• O Autor

  • Uma Questão de Paixão

  • Os melhores da blogosfera… a léguas!

  • Dragoscópio

    ...Quando eu digo Deus não é forçoso que eu signifique um Deus confinado a determinado ritual religioso; de facto, posso apenas dizer aquilo que, de certa forma, o conceito de Deus simboliza e consagra, ou seja, determinados princípios e fins - uma causa primeira e uma causa final. Quer dizer, a minha acção deve reger-se por princípios e fins; não quedar apenas refém, enclausurada e cativa dos meios. Pois, conforme estipula a matriz da nossa própria civilização, a acção humana não é um mero exercício de meios; como não é um mero exercício de fins. Nesse caso, nesse exercício desligado e cacofónico dos meios ou dos fins cair-se-á fatalmente no desequilíbrio, na desarmonia caótica. Porque, assim sendo, ou os fins justificarão os meios ou os meios determinarão os fins. Perdidos os princípios, tudo se torna, então, possível. O cosmos deixa de estar sujeito a uma necessidade –isto é, uma ordenação primordial, eterna e transcendente (e transcendente não é nenhum palavrão feio, apenas significa não estar sujeito a caprichos, acidentes e acasos do tempo) – e passa a estar ao pleno dispor da sorte e do acaso. E de quem lá impera. Desce-se, assim, do reinado do sentido, do simbólico, para a tirania do aleatório, mascarada, no melhor dos casos, duma democracia de alienados. Note-se, a esse respeito, como o nosso tempo manifesta uma hostilidade e um desprezo ostensivo pelo “primórdio” e, em contrapartida, celebra o “media” e a “finança” – decantações, respectivas, quer do “meio”, quer do “fim”. Por outro lado, esta ordenação hierárquica das coisas fundada na criação (e entenda-se aqui “criação” não no seu significado apenas religioso, mas também artístico, não sòmente demiúrgico mas também poético – ou seja, não apenas bíblico, mas sobretudo helénico) é deveras interessante e terrível. Senão, reparemos: se aceitarmos a sua lógica teremos qualquer coisa como "o criado ou criatura deve servir o criador. Assim, devemos servir a Deus, tal qual o dinheiro nos deve servir a nós." Em contrapartida, se nos rebelarmos contra essa ordem, se entendermos que (por exemplo, porque não somos criados, porque somos meras moléculas sem qualquer vínculo ao sagrado) não devemos servir a Deus, pode, à primeira vista, parecer muito libertário, catita e altamente moderno, mas depois tem um reverso sinistro que nos atira, de escantilhão, para abaixo dos pré-históricos canibais: é que, na mesma medida, o dinheiro e tudo aquilo que nós criámos deixa de estar na obrigação de nos servir a nós. Tornamo-nos então, nós próprios, servos dos nossos criados, criados dos nossos produtos, prole e plasma dum qualquer Estado burocrático. Preciso de vos apontar a realidade actual à vossa volta? Porque nos rebelámos contra o superior, tornámo-nos escravos do inferior; porque enterrámos as asas do espírito, rastejamos agora no pântano da matéria; porque desertámos do princípio, estamos agora confinados à finança. Partimos e pulverizámos em míseros caquinhos todo o imenso templo da Crença em Deus, doravante nanificada em milhares de minicrenças: crença na casa, crença no carro, crença no sucesso, crença no progesso, crença na ciência, crença no jornal, crença na televisão, crença no pastor, crença no doutor, crença na turba, crença no número, crença no trabalho, crença no umbigo, crença no dinheiro - somos agora miriápodes ouriçados não já em patas mas em crenças, com as quais amarinhamos por tudo, empeçonhando a esmo, e tudo isso embrulhado no tal saco da super-crença na Finança Toda Poderosa, gestora do Céu e do Inferno na Terra. Em boa verdade, à crença deixámos de tê-la para passar a sê-la. De sujeito degradámo-nos a objectos; de protagonistas, passámos a acessórios; de portadores, a transportes; de proprietários, a possessos. O produto tornou-se mais valioso que o produtor. Descartado o Sagrado, a natureza tornou-se descartável para o homem e o homem, por sua vez, tornou-se descartável para a sua própria máquina industrial tecno-eficiente. O conjunto evolutivo lembra, cada vez mais, um foguetão cósmico que vai consumindo e largando andares à medida que se afasta e embrenha direito a sabe-se lá onde. Certo é que quanto mais aumenta a nossa descrença no Sagrado, quanto mais ao descrédito o votamos, ou seja, quanto menos importância lhe damos, mais aumenta a importância que damos a bugigangas e próteses existenciais que fabricamos, e, inerentemente, mais se agiganta a crença que para elas transferimos. No fundo, tanto quanto uma perversão na hierarquia de valores, é uma inversão que se instaura e, gradualmente, nos vai absorvendo: o novo sobrepõe-se ao original, o produto ao produtor, o medíocre ao sublime. De espaço de cultura, o mundo converte-se assim em mero palco da profanação. Desligado do cosmos, oscila, perigosa e maquinalmente, entre a incubadora artificial e o matadouro industrial.
    in Dragoscópio. A par do Jumento, a léguas os dois melhores blogues portugueses.
  • Obrigações Diárias

