• O Autor

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  • Dragoscópio

    ...Quando eu digo Deus não é forçoso que eu signifique um Deus confinado a determinado ritual religioso; de facto, posso apenas dizer aquilo que, de certa forma, o conceito de Deus simboliza e consagra, ou seja, determinados princípios e fins - uma causa primeira e uma causa final. Quer dizer, a minha acção deve reger-se por princípios e fins; não quedar apenas refém, enclausurada e cativa dos meios. Pois, conforme estipula a matriz da nossa própria civilização, a acção humana não é um mero exercício de meios; como não é um mero exercício de fins. Nesse caso, nesse exercício desligado e cacofónico dos meios ou dos fins cair-se-á fatalmente no desequilíbrio, na desarmonia caótica. Porque, assim sendo, ou os fins justificarão os meios ou os meios determinarão os fins. Perdidos os princípios, tudo se torna, então, possível. O cosmos deixa de estar sujeito a uma necessidade –isto é, uma ordenação primordial, eterna e transcendente (e transcendente não é nenhum palavrão feio, apenas significa não estar sujeito a caprichos, acidentes e acasos do tempo) – e passa a estar ao pleno dispor da sorte e do acaso. E de quem lá impera. Desce-se, assim, do reinado do sentido, do simbólico, para a tirania do aleatório, mascarada, no melhor dos casos, duma democracia de alienados. Note-se, a esse respeito, como o nosso tempo manifesta uma hostilidade e um desprezo ostensivo pelo “primórdio” e, em contrapartida, celebra o “media” e a “finança” – decantações, respectivas, quer do “meio”, quer do “fim”. Por outro lado, esta ordenação hierárquica das coisas fundada na criação (e entenda-se aqui “criação” não no seu significado apenas religioso, mas também artístico, não sòmente demiúrgico mas também poético – ou seja, não apenas bíblico, mas sobretudo helénico) é deveras interessante e terrível. Senão, reparemos: se aceitarmos a sua lógica teremos qualquer coisa como "o criado ou criatura deve servir o criador. Assim, devemos servir a Deus, tal qual o dinheiro nos deve servir a nós." Em contrapartida, se nos rebelarmos contra essa ordem, se entendermos que (por exemplo, porque não somos criados, porque somos meras moléculas sem qualquer vínculo ao sagrado) não devemos servir a Deus, pode, à primeira vista, parecer muito libertário, catita e altamente moderno, mas depois tem um reverso sinistro que nos atira, de escantilhão, para abaixo dos pré-históricos canibais: é que, na mesma medida, o dinheiro e tudo aquilo que nós criámos deixa de estar na obrigação de nos servir a nós. Tornamo-nos então, nós próprios, servos dos nossos criados, criados dos nossos produtos, prole e plasma dum qualquer Estado burocrático. Preciso de vos apontar a realidade actual à vossa volta? Porque nos rebelámos contra o superior, tornámo-nos escravos do inferior; porque enterrámos as asas do espírito, rastejamos agora no pântano da matéria; porque desertámos do princípio, estamos agora confinados à finança. Partimos e pulverizámos em míseros caquinhos todo o imenso templo da Crença em Deus, doravante nanificada em milhares de minicrenças: crença na casa, crença no carro, crença no sucesso, crença no progesso, crença na ciência, crença no jornal, crença na televisão, crença no pastor, crença no doutor, crença na turba, crença no número, crença no trabalho, crença no umbigo, crença no dinheiro - somos agora miriápodes ouriçados não já em patas mas em crenças, com as quais amarinhamos por tudo, empeçonhando a esmo, e tudo isso embrulhado no tal saco da super-crença na Finança Toda Poderosa, gestora do Céu e do Inferno na Terra. Em boa verdade, à crença deixámos de tê-la para passar a sê-la. De sujeito degradámo-nos a objectos; de protagonistas, passámos a acessórios; de portadores, a transportes; de proprietários, a possessos. O produto tornou-se mais valioso que o produtor. Descartado o Sagrado, a natureza tornou-se descartável para o homem e o homem, por sua vez, tornou-se descartável para a sua própria máquina industrial tecno-eficiente. O conjunto evolutivo lembra, cada vez mais, um foguetão cósmico que vai consumindo e largando andares à medida que se afasta e embrenha direito a sabe-se lá onde. Certo é que quanto mais aumenta a nossa descrença no Sagrado, quanto mais ao descrédito o votamos, ou seja, quanto menos importância lhe damos, mais aumenta a importância que damos a bugigangas e próteses existenciais que fabricamos, e, inerentemente, mais se agiganta a crença que para elas transferimos. No fundo, tanto quanto uma perversão na hierarquia de valores, é uma inversão que se instaura e, gradualmente, nos vai absorvendo: o novo sobrepõe-se ao original, o produto ao produtor, o medíocre ao sublime. De espaço de cultura, o mundo converte-se assim em mero palco da profanação. Desligado do cosmos, oscila, perigosa e maquinalmente, entre a incubadora artificial e o matadouro industrial.
    in Dragoscópio. A par do Jumento, a léguas os dois melhores blogues portugueses.
  • Obrigações Diárias

No Solar da Rosa

tasca1

Apresentador: Muito boa noite meus senhores e minhas senhoras. Sejam muito bem vindos a mais uma sessão fadista aqui na humilde tasquinha da rosa ao Rato. Esta noite o programa promete. Como puderam vez no cartaz publicitário, temos um terceto de fadistas de estalo…


Um da plateia: Epá, se é p’ró estalo vou já começar a arregaçar as mangas!


Apresentador:… Ó meu amigo, por favor…


O mesmo… Amigo? mas tu conheces-me de algum lado ó meu talibã de Gaza?…


Outro: Epá, deixa lá o homem que ele já está à rasca, eheheh!

Risada geral na plateia

Apresentador: … Como eu ia dizendo…


Outro: Então diz ó morcão!


Outro ainda: Epá, se não deixam o otário falar, esta merda nunca mais começa.


Plateia aos berros batendo palmas a compasso: Fala, fala, fala…


Apresentador: Pois bem, então temos cá hoje as seguintes personalidades fadistas: Pedro Santana, Monhé da Costa e, para fechar o concerto o nosso estimado gerente Zé Engenheiro. Como sempre, à guitarra o avô Palmeida Santos, à viola o Jerónimo metalúrgico, no baixo a sempre sexy Anã Droga e no contra – baixo o reformado minorca Mendes.

Depois do anúncio das candidaturas à Câmara dos Fadistas da Capital por parte Pedro Santana e do Monhé da Costa, ei-los que se desafiam mutuamente hoje e aqui, onde se vão degladiar à desgarrada. Uma salva de palmas para os dois beligerantes.

Público aplaude, apagam-se as luzes, acendem-se as velas, crepitam os chouriços na canoa, entram os fadistas, gemem as guitarras.

Santana: Boa noite meus senhores

vou entrar cheio de fé

e com mais ou menos flores }

eu vou ganhar ao Monhé }bis

Monhé da Costa: Vai beber água das ratas

ó meu reles fraldisqueiro

tu vais ganhar o que as gatas

ganham no mês de Janeiro

Plateia; Boa, boa, à garganta linda!

Santana: Vais levar uma tareia

meu chico escuro indiano

esclarece a plateia

se és monhé ou cigano

Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! tás com a corda toda ó Santana. Á boca doce!

Monhé da Costa: Eu fui parido em Lisboa

a capital da nação

o meu pai era de Goa

minha mãe do Algueirão

Santana: Cá p´ra mim tás a inventar

como todos os canalhas

e eu vou-te barbear

que os meus dentes são navalhas

Monhé da Costa: Olha vê lá se te espalhas

meu valente gabirú

se os teus dentes são navalhas

faz-me aqui a barba ao cú

Plateia; Ah,ah,ah,ah,ah! Já chega, ganhou o monhé, ganhou o monhé!

Monhé da Costa e Santana pegam-se à chapada e saem disparados pela esquerda alta.

Plateia: Bravo, Bravo! isto é que é um espectáculo à portuguesa como deve ser.

Entra em cena o apresentador

Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, peço desculpa em nome da gerência pelo espectáculo degradante a que acabámos de assistir…

Plateia: Degradante?!… qual degradante qual carapuça, um espectáculo puramente lusitano! Isto sim, vale a pena pagar bilhete de camarote, eheheheheh!

Apresentador: Bem… então se gostaram… E agora, para fechar a sessão, chamo ao palco o nosso ilustre gerente-mor da tasquinha rosa do Rato, o grande, o sensacional, o maior…

Uma voz da plateia: Epá chega de pomada que amanhã és aumentado pela certa, anda lá com essa merda!

Apresentador: … ora como dizia, o grande, o sensacional,…

Voa um par de sapatos da plateia diteito ao apresentador

Uma voz: Ó meu, tem lá calma que o esticadinho da Silva não é o presidente da América, eheheheheh!

Apresentador: … meus senhores e minhas senhoras… Zé engenheiro!

Plateia: UUUUUUUhhhhhhhhhhh!!! Vai-te embora ó rouxinol da bicada!… Cangalheiro!…

Zé Engenheiro: Obrigado, obrigado. Com letra da minha autoria e música do Fausto, vou cantar: O TGV vai de saída.

Gemem outra vez as guitarras

Zé Engenheiro: O TGV vai de saída

adeus Santa Apolónia

se agora vou de partida

levo-te comigo ó cana-velha ( a cana-velha é a Nélinha das laranjas)

levo-te comigo meu estupor

anda comigo nesta aventura

p’ra lá da loucura

p’ra lá do Equador…

Em da plateia: Alto e pára a guitarra!… Do Equador?!… mas o TGV vai até à América Latina?!

Outro: Não meu, isso é só p’ra rimar e ser fiel à música do Fausto!

O primeiro: À bom!… tava a ver…

Zé Engenheiro: Posso continuar ou não?

( Antes que pudessem responder irrompe p’la sala Dona Nélinha, presidente da tasca da laranjinha)

Dona Nélinha: Não pode continuar nada seu marmelo mal cheiroso. Que ousadia é essa de me enfiar na merda do seu faduncho carunchoso?

Zé Engenheiro: Perdão mas…

Um da plateia: Estás feito ó Engenheiro, agora aguenta-te com a velhinha, ahahahahah!

Dona Nélinha: Velhinha é a sua mãe, seu perdigueiro sarnento!…

Plateia: Boa, velhota! dá-lhe com a bengala!

Dona Nélinha: Eu não uso bengala, mas juro que que lhe dou com esta mala de marroquim no cocuruto!…

Plateia: Dá-lhe, dá-lhe bruxa do Salem da Lapa!

( Dona Nélinha perde as estribeiras com a súcia de gente reles que a acirra e atira com a mala de marroquim nas fuças do provocador. Zé Engenheiro vendo que se está a armar rebuliço dá à sola pela direita baixa, não sem antes levar com um chouriço meio assado na nuca. É o pandemónio geral com mesas, cadeiras, canoas de assar chouriço, garrafas de tinto carrascão etc, a voar pelos quatro cantos da sala.

Entra a polícia de choque a distribuir farturas de cassetete e vai tudo em cana.

Escondidos atrás das bambolinas os músicos e o apresentador comentam)

D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei!…

Anã Droga: Está a ver avô Jerónimo, já está convencido? Veja aí se a bófia já basou que eu preciso de enrolar um porro p’ra desanuviar.

Apresentador: Peço desculpa mas aqui não se pode fumar, é um espaço fechado, se quer queimar a broca vá p’rá varanda.

Anã Droga: Epá, deixa-te de merdas parolas, poluem mais o ambiente as bufas mal-cheirosas que largas por aí que o fumo da minha broca, qualquer dia estes puritanos da treta ainda se lembram de proibir os W.C. dentro de casa por causa da poluição atmosférica e passamos todos a cagar na varanda que é um gôzo, eheheheheh!

D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas…

Anã Droga: Ó avô Jerónimo, mas avisou o quê?!

D. Jerónimo: Eu cá sempre avisei, eu e os meus camaradas, que esta coisa do TGV ia dar merda e da grossa, avisei ou não avisei? Eh,eh,eh,eh,eh!

FIM

No Solar da Rosa

Apresentador: Ora então uma muito boa noite a todos os presentes, sejam todos muito bem vindos a mais uma sessão fadista nesta tão afamada casa. E sem mais demoras, passo a apresentar o nosso mui amado gerente-mór, o magnânimo, o magnífico, o sem par… Zé Engenheiro!
Um do Público: Epá és mesmo um lambe-botas do caraças ó esticadinho da Silva. Estás a ver se o Engenheiro das pias te promove?
Todos: Ah,ah,ah,ah!
Outro: Começa mas é o espectáculo que a pomada está esgotada!

( Entra o gerente-mór)

Zé Engenheiro: Então, então meus amigos?…
Um do Público: Apaga mas é o cigarrinho que já bem bastou a barraca que deste no avião.
Todos: Ah,ah,ah,ah!
Outro: O homem estava nervoso por ir dar de caras com o Índio da Venezuela pá!
Outro: Mas tu não disseste que ias deixar de fumar?
Zé Engenheiro: Bem… lá dizer disse, só que não disse quando, eh,eh,eh!
Outro: Já me lixaste!… Esquecime que estava a falar com o gajo que promete tudo e depois manda as promessas às malvas.
Todos: Ah,ah,ah,ah,ah!
Zé Engenheiro: Bem, vamos lá então à música que se faz tarde.
Outro: Música?!… Mas então a música não começou desde que foste eleito?
Todos: Ah,ah,ah,ah,ah!
Zé Engenheiro: Bem… Meus senhores e minhas senhoras, tal como o cartaz anuncia, esta noite trago aqui três afamados fadistas da nossa praça, todos três com vontade de me comer o lugar. E para que não digam que eu não sou leal, tenho tomates suficientes para os trazer aqui. Meus senhores e minhas senhoras, respeitável público, na minha e na vossa presença esta noite, Nélinha Ferreira, essa avózinha austera que a idade não derrota a voz, o chavalito bem falante e liberal Pedro Coelhinho e finalmente a chamada corujinha feia da laranja, o outro Pedrinho, o Santanás. Uma grande salva de palmas para este trio que vem aqui, através do canto, tentar convencer a populaça.

( Entra o trio )

Um do público: Olhem bem para este trio de senas tristes eh,eh,eh!… Mas isto convence alguém?
Outro: Epá à primeira vista não, mas deixa-os lá cantar que a malta quer ouvir.
Zé Engenheiro: Pois claro, vamos lá deixá-los cantar e julgá-los depois. Senhor apresentador, passo-lhe as batatas… quero dizer, passo-lhe a palavra.
Apresentador: Vamos então começar. Fizemos um sorteio nos camarins para colocar ordem nas entradas, assim, primeiro irá cantar o chavalito, depois o Santanás e finalmente a Nélinha. Como sempre, teremos o acompanhamento à guitarra pelo honorável avô Palmeida Santos, à viola o quase avô Jerónimo Comuna e no baixo a Anã Droga. Como sabem o outro baixo, o Minorca Mendes, já enfiou a viola no saco e reformou-se.

( Apagam-se as luzes, trinam os instrumentos e entra o primeiro fadista, o chavalito )

Chavalo Coelhito: Meus senhores e minhas senhoras, eu vou cantar um fado com letra da minha autoria e música do Frei Hermano da Câmara chamado “Ser Ministro foi meu sonho”.

( Palmas da plateia. O chavalito começa a cantar )

Ser Ministro foi meu sonho
era um dever conseguir
Deus traçou-me este fadário
e como não sou otário
comecei a investir

Abandonei o privado
despedi-me do patrão
deixei tudo, já se vê    }
fui p’rá Jota Esse Dê    } Bis
e cheguei a Capitão      }

As saudades que não sinto
descrevê-las já não sei
para quê ser do privado
sou um chavalo dotado
e posso chegar a rei

Não chorem, não tenham pena
que a hora está a chegar
À Nelinha e ao Santanás       }
meto-os ao barulho e…zás!   }  Bis
sou eu quem fica a ganhar     }

( Chovem aplausos para o chavalito )

Um: À boca linda!… com a verdade os enganas!
Outro: Epá o puto é esperto!
Outro: Diz as coisitas a brincar…
Outro: Pois pá, mas nunca ouviste dizer que a brincar, a brincar é que o macaquinho foi à ….**@@##!
Todos: Eh,eh,eh,eh,eh!
Apresentador: E agora o segundo fadista, O Pedrinho Santanás, uma grande salva de palmas para ele.

( Plateia aplaude. Mais uma vez baixa a luz, os instrumentos gemem etc…  Entra o fadista )

Pedrinho Santanás: Uma boa noite a todos. Eu cá vou cantar um fado com letra do Alberto da Madeira e música da minha nova amante e chama-se ” A Nélinha dos Limões… Ai perdão, a Nélinha dos Barões”.

( Começa o canto )

Quando ela passa, aquela velha carcaça
há sempre um ar de chalaça no seu olhar atrevido
Lá vai janota, cada dia mais velhota
no seu vestir bem se nota quem vai dentro do vestido
Passa ligeira, arrogante e altaneira
a sorrir p’rá rua inteira, semeando desacatos
Quando ela passa, dar bem p´ra ver a desgraça
e até lhe chamam por graça a Nélinha dos Barões

Quando ela passa, junto da minha janela
meus olhos vão atrás dela, vai haver fogo na Lapa
a Baronesa, aquela velha jarreta
no braço a malinha preta aos ombros a fina capa

Quando ela passa, bendizendo os seus barões
A sós, com os meus botões, no vão desta janelinha
Fico pensando, que qualquer dia por graça
paço namoro à velhinha
e depois caso com ela
Plateia: Á fadista!!!
Um: És mesmo um engatatão do caraças ó meu!… Não me admirava nada que isso fosse mesmo assim!

( Santanás sai de cena agradecendo os aplausos. Reentra o apresentador )

Apresentador: E depois deste belo faduncho de engate e mal-dizer, eh,eh,eh!, apresento-vos o último convidado, aliás uma convidada. Meus senhores e minhas senhoras, com direito a resposta Nélinha Ferreira!
Um: Dá-lhe aí ó Vóvó Donalda! Mostra a esse pato maluco que o comes com manteiga eh,eh,eh,eh,eh!
Todos: Yesssss!!!!
Outro: Dá-lhe com o cabo da colher de pau ó padeira de Aljubarrota, que esse ganso já vai ver como elas lhe mordem!
Nélinha Ferreira: Não respondo a provocações folclóricas e ou pornográficas. Sou uma senhora muito “in” e não me costumo meter com gabirús deste calibre. Meus senhores e minhas senhoras, com letra do Barão de Cascais e música da baronesa de Bilre, vou cantar o fado intitulado “Ó tempo volta p’ra trás”

( baixam as luzes…etc… Entra a Nélinha. )

O de Gaia foi-se embora
o P.S.D. parou
o Santanás foi com ele
e tudo recomeçou
Foram-se embora estes patos  }bis
e eu fiquei mais descansada
mas neste saco de gatos  }bis
desatou tudo à mocada

Ó tempo, volta p’ra trás
trás de volta o Zé Manel
que só ele era capaz
de meter fim ao granel
Ó tempo, volta p’ra trás
não deixes ir o Barroso
porque toda a gente faz }bis
do Partido um grande gôzo }bis

O Sá Carneiro lerpou
e o meu querido Balsemão
p’rá partido se cagou
e foi p’rá televisão
o Cavaco deu à sola
porque já tinha a carola
a matutar com Belém
O Zé Manel foi ao tacho
o partido foi-se abaixo
valha-me Deus, Santa Mãe

Ó tempo, volta p’ra trás
vá lá não te custa nada
do Filipe ao Santanás
põe fim a esta tourada
Ó tempo, volta p’ra trás
e salva lá o partido
olha se não fores capaz }bis
está o país bem fo….! }bis

( Público aplaude entusisticamente. Nélinha agradece )

Um: Á velhota do caneco, nem a Margarete de Sua Majestade! Já ganhaste o partido minha bruxinha do caraças!
Todos: Já ganhou, já ganhou!…

( ao ouvir isto Santanás reentra em cena)

Pedrinho Santanás: Ganhou o quê?…Hã?!… ganhou mas foi o tanas!… Eu é que vou ganhar!
Um: Tu vais é ganhar um balde de merda, meu engatatão da Lapa!

( Voa uma garrafa de Porca de Murça e um chouriço alentejano direito ao palco a acertam com toda a força na moleirinha do Santanás que cai instantaneamente. Gera-se a confusão total com partidários da velhota e partidários dos outros dois e desata tudo à lambada. Entra a polícia de intervenção, chamada pela gerência, e vai tudo em cana )

Zé Engenheiro: ( Depois da casa “limpa” segreda ao avô Palmeida ) Está a ver ó avôzinho, eu não dizia que era uma ideia muito boa trazer cá este trio?
Avô Palmeida: Você é um génio Zé Engenheiro, você é um génio.

 
 
 
  

Sócrates

ze.jpg

Abril de 2007

Apresentador: Ora então muito boa noite a todos, senhoras e senhores, respeitável público. Sejam muito bem vindos a mais uma gloriosa sessão fadista aqui no Solar da Rosa. Esta noite, temos como sabem um artista convidado muito especial, nada mais nada menos que o gerente-mór desta casa, o magnânimo Engenheiro José Fócraste…
Um do público: Mag… quê meu?!…
Apresentador: Eu disse MAGNÂNIMO…
Outro: Ora até que enfim que alguém põe os pontos nos iiisss, então o homem é Engenheiro Magnânimo e não Engenheiro Civil!…
Outro ainda: Mas ca’ ganda confusão!… mas que tipo de engenharia é essa?… Então o homem não é engenheiro sanitário ou lá o que é?!
Outro: Mas o gajo é engenheiro ou não é?… já não percebo nada desta treta, uns dizem que sim, outros dizem que o tipo é tão engenheiro como eu sou alfaiate…
Apresentador: Meus senhores, por favor…
Outro: Epá, e se vocês deixassem o esticadinho da silva do apresentador explicar como deve ser?
Outro: Faça o favor de explicar ó senhor Engenheiro apresentador!…
Apresentador: Perdão, eh,eh,eh!… eu não sou Engenheiro…
Outro: Passas a ser ó meu, assim como assim… tanto faz, neste país de merdolas tudo é doutor e engenheiro, portanto…

( Risada geral)

Apresentador: (para sossegar a plateia) Eh, eh,eh! se assim o desejam… seja!…
Outro: Então vá lá pá…
Todos: SENHOR ENGENHEIRO, SE FAZ FAVOR! Eh,eh,eh,eh!
O Mesmo: Ai… pois, senhor Engenheiro, eh,eh,eh,eh!
Apresentador: Bem, pronto… já chega, vou então apresentar o artista desta noite. Senhores e Senhoras, respeitável público desta casa, na minha e na vossa presença o inigualável José Fócrastes!…

(Palmas da plateia. Entra o artista e o grupo de músicos)

… Como sempre, teremos à guitarra o Avô Palmeida Santos, à viola o Tio Jerónimo, no baixo o Minorca Mendes e no baixo ainda mais baixo a Anã Droga.

Artista Fócrates: Muito obrigado a todos, senhores e senhoras. Com letra da minha autoria e música do fado do Zé Cacilheiro – todos vocês a conhecem- vou então interpretar o fado intitulado: ZÉ ENGENHEIRO.

(Soam os acordes e o artista “arranca

Quando eu era rapazote

puto muito espigadote

bonito, meigo e gentil

por ter a alcunha do trôlha

não hesitei, fiz a escolha

p’la Engenharia Civil

Na Covilhã dei entrada

catrapus, de uma penada

consegui ser bacharel

faltando a licenciatura

decidi na mesma altura

ir fazê-la p’ró ISEL

……..Refrão……..

Andava todo esfalfado

era o P.S. de um lado

e o curso d’outro afinal

sem suportar o balanço

do ISEL dei ao cavanço

por não ter pós-laboral

Certo Domingo à tardinha

ao tirar uma sestinha

sonhei que era um sortudo

qual milagre do Senhor

vi que os braços do Reitor

me estendiam o canudo

Sou Engenheiro

o canudo é verdadeiro

palavrinha de Primeiro

eu mostro-o a toda a gente

o ISEL não tinha pós-laboral, sorte a minha…ai!!! } Refrão
mas num Domingo à tardinha

saquei-a na Independente

Um do público: Ai o bicho!!! mas ca’ganda lata!!! Ainda por cima confessa…

Outro:Epá, deixa lá pá, como disse há bocado, assim como assim… nesta merda de país é só doutores e engenheiros… mais um da tanga tem alguma importância? Deixa lá o homem passear a cagança que tem tanto direito como os outros. (Vira-se para o artista) Ó engenheiro sanitário ou magnânimo ou lá o que és e o que queres ser, anda aqui para a minha mesa beber uns copos que ninguém te tira o título pá. …
( o artista hesita e olha desconfiado para os músicos sem saber bem que fazer)

… E os engenheiros , ou doutores guitarristas podem vir também. Eu cá sou o Lacerda, filho da dona Pulquéria, condessa dos Olivais, eh,eh,eh!… “bute aí pá”!

( Decidem ir todos, artista e guitarristas comer “à pala” na mesa do Lacerda. O Apresentador, mudo de espanto desabafa com os seus botões):

Apresentador: Pôrra pá!… desde que abri esta espelunca nunca houve noite que não acabasse à chapada; Querem lá ver que esta merda dos títulos de doutor e engenheiro até tem as suas vantagens?

No Solar da Rosa

 novosolar.jpg

Março de 2006

Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, respeitável público, a todos muito boa noite. Bem vindos ao “Solar da Rosa”, este mediático espaço taverno-cultural…
Um do Público: Ouve lá pá, mas esta merda é algum ritual litúrgico?…Pôrra!… Vê lá se inovas ó meu!… Deixa lá os cházinhos de circunstância e passa à acção!
Outro: Yes, é isso mesmo, cala-te lá o meu paralelipípedo rectângulo, tu e os teus discursos geométricos…
Ainda Outro: Paralelipípedo, eh,eh,eh,eh! com tanto afago no cimo do discurso ainda vira mas é pirâmide!
Plateia: Eh,eh,eh,eh,eh,eh!
Vai-te embora ó iaque dos Himalaias!
Apresentador: Meus senhores por favor! Eu só estou a fazer o meu trabalho…

 (Perante a gravidade da situação, na eminência de rebentar um serrabulho à moda antiga, Bábá Guimarães, que se encontrava nos bastidores a seguir a cena, decide tentar acalmar os ânimos entrando em palco)

 Bábá: Calma por favor!…
Plateia: Ahauuuu!!!!
Bábá: Ó meus amigos, então? Haja civismo!… Porquê tanta agressividade contra um homem honesto que só está a exercer o seu trabalho?…
Um do Público: Ó beldade do Estoril, mas não vês que o gajo é uma melga, sempre com aquela ladaínha monocórdica de igreja? a malta passa-se pá!
Outro: Bem… se fosses tu, eh,eh,eh!…
Ainda Outro: Podia ficar aí o resto da noite que a malta não se chateava nada, eh,eh,eh!
Plateia: FICA! FICA! FICA!
Bábá: Muito obrigada pelo elogio mas quero pedir-vos um favor, posso?
Plateia: PODES!
Bábá: Agradecida. Deixem lá o senhor acabar o trabalho dele sem o interromperem ou insultarem, está bem? Prometem?
Plateia: ESTÁ! PROMETEMOS!
Um do Público: E nós podemos pedir-te uma coisa a troco?
Bábá: Depende, o que é?
O Mesmo: Mostra aí à malta a etiqueta da tua langerie interior, eh,eh,eh!
Plateia: YES! MOSTRA, MOSTRA, MOSTRA!…
Bábá: Se se portarem bem prometo que vou pensar nisso.
Plateia: PROMETEMOS!!!
Bábá: Então vou pensar. Até lá deixem correr normalmente o espectáculo sem arranjarem confusões.
Plateia: DEIXAMOS!!!

 (Sai a Bábá debaixo de uma salva de palmas enorme, bocas, galanteios e assobios de bicho-homem. Volta a entrar o apresentador)

 Apresentador: Os meus agradecimentos à Bábá e à vossa “compreensão”. “The show must gon”; passo a apresentar o primeiro artista da noite. Para gáudio desta maravilhosa plateia, senhores e senhoras, na minha e na vossa presença: Jorge Sampaio!

 Jorge Sampaio: Muito obrigado a todos pá, pela vossa gentileza pá, estou até muito comovido pá…
Um do Público: Não vais começar a chorar pois não pá?
Jorge Sampaio: Já estou a lacrimejar…
Outro: Epá, não chore aqui. Tome lá um lencinho para se assoar e limpar o cloreto de sódio.
Jorge Sampaio: Obrigado pá, é a comoção pá, eu sou um tipo muito sensível pá…
Plateia: NÓS SABEMOS!
Jorge Sampaio: Ai sabem?!…
O do Lenço: Sabemos, mas dá cá o lencinho e não te faças esquecido.
Outro:
Estes artistas são todos iguais, distraímo-nos e metem o que é nosso ao bolso, eh,eh,eh!
Jorge Sampaio: Bem… então vou cantar hoje pá um fado especial que encomendei a quem percebe da poda pá, de modo a marcar o meu adeus aos palcos pá. Consultei o Zecatelhado pá e o gajo pá disse-me pá que era giro pá, misturar dois temas que foram sucesso pá, o “dez anos” do Paulo de Carvalho pá, e o “tenho uma lágrima” do Bonga pá. Como ambos se prestam ao ritmo fadista pá, eu gostei pá, experimentei pá, e gostei pá. Com o acompanhamento do pessoal da casa pá, à guitarra o Avô *Palmeida, à viola o Tio Jerónimo, no baixo o Minorca Mendes e no baixo mais que baixo a Anã Droga pá, cá vai pá.

 (gemem os instrumentos e Sampaio abre)

 Dez anos, é muito tempo
muitos dias e horas a bocejar
dez anos, é muito tempo
vou-me embora porque estou quase a chorar

 Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

 Distribuí medalhas a rod
comendas, serviços distintos até mais não
mas o que eu queria era dar uma a todos
mas o nabo do medalheiro não dava vazão

 Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

 Dez anos, é muito tempo
muitos dias e horas sem fazer nada
dez anos, é muito tempo
o Cavaco que aguente a xaropada!

 Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

 
Plateia: Bravo! Ah, fadista! Boca linda!…

Jorge Sampaio: Obrigado a todos pá, e até um dia destes pá que até lá pá tenho muito que fazer pá!

 (Sai de cena sob uma enorme ovação e entra a Bábá)

 Bábá: Muito bem, estou muito contente, portaram-se lindamente…
Um do Público: E então a etiqueta?
Bábá: Calma! Agor vamos à segunda parte do espectáculo. À imagem do final do concurso televisivo “A Herança”, vamos nós fazer aqui o nosso. Eu darei as cinco palavras chave e os nossos convidados vão ter que adivinhar. E os nossos convidados são: Pedrinho Santana, Paulinho Portas e o meu rico maridinho Manel Maria….

(Público aplaude a entrada dos concorrentes)

…Ora bem, o Paulinho vai para a direita, o Pedrinho para o centro e o meu Manel para a esquerda. Preparados?
Trio: Preparados!
Bábá: CALOR, SUOR, DOR DE CABEÇA, COMPRIMIDO, MARGARINA VAQUEIRO….
…E o primeiro a entregar a resposta foi o Paulinho. O que é que aqui está escrito?… CATHERINE DENEUVE?! Explique lá porquê.
Paulinho: Então é assim:
Calor: Era o que eu sentia ao enfiar a cabeleira para ir ao Parque.
Suor: Era o que acontecia ao fim de cinco minutos de a ter enfiada.
Dor de Cabeça: Sempre que avistava um carro da bófia nas redondezas.
Comprimido: A única coisa que me fazia passar a dor de cabeça.
Margarina Vaqueiro: Besuntava o elástico da cabeleira com ela porque me evitava a alergia.
Plateia: Ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah!
Bábá: Tudo isso pode ter muita lógica mas não é a resposta certa.
Concorrente seguinte, Pedrinho.
Pedrinho : Sexo!
Bábá: Como?!
Pedrinho :Sexo, minha linda!
Plateia:Uauhhhhhuuuu!!!!!
Bábá: Justifique então.
Pedrinho: O.K. então aí vai:
Calor: É o que sinto quando olho para as tuas pernas.
Suor: É o que acontece quando olho para o teu decote.
Dor de cabeça: Convencer-te a fazer coisas malucas comigo.
Margarina Vaqueiro: Lembras-te do “O Último Tango em Paris”?
Comprimido: Tem que ser porque detesto preservativos.
Plateia: Ah, Tigre, eh,eh,eh,eh,eh!
Bábá: Porco, mal-educado, boçal… ó Manel e tu não dizes nada a este D. Juan do Tirol?
Manel Maria: Ai digo digo minha querida: Ouça lá ó seu parvalhão, fique desde já sabendo que não o vou cumprimentar à saída, ore tome!
Pedrinho: E eu ralado!… Ó meu manjerico, eu não gosto de homens, estou-me lá a borrifar para isso!
Paulinho: Homens?!…alguém falou em gostar de homens?!…
Bábá: Foi o menino Pedrinho.
Paulinho: O Pedrinho?…mas,… ó Pedrinho, tu nunca me tinhas dito nada…
Pedrinho: Cala-te lá ó meu submarino a carvão de pedra…
Paulinho: Sub…EU?!…
Manel Maria: O senhor é um bruto, senhor Pedrinho!…
Pedrinho: Cala-te também ó meu periquito da Papuásia!… E dá Deus nozes a quem não tem dentes, tchhhh!!!!…
Manel Maria: Não tenho dentes?! (abre a boca) Tenho trinta e dois, olhe aqui, dezasseis em cime e dezasseis em baixo, seu, seu… caluniador!
Bábá: ´ÓH!… mas que criatura mais ordinária… Óh!!!! ( desmaia e cai redonda no chão como uma tábua de solho, subindo-lhe o vestido até à cintura na queda)
Plateia: A ETIQUETA! A ETIQUETA!!!!

 (Correm em tropel direitos ao palco para ver de perto a cena. Pedrinho, que estava mais próximo da Bábá, ajoelha junto a ela e tenta reanimá-la com respiração boca a boca. Vendo isto, Manel Maria enfia-lhe o palanque de casquinha pela cabeça abaixo e engalfinham-se os dois. Paulinho foge a gritar por socorro porta-fora. Chega a polícia de choque e arreia à moda antiga em tudo que seja cabelo e mexa. Como sempre, o apresentador e os músicos escondem-se atrás das bambolinas. Entra o INEM e leva a Bábá)

 Apresentador: Já podemos sair, não há ninguém.
Avô Palmeida: Desta vez a culpa não foi do público, que até se estava a portar muito bem desde que a Bábá fez uso do diálogo. Eu sempre disse que o diálogo…
Tio Jerónimo: Está bem avôzinho, a culpa foi dos políticos da direita trauliteira. Eu sempre disse que a direita…
Minorca Mendes: Cale-se lá o Tio Jerónimo e cuspa lá a cassete que estamos na hera dos D.V.D. …
Anã Droga: Desta vez concordo com o Minorca Mendes. Como eu há muito afirmo, a cassete estalinista devia estar é no museu das antiguidades…
Apresentador: Calem-se é vocês todos que já não aguento tanto disparate junto.
Músicos: O.K., O.K., não bata mais que de pancada já bem basta o que bastou.
Anã Droga: Mas afinal… quem é que ganhou?
Apresentador: Ninguém!
Minorca Mendes: Mas então?!…
Apresentador: Então o quê?
Tio Jerónimo: Mas você sabia a resposta?!
Apresentador: Pois claro que sabia, foi a Bábá quem ma segredou antes do espectáculo.
Avô Palmeida: Qual era, qual era?
Apresentador: GRIPE!
Tio Jerónimo: Gripe?!… gripe das aves?
Apresentador: Qual gripe das aves, você é que me parece uma boa ave… e das raras!… GRIPE!
Anã Droga: Pronto, está bem… mas?!…
Apresentador: O que é que foi?
Anã Droga: Não entendo uma coisa: Todas menos uma têm a ver directamente com a gripe, concordo, mas há uma que, confesso não estar a ver…
Apresentador: Qual?
Anã Droga: O Calor, o Suor, o Comprimido e a Dor de Cabeça… muito bem mas…???!!! A Margarina Vaqueiro onde é que entra nesta história?!
Apresentador: Não entra.
Anã Droga: Não entra?!… Não estou a perceber… então se não entra porque é que lá está?!
Apresentador: A Margarina Vaqueiro era só para despistar!

No Solar da Rosa

 novosolar.jpg

Fevereiro de 2006

Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, respeitável público, uma muito boa noite para todos, a quem agradecemos desde já a presença; sejam por isso muito bem vindos.
Um do Público: Ó pá, mas tu não mudas o discurso? És sempre igual todas as semanas ó meu! Inova pá! Se não sabes como pergunta ao Mariano Gago, que é um dos patrões desta tasca, como é que isso se faz pá! Mas que canastrão do caraças, eh,eh,eh!…

 (Restante público aplaude e ri alarvemente)

 Apresentador: (sorriso de crocodilo) Eh,eh,eh! bem… esta noite, conforme puderam constatar no cartaz publicitário, vamos ter a presença de um artista muito especial, o grande, o imperial, o majestoso… BELMIRO DE AZEVEDO! Peço uma grande salva de palmas para este monstro do meio artístico.

 (Público aplaude)

 Outro do público: É bem sim senhor, um artista português que quando abre a boca e canta, cala tudo em seu redor!
Apresentador: Então ainda bem que parece haver quase unanimidade; assim sendo, vou dizer mais umas palavrinhas sobre a obra deste grande artista…
Mais um do público: Alto aí ó papagaio do Bornéu, tu vais mas é calar o trombone e arrumar o violino na caixa. Mas a malta veio aqui para ouvir fados ou para assistir a uma sessão solene de condecorações made in Palácio de Belém hein? Dá mas é meia volta aos patins e manda entrar o pessoal da cantoria, arruma lá essas apresentações pindéricas e tá a’ndar!
Outro: Apoiado, apoiado, vai-te mas é embora ó perú de Madagáscar! Uhhhhhh!!!!!!
Apresentador: Pronto, pronto, calma!… como o público tem sempre razão…
Todos: Ah bem! Eh,eh,eh,eh,eh!
Apresentador: Sendo assim que entrem os artistas: À guitarra o Avô Palmeida Santos, à viola o Tio Jerónimo, no baixo o puto Minorca Mendes e no baixo mais que baixinho a Anã Droga, todos eles para acompanhar o fadista, o grande… BELMIRO DE AZEVEDO, a voz que, dizem ir para lá do Continente.
Público: (aplaudindo de pé) Àh grande Miro pá, és o maior!
Belmiro de Azevedo: Muito boa noite a todos e muito obrigado pelo carinho que me dispensam. Esta noite vou cantar para vocês um fado com letra do Zecatelhado e com a música dos “passarinhos a bailar” -se quiserem cantem também enquanto lêm a letra-, que se intitula: “OPAmim sempre a crescer”.

 ( Mais aplausos do público. Luzes baixam, guitarra e violas gemem, Belmiro “arranca”)

 
Puz uma OPA no ar
deu-me ganas p’ra comprar
a Portugal Telecom
piu,piu,piu,piu
puz o Salgado a sofrer
e o Horta quase a morrer
cum ataque de coraçon
piu,piu,piu,piu

Foi só falar com o espanhol
apareceu o carcanhol
foi sempr’andar tão a ver?
piu,piu,piu,piu
cresce mundo da Sonae
p’ró Belmiro não há pai
ÓPAmim sempre a crescer

 É dia de festa
menos p’ró Salgado
e o Horta e Costa
quem é que aposta
ficou borrado!

 Puz uma OPA no ar
…..!

 (Público aplaude louca e demoradamente. Numa mesa do canto fundo da sala ouvem-se apupos. São três personagens conhecidíssimas: Horta e Costa, Ricardo Salgado e João Pereira Coutinho)

 Ricardo Salgado: Vais morrer de um ataque de caspa meu glutão do caraças! Fascista! Açambarcador! Monopolista!
Horta e Costa: Capitalista Selvagem! Antropófago! Iconoclasta! Vai mas é para as ilhas Caimão meu trapaceiro sem escrúpulos!
João Pereira Coutinho: Malandro! Terrorista da Nova Era! Talibã do Norte! Bombista!
Belmiro de Azevedo: Olha o trio falhado… eh,eh,eh… está cá em peso!
Horta e Costa: Trio falhado é a tua bisavó caribeña minha hidra de onze tentáculos! Ainda por cima gozas com o pagode? Ora então segura aí que esta é oferta da casa!

 (Atira com uma garrafa de Dom Perignon que passa a rasar a carola do fadista) Zarolho! agora podes atirar os aperitivos que esta bateu na bambolina e ficou inteira, eh,eh,eh!
Ricardo Salgado: Ai sim? Ai é? Então espera aí que eu vou-te levar os aperitivos em mão!

 (Salta para cima do palco e engalfinha-se com o fadista. João Pereira Coutinho e Horta e Costa seguem-no e tentam malhar igualmente no artista. Dois dos gorilas do Solar da Rosa, vendo a desvantajem do cantor, saltam para o palco e equilibram a peleja. O público esse, delira com o espectáculo)

 Um do público: Ah!!! Finalmente… isto é espectáculo! Fado, copos e mocada de três em pipa… Viva o genuíno espírito lusitano!
Banqueiro do Santander entre a assistência: Hombre, coño, que los portugueses son brabos! Solamente ha faltado el toro!

 (Um engraçadinho da plateia, quando ouve o espanhol terminar a citação, atira-lhe com um chouriço ainda a arder na canoa e acerta-lhe em cheio na peitaça)

 Banqueiro do Santander: Caracoles, estoi ardiendo! Quien foi el ijo de puta madre que…

 (Era o rastilho que faltava atear. Num ápice começam a estalar nos costados e carolas, cadeiras, mesas, cinzeiros, restantes chouriços assados ou por assar, canoas da assadura e tudo o que é possível ter à mão e servir de objecto de arremesso. Chega finalmente a polícia de intervenção que malha a sério nos que ainda não cairam.

Escondidos como sempre atrás da bambolina do palco os músicos e o apresentador sussurram baixinho)

 

Avô Palmeida Santos: Isto de tocar guitarra por desporto está a ficar deveras mais perigoso que ir para o Iraque em regime de voluntariado.
Tio Jerónimo : É no que dá o jogo capitalista/monopolista/fascista.
Minorca Mendes: A minha sorte é ter sempre a caixa da viola aos pés. É só meter-me atrás dela que me serve de escudo perfeito.
Anã Droga: Se a gerência à entrada fornecesse uns porros ao pessoal, como fazem em Amesterdão, já não havia barracadas destas. A malta fumava a broca e ficava mais mansinha que um cordeirinho do presépio; ou então entravam só gays que são uns tipos e tipas pacíficos…
Apresentador: Cale-se lá seu porta-chaves esquelético e não digas mais disparates. Você nem tem razões de queixa nenhuma! Mal começa o serrabulho enfia-se dentro da caixa da viola e fica mais segura que o tesouro americano no Forte Knox! Qual porros, qual gays qual carapuça! Vá mas é fazer um aborto dessa caixa encefálica anómala!
Anã Droga: Cale-se você seu velhadas careta! Seu cota bota de elástico!…
Avô Palmeida Santos: Meus amigos calma! Apelo à tolerância…
Tio Jerónimo : Se os verdadeiros democratas ouvissem as minhas propostas, a direita trauliteira, fascista e reaccionária…
Minorca Mendes: Ó Tio Jerónimo, “ganda nóia!” feche lá a cartilha que o grande João de Deus foi o único que eu suportei; mais a mais você é torneiro mecânico e não pedagogo, por isso cale-se!
Apresentador: (espreitando por tás da bambolina) Creio que a coisa já parou. Podemos sair que já não há cá ninguém.

 (Ouve-se então uma voz vinda da teia do palco)

 Voz: Desculpe lá mas ainda cá estou e:
Todos : ARTISTA BELMIRO?!
Belmiro de Azevedo: Eu mesmo da Silva! 
Apresentador: Mas… não entendo…
Os Outros: NÓS NÃO ENTENDEMOS!
Belmiro de Azevedo: Mas o que é que não entendem? eh,eh,eh!
Tio Jerónimo : Então você estava no palco à batatada…
Belmiro de Azevedo: Sim…
Apresentador: E como é que aparece aí?!
Minorca Mendes: Ele é alto e agrrou-se à teia, foi o que foi…não foi?!
Anã Droga: Eu seja anti-lésbica assumida se percebo alguma coisa disto!
Belmiro de Azevedo: Vocês políticos são efectivamente umas marionetas que só funcionam se vos puxarem os cordelinhos, cérebro incluído; Tudo o que não seja assim, passa-vos ao lado, nem que seja um Jumbo da TAP -Jumbo não que é publicidade à concorrência- um Boeing da TWA. Ora então vamos lá a agarrar nos cordeis e a fazer funcionar esses miolos de pintassilgo:
Quando me convidaram para vir ao Solar da Rosa cantar um faduncho eu aceitei, embora tenha tanto jeito para cantar como para abrir valas à picareta na Fernão de Magalhães, ou seja: Nenhum; posso até adiantar que ao pé de mim o Zé Cabra parece o Pavarotti…
Avô Palmeida Santos: Mas você cantou tão bem!?…
Belmiro de Azevedo: Ora aí é que está a piada disto tudo; Depois de desligar o telefone a aceitar o convite, é que eu medi bem o trinta e um em que me tinha enfiado, vai daí, telefonei ao Tony Carreira, expliquei-lhe situação, prometi-lhe uma porrada de acções da Sonae e o gajo foi na cantiga, ou antes, veio cantar por mim…
Avô Palmeida: Mas eu VI-O a cantar em palco!?
Os Outros: NÓS VIMOS!?
Belmiro de Azevedo: Errado! Era o Tony Carreira com uma máscara de latex e cabeleira a preceito imitando a minha fronha!
Todos: Ahhhh!!!!
Belmiro de Azevedo: Com o barulho das luzes aquilo não se notou nada, o público, como sabem, são uma cambada de palavos e eu assisti deliciado aqui de cima na teia à MINHA glória, entenderam agora?
Tio Jerónimo : Espere aí!… quer então isto dizer que o desgraçado apanhou uns sopapos por si!
Belmiro de Azevedo:
Pois, mas quanto a isso…Pôncio Pilatos, lavo daí as minhas mãos, são os riscos do do:artista quando a coisa azeda e papa com uns tomates nas trombas!
Anã Droga: Mas não foram tomates, foram estaladões e dos grossos!
Belmiro de Azevedo: É a mesma coisa, só tem que se aguentar, pequenota da viola baixo baixinho. O que me importa a mim é que a concorrência levou uns chapadões bem aviados dos gorilas que socorreram o Tony Carreira e devem estar no S. Francisco Xavier a pôr os maxilares no sítio, eh,eh,eh,eh, enquanto eu estou aqui todo direitinho da costa, e sempre, SEMPRE A SUBIR!
Digam lá se não sou o maior!

No Solar da Rosa

 novosolar.jpg

Dezembro de 2005

Apresentador: Ora muito boa noite minhas senhoras, meus senhores, respeitável público. Sejam muito bem vindos ao Solar da Rosa. Esta noite vamos ter para começar, um artista do fado choradinho que está a ser um tremendo sucesso de vendas. Foi muito difícil à direcção desta casa trazê-lo aqui, já que nos últimos dias tem estado assoberbado quanto baste a arrumar tralhas para a mudança de estúdio, mas com a persistência e o profissionalismo que é lema desta casa, lá o conseguimos “sacar” dos seus muitos afazeres de momento…
Um do público: Ó pá, deixa-te lá de merdas e passa à acção!
Outro: Pois claro! Nunca vi um gajo tão pindérico como tu. É só flores ó meu, pareces um jardim!…
Plateia: Eh,eh,eh! boa, boa! Cala-te ó troglodita do paleolítico inferior e põe lá o homem a cantar que é para isso que a malta pagou bilhete!
Apresentador: Calma meus senhores!…
Público: Qual calma qual caraças, vai-te mas é embora e põem o homem a cantar!
Apresentador: Se assim querem… quem manda é o público, eh,eh,eh!… Senhores e senhoras, o grande, grande, grande…Aníbal Cavaco Silva!
Como sempre teremos à guitarra o Avô Palmeida, à viola o tio Jerónimo, o Minorca Mendes no baixo e no baixo baixinho a Anã Droga.

( Público aplaude. Entram os guitarristas e logo a seguir o fadista Cavaco).

Cavaco: Obrigado a todos, muito obrigado. É com imenso prazer que estou aqui perante vós para interpretar um fadinho choradinho à portuguesa. Com letra desse grande amigo reencontrado, Alberto João Jardim, e música do fado que lhe deu nome: O FADO DO 31!

 (aplausos) (entram as guitarras) (Cavaco canta)

 Olarilolela, como o je não há ninguém
tudo quis em Portugal o Cavaquinho em Belém }Refrão
Olarilolela, como o je não há nenhum
de Monção a Boliqueime foi um rico trinta e um

 
À porta da sede Rosa
dois tipos encontram dois
juntam-se os quatro e depois
em cavaqueira afanosa
de pronto se azeda a prosa
Mário, Manel outro alguém
qual deles para Belém
não se entendem nem por nada
desata tudo à lambada
ó que sorte desditosa

 Aiiiii!!! }refrão

 Um homem que quer granel
dentro do próprio partido
deixa tudo dividido
entre o Soares e o Manel
e eu fazendo o papel
de anjinho do além
fui aterrar em Belém
lá diz o velho ditado
às vezes o mais calado
é quem vai provar o mel

 Aiiiii!!!

 Olarilolela, como o je não há ninguém
tudo quis em Portugal o Cavaquinho em Belém
Olarilolela, como o je não há nenhum
de Monção a Boliqueime foi um rico trinta e um

 
Público de pé: Ah boca linda! Ah fadista! (aplausos)

(Cavaco agradece e sai de cena)

 Apresentador: Obrigado a todos, e ainda bem que gostaram. Seguidamente, e para terminar, o grupo coral “Os Derrotados da Vida”, vai interpretar para vós o Requiem de Mozart, em estreia mundial com a letra da Internacional. Palmas para eles!

 (público aplaude). Entra o coro, alinha e canta)

 
De pé ó vítimas do Aníbal
de pé quem não votou Cavaco
mas como é que foi possível
a vitória desse macaco?…

 (49,4% do público presente na sala levanta-se e começa a apupar)

 49,4% do público: Uhhh!!! vão-se mas é embora ó seus chouriços de Lafões! Uhhh!!! Ai agora ainda vêm para aqui com esse choradinho mete nojo? Uhhh!!!

 ( começam a voar garrafas, copos, cadeiras e tudo o que está à mão. Mário Soares apanha em cheio com um rissol de berbigão num olho, Manuel Alegre com uma torta de requeijão nas barbas, Francisco Louça com os restos de uma feijoada à transmontana no peito, Jerónimo de Sousa com uma cabeça de leitão made in Bairrada e Garcia Pereira com uma garrafa de Porca de Murça tinto no cocuruto. José Sócrates, sai disparado da plateia agarrado às muletas e sobe ao palco tentando acalmar os ânimos)

 Sócrates: Calma meus senhores, tenham calma por favor!…

 ( Uma das muletas resvala em cima de um monte de gordura de comida, desiquilibra-se e cai redondo no chão. A bagunça é total. O Côro foge e entra a polícia de choque que corre tudo à chinfralhada ).

(Vazia a sala, o apresentador abeira-se de Sócrates que jaz sem sentidos estendido no palco e começa a dar-lhe estaladinhas na cara tentando despertá-lo.)

 Apresentador: Senhor Engenheiro, ó Senhor Engenheiro, acorde por favor…

 (Cavaco Silva, que ainda se encontrava no camarim aquando da desbunda, entra também)

 Cavaco: Então homem, então você nesse estado vai-se armar em herói? Bem, você nos últimos dias deu dois tombos do caraças, um na Suíça e outro nas presidenciais, mas… por favor, convém não abusar, né? Eh,eh,eh!

No Solar da Rosa

 novosolar.jpg

Novembro de 2005

Apresentador: Boa noite senhoras e senhores, respeitável público. Como é do conhecimento de todos vós a sessão desta noite não vai ser preenchida com a habitual sessão de fados…
Um da Plateia: Desculpe lá!…
Apresentador: Sim?
Um da Plateia: Mas já que há guitaga e viola, eu, que tenho muito jeito e adogo cantag o fado p’rá magalhal…!
Apresentador: Agradeço a sua disponibilidade e amabilidade mas não é possível…
Outro: Deixa lá o homem cantar ó marreco!
Ainda outro: És mesmo um troglodita ó esticadinho do caraças!…
Todo o público: Canta, canta, canta!…
Apresentador: Mas?!… Pronto, está bem, se é só um fadinho… não vai ser por isso…
Outro: Clap,Clap,Clap! À ganda mano! Salta lá pró palanque ó boca linda!
Apresentador: Calma, calma! Deixem-me acabar; Como estava dizendo, depois do fadinho que o nosso amigo…como se chama?
Espectador: Fegnando Seaga, Pgesidente da Câmaga de Sintga!
Apresentador: Não me diga?!… Mil perdões, não estava a reconhecê-lo!…
Público:Uuuuhhh!!! Lambe botas…lacaio…sabujo!…
Apresentador: Perdão, não é isso que estão a pensar! É que aqui o nosso amigo Seara é marido da outra figura pública que vem preencher a segunda parte do espectáculo…
Outro: O quê?! a Judite também canta?! Ai ela canta nas horas vagas?…À fadista!
Apresentador: Se ela canta ou não…não faço a mais pequena ideia; Ela hoje vem aqui não com a finalidade de cantar mas sim de moderar o espectáculo que vai seguir-se: Os cinco principais candidatos à presidência da república vêm ao Solar da Rosa, não para falarem de política que disso já estamos todos esclarecidos, mas sim para participar num tipo de entrevista/concurso, ou seja, vai-se tentar dar a perceber aos eleitores o grau de cultura de cada um deles.
Um: Deve sair daí uma coisa esperta, eh,eh,eh!
Outro: Esses gajos são uns broncos pá!
Ainda outro: Fixe! Acho que vale a pena ouvir as bacoradas que vão sair dali, ah,ah,ah! Começa lá então a merda do espectáculo ó tinhoso!
Apresentador: Ora bem, então chamo o senhor Seara para cantar o tal fadinho. Como de costume, à guitarra temos o Palmeida Santos, à viola o avô Jerónimo – que depois vai participar na entrevista/concurso-, no baixo o Minorca Mendes e no contrabaixo a Anã Droga
Senhoras e senhoras o espectáculo vai começar!
Público: Clap,clap,clap! Força aí ó meu, dá-lhe com sentimento!
Seara: Meus senhogues e minhas senhogas, vou integpgetag um fadinho com letga da minha autoguia e com a música conhecida do Albegto Guibeigo; Chama-se: Seg Benfiquista!

( ouvem-se os acordes instrumentais e entra o fadista )

Seg benfiquista

é seg bom chefe de família

é seg baiguista

anti-lagagto e anti-Portista

 

Se pegde o gloguioso

fico bgavo e gasgo o fato

malho no cão que é um gôzo

e togço o gabo ao gato!

 

Sou do Benfiiiiiiicaaaa!!!!

 

Público: Bravo, bravo, ganda lampião! Seara, Seara, Seara!
Apresentador: Obrigado a todos e ainda bem que gostaram. Vamos então agora passar à segunda parte do programa desta noite. Aqui o avô Jerónimo vai meter a viola no saco e ocupar o lugar ali na mesa, onde já estão, como podem ver, já se encontram os restantes convidados e a nossa simpática moderadora.
Público: Força Juditinha, aperta com eles, faz-nos rir à vara larga!… Faz-lhes perguntas difíceis que vais ver a figura de urso que eles fazem!
Judite: Meus senhodes e minhas senhodas, senhodes candidatos, vamos lá então começade: Em pdimeido lugade vou colocade uma adivinha a cada candidato. Vou começade pelo mais velhinho de todos, o doutode Mádio Soades; Doutode desponda:
-Qual é o animal que come com o dabo?
Soares: Com o nabo?!
Judite: Não, com o dabo!
Soares: Bem… que come com o nabo só conheço um, o Paulo P…..!
Público: Eh,eh,eh!…Uhau!…Este velhadas é o máximo, eh,eh,eh!
Judite: Doutode, eu disse com o dabo!…
Um: Com o rabo o tótó!
Soares: Bem… desculpem… com o rabo… não conheço nenhum!
Judite: Doutode Jedónimo?
Jerónimo: Eu não sou doutor, sou serralheiro mecânico;… Com o rabo… não estou a ver!…
Judite: Doutode Cavaco, sabe?
Cavaco: Não tou a ver que o “pogresso” tenha chegado tão longe!… não estou a ver…
Judite: Doutode Alegde?
Alegre: Não!… não estou a ver poema algum que…
Judite: Doutode Louçã?
Louçã: Se alguém come no rabo está no seu pleno direito; Aliás, nós somos pela igualdade e pelos direitos gay…
Um: Ó calhau, não é “NO” é COM!
Louçã: Ai desculpem!… Com o…Não, não estou a topar…
Judite: Público, alguém sabe?
Outro: São todos!…
Geral: Todos?!
Outro: Claro, seus ignorantes da treta! Já viram algum animal que tire o rabo para comer?
Judite: Acedtou! Muito bem!
Público: À ganda Zé Marmita, um a zero ganha o povo!
Judite: Segunda pedgunta: Doutode Soades:
-Quando o senhode está deitado na cama o que é que tem debaixo dela?
Soares: O penico!
Judite: Edado! Um pad de chinelos!
Doutode Jedónimo:
-Quando a sua esposa se deita a seguide a si, o que é que está debaixo da cama?
Jerónimo: O penico e o Capital de Carl Marx; leio sempre um bocadinho todos os dias!
Judite: Edado! Dois pades de chinelos!
Doutode Cavaco: Bdanco é, galinha o põe?
Cavaco: Três pares de chinelos!
Público: Ah,ah,ah,ah,ah!…
Um: Ai que já não me ria assim desde que morreu a minha sogra, ah,ah,ah,ah,ah!
Judite: Edado! É um ovo!
Doutode Alegde:
-Vedde foi meu nascimento e de luto me vesti?
Alegre: Verde?!…Verde?!… Será o Cesário?… Já nasceu Verde e pode ter-lhe morrido alguém…
Judite: Edado! Doutode Louçã?
Louçã: Será uma frase do Dias da Cunha quando o Sporting aqui há uns anos andou a passear um caixão em Alvalade contra o luto da arbitragem?
Judite: Edado!…
Um: Estes camelos são mais broncos que uma rocha do paleolítico!.., É a azeitona ó meu perú vaidoso da treta!…
Judite: Acedtou! Dois a zedo pada o povo! Tedceida pedgunta:…
Público em geral: Não há mais nada para ninguém, fora, uuuuhhhh!!! Chega de ignorância barata!…UuuuHHH!!!

 (Começam a voar copos, garrafas, cadeiras, mesas… A Judite leva com uma omeleta de presunto e cogumelos da Beira no alto do toutiço… )

 Seara: Ai a minha mulhgzinha! Pagem com isso! Nela só malho eu quando pegde o glogioso!

 ( Leva com uma garrafa de Colares em cheio na testa e cai para o lado. Entra a polícia de choque e vaza a casa à bastonada. Escondidos atrás das bambolinas, os candidatos, a Judite e o apresentador comentam: )

 Soares: Você é que tem a culpa disto!
Judite: Eu?!
Cavaco: Sim você! Fazer logo perguntas com aquele grau de dificuldade sem sequer sabermos o “pograma”!…
Judite: Mas…
Jerónimo: Está bem que o fervor revolucionário faz parte da génese do povo…
Louçã: Cala-te lá ó velho Stalinista!… Qual génese revolucionária qual carapuça!… A polícia é que é uma fera sanguinária!…
Alegre: Vou escrever uma ode: “Da Estrada de Sintra a Colares, garrafas e cadeiras cantam a canção da guerra”!…
Apresentador: Toca a andar daqui para fora antes que eu me passa dos carretos, seus periquitos da Papua!… Eu já sabia que esta merda ia acontecer, eu já sabia!… Mas quem me mandou a mim?… Fora!…XÔ!
Ó Gonçalves, ó meu querido contabilista, telefona aí para a Moviflôr e para o Brás & Brás e vê lá se ainda temos crédito; Pôrra é sempre a mesma merda de final de espectáculo