilho que eu nem sei!…
…nem o Simão ou o Derlei
fintam com tanta perícia
mente que é uma delícia
mas O.K., já me safei!”

Foi a honra do espanhol
em palmas reconhecida
e a aposta atrevidap

or todos mui  comentada
cá fora sem saber nada
estava gente aos batalhões
rádios, jornais, televisões
com a cabecinha ao sol
viam que chegava o Escol
os comandantes da tropa
das Naus dessa nova Europa
a passo de caracol

“Ouça lá ó seu banana
viu que milonga cantei
e que com ela eu safei
o seu coirão desgraçado?”
“Senhor meu Rei, estou banzado
por isso lhe vou dizer
não me consigo esquecer
daquela bela Ariana
mais tardar uma semana
vai comigo p’ró borralho
que eu sou teimoso, car….
com bolero ou com pavana!

Lá Vem a Nau Catrineta

logotipo-da-nau.jpg

Abril de 2007

* Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar…

* De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

* Da gávea até ao porão
desde a vante até à ré
o nome de D. José
o famoso Capitão
roçava a lama do chão
pela boca do zé-povinho
sempre pronto p’ró “caldinho”
por uma qualquer razão
dava o cú e um tostão
para arranjar “fofocada”
na taverna ou na parada
arte em que era campeão

* Do vigia ao artilheiro
do grumete ao calafate
do faxina ao alfaiate
do ratinho ao despenseiro
cada qual o mais lampeiro
vomitava opinião
-“… Qual curso de Capitão
nem de sargento lateiro!…”
– vociferava o ferreiro
de malho em riste na mão-.
“… ele é tanto Capitão
como eu Juíz Conselheiro!…”

* “…Na nobre arte da marreta
também sou licenciado
e não ando aí armado
em oficial da treta
enfiado na fardeta
a ostentar os galões
no meio de outros cagões
mestrados na converseta
com formação na palheta
doutos no blá…blá…
que é o que temos por cá
a bordo da Catrineta!”

* Sobre um barril de bagaço
tendo à roda os seus tenentes
estava o alferes Marques Mentes
com um sorriso madraço
conspirava a cada passo
mordido pela inveja
tinha mestria sobeja
na arte d’armar o laço
roído pelo fracasso
deitava mão à tramóia
cego pela pananóia
de ser Capitão do Paço

* “…Desta vez é que está feito
num belo molho de bróculos
posso ver mesmo sem óculos
que o plano fez efeito
o Capitão vai direito
ao fundo, como um tijolo
esta jogada deu golo
fiz um remate a preceito
está o moribundo no leito
ouço o estretor da’gonia
falhámos com a Casa Pia?
desta acertámos direito!”

* “…O nó que acabais de dar
foi supimpa, meu senhor
mas explique-nos, por favor
como vamos descalçar
a bota, se alguém bufar
por despeito ou por “vendetta”
que o que há mais na Catrineta
é quem se faça passar
e se ande a pavonear
com o grau de oficial
quando a verdade afinal
é nem ser cabo de mar…

* Isto entre a nossa gente
como vós mui bem sabeis!…”
” Ahhh!… não vos preocupeis
meu camarada tenente
logo, logo num repente
outra “sopa” hei-de arranjar
sou perito a preparar
assaz de forma diferente
uns venenos, qual serpente
que tentou Eva e Adão
chegarei a Capitão
nem que ao galo cresça um dente

Lá Vem a Nau Catrineta

  logotipo-da-nau.jpg

“Lá Vem a Nau Catrineta” nº 59
Julho de  2006

O Regresso dos heróis

Lá Vem a Nau Catrineta

que tem muito que contar

esta Nau, diz o poeta

El-Rei a mandou armar

e de Rosa a fez zarpar

para uma nova demanda

é D. José quem comanda

a barquinha em alto-mar

da odisseia sem par

dos loucos navegadores

ouvi agora senhores

outra história de pasmar

 

Nove de Julho, meio-dia

deste Ano Santo da Graça

a marujada vadia

que se péla p’la festaça

depois do feijão com massa

debaixo da entremeada

-a ração dada à cambada

p’rá’companhar a copaça

daquela zurrapa baça

a que alguns chamavam vinho-

pôs-se de pé a caminho

de estibordo da barcaça

 

“Já se topa o escaler

ó camarada vigia?”

“Ainda não o estou ver

acaso já é meio-dia?”

“Há que tempos ó Faria

o escaler está atrasado…”

“Tem lá calminha ó Calado

e também tu ó Maria

já o meu avô dizia

que as cachorras apressadas

ao parir suas ninhadas

dão cães cegos à porfia”

 

Ora a seguir à tirada

do vigia de serviço

a Maria, alvoraçada

arranjou tal reboliço

que se não fosse o castiço

do Tinoca da mesena

ficava na história a cena

podem estar cientes disso

o seu berro evitou isso

“Já os vejo no horizonte!…”

atina aí tu na ponte

com o arco em fumo, ó chouriço!”

 

Foi assim que a barcarola

com os heróis da nossa gente

nossos jogadores de bola

lá atracou finalmente

com sorriso resplandecente

entravam na Catrineta

o Ricardo e o Pauleta

com o Felipão à frente

que coisa mais comovente

a populaça cantava

“Heróis do Mar…” – e chorava-

nobre povo, nação Valente…”

 

D. José que estoicamente

a tudo isto assistia

duvidava francamente

se entender conseguiria

o que uma bola fazia

transformar, de que maneira!

a alma da Nau inteira

que em chama brutal ardia

“Nem mesmo a virgem Maria

faria frente à selecção

em fé, alma e coração

podem crer, nem à razão

de dez milagres por dia!”

 

Com o Capitão cogitando

no que acima foi narrado

vai daí, eis senão quando

um episódio danado

deixou tudo tão espantado

que até o gato Tobias

que não comia há dois dias

parou e ficou especado

de um baú embarcado

com roupas da selecção

saiu de dentro um anão

mui patusco e engraçado

 

“Marques Mendes?!!!! que diabo?!!!…

vós aí?!!!…mas que raio?!…

essa agora, estou banzado!!!…

explicai-vos seu….catraio!!!”

“Ia-me dando um desmaio

g’anda nóia Capitão

eu cá pela selecção

nem que dê o badagaio

sou como as burras em Maio

fico doido e não resisto

choro mais que o próprio Cristo

choro até mais que o Sampaio”!

 

“E chorei meu Capitão

e vibrei com a alegria

aqueles penaltys então

poderei esquecer algum dia?…

só sei que todo eu tremia

no meio daqueles malteses

aqueles gigantes ingleses

com um metro e oitenta e tal

eu gritava:”Portugal”

e o Ricardo por três vezes

desfeitiou os fregueses…

de forma monumental

 

“Ah! então era você

o tal tipo… estou a ver

que o Ricardo na TV…

já estou a perceber…!”

“Era eu, todo a tremer

com a bandeirinha na mão

mas com fé no coração

não sei se está a entender

mas há mais, se quer saber

ele olhava para mim

e adivinhava assim

p’ra que lado defender

 

“Mas vós?!…” Ora bem, meu Capitão

eu queria ir ao Mundial

apoiar a selecção

do meu querido Portugal

como sabeis, por sinal

que sou muito poupadinho

não gastei nem um eurinho

e vi tudo na central

só me bastou afinal

esconder-me bem no baú

encolher barriga e cú

e estar calado, que tal?