Bate o Pau e Sobe o Pano

(Assim ao jeito de Mestre Gil)

( No camarote de D.José, Capitão da Catrineta, está reunido o alto comando do clâ da “Rosa”)

D. José: Faz-me um favor ó Teixeira, levanta o cú da cadeira e vê se a porta está trancada, que eu não quero nem por nada que alguém por ela irrompa e a reunião interrompa por uma merda de nada.

D. Teixeira: (Levantando-se) Pode ficar descansada sua ilustre senhoria e minha amada chefia que ela fica bem trancada.

D. Pinho: Ao Teixeira escapa nada, eh,eh,eh,eh!

D. José: Está toda a gente animada, vocês dois principalmente, será que há finalmente desafogo no baú?

D. Teixeira: Ó Pinho, responde tu que eu cá vou trancar a porta.

D. Pinho: Se vossa excelência não se importa, caro Capitão da “Rosa”, nem o imposto da “gasosa” que rende mais uns trocados, nos deixa desafogados, por isso a malta não estranha que a nossa amestrada aranha lá continue a tecer.

D. José: Estou a ver, estou a ver… mas então a que se deve a boa disposição?

D. Pinho: Ora ora Capitão, não somos barca-nação de um povo pouco exigente? Haja um pão para dar ao dente e um copinho de vinho, dinheiro p’ró cigarrinho e já está tudo contente!

D. José: Que esperteza de Tenente me saiu este D. Pinho. … Por falares em cigarrinho, vê se me pões a fumar.

D. Pinho: Não disse que ia deixar!?

D. José: Disse disse, tens razão.

D. Pinho: E então!?

D. José: Eu disse que ia deixar, só que ainda não deixei.

D. Pinho: E quando é que vai deixar?

D. José: De fumar?… Isso não sei!

D. Pinho: De fumar e de cravar, que de comprar já se sabe.

(Risada geral)

D. José: Venha o “Português Suave” e lume p’ró atear. Ó Canas tu vai espreitar p’lo canto da vigia, porque de noite e de dia aqueles gajos da ASAE…

D. Canas: Ai, ai!

D. José: Vamos então ao que interessa: P’ra já vou dar na cabeça ao nosso Alegre poeta; Mas que te deu na veneta para andares a conspirar com a “esquerda-caviar” que tanto mal diz da “Rosa”? E aquela ovelha ranhosa de pinta seminarista – que é o chefe bloquista- vá de se aproveitar. Está-se ele bem a cagar p’ra ti a p’rós desertores, desses tais “renovadores”, confesso de não sei quê! Mas o teu olho não vê- ou estás a ficar “tam tam”?- que esse maldito Louçã faz de ti um seu joguete?… Ou então queres-me lixar e está a pensar fundar…

Poeta Alegre: Pode acabar.

D. José: Acabei. Para bom entendedor…

Poeta Alegre: Pois então saiba o senhor que eu já pertencia à “Rosa”, ainda a vossa prestimosa figura de Capitão não passava de intenção nos tomates do seu pai!…

D. Pereira: Ai,ai,ai,ai,ai!… A coisa vai descambar e o caldo vai azedar, eu estou mesmo a ver que vai!

D. José: Poeta Alegre parai, ou ‘inda vos parto a fuça!

Poeta Alegre: Isso nem que a vaca tussa , como dizia o Perestrelo. Se me toca num cabelo leva um estalo no focinho que fica a cagar fininho até à Páscoa que vem!

D. José: Pois muito bem, vais a ferros ( solta D. José aos berros ) para o fundo do porão.

Poeta Alegre: ( Já a ferros e arrastado por dois capangas do MAI do comando de D. Pereira) Há sempre alguém que resiste… Há sempre alguém que diz não!…

D. José: Olha este parvalhão que nem mesmo assim desiste!… Ó meu, tu ainda não viste que agora é outra a canção?… Em tempos que já lá vão é que a “Praça da Canção” tinha amantes baladeiros. Agora é o Quim Barreiros e o bacalhau que quer alho!… Vá malta, bora ao trabalho que temos mais que fazer.

D. Vitalino: Eis o próximo dossier que vamos analisar.

D. José: Ó Pinho, põe-me a fumar, dá cá outro “Português”.

D. Pinho: Outra vez!?

D. José: É como vês!… Este poeta charmoso deixou-me bué nervoso.

D. Pinho: E o Pinho é que vai pagar!

( Risada geral )

D. Vitalino: Meu Capitão, meus senhores, há o caso dos armadores e mais os seus pescadores que recusam ir ao mar.

D. José: Ai não querem ir pescar?

D. Vitalino: Recusam-se a trabalhar pois não ganham p’rá despesa, vejam bem qual a tristeza com que os Santos Populares do alto dos seus altares vão olhar para as festinhas e toparem que as sardinhas não vão ser postas a assar…

D. José: Eu cá estou-me a borrifar p’rós Santos e p’rás Santinhas, se não se assarem sardinhas vai morrer alguém por isso? Desde que haja chouriço, presunto, vinho e bifanas, durante essas três semanas a ralé não vai ladrar…

D. Teixeira: Então nem pensar em subsidiar a “gasosa”?

D. José: Nós, os do clâ da “Rosa”, não cedemos à pressão. Não senhores, nem um tostão p’ra essa corja do mar.

D. Vitalino: Podemos aproveitar para dar folga aos cadumes que andam tão minguados.

D. Pereira: Acham-se mais dizimados que os africanos com sida!

D. José: Parece boa a medida, deixemo-los protestar.

D. Vitalino: Finalmente e para acabar falemos da concorrência, que ainda não abriu falência mas se tivermos paciência…

D. José: Ficamos sós no mercado.

D. Vitalino:… O fardo é bué pesado p’ra’quela velha sarronca, vai ser bronca atrás de bronca na luta pelo poleiro. Vai ter à perna o sendeiro maluco do Santanás que na desbunda é o ás que mais vale no baralho.

D. Pereira: E então quanto ao pirralho do chavaleco Coelho?

D. José: Não me amedronta o fedelho, embora o ar presenteiro , a carinha de escuteiro e a pose mui elegante. É só um puto pedante que ainda cobra à nação subsídio de aleitação…

D. Vitalino: Em suma: Um fraldisqueiro?

D. José: Nem mais! Outro sendeiro.

D. Pereira: E quanto a D. Santanás?

D. José: Nunca mais será capaz de pôr fim à travessia e anda de noite e dia como as tribos de Israel âs voltas em carrocel. Tem a mania que é esperto, vivaço e muito atrevido só que…

D. Vitalino: Só que…?

D. José: É um camelo perdido entre as dunas do deserto.

FIM

Os melhores de 2007

Todos os anos o faço e este não pode fugir à regra, dar a conhecer qual a minha opinião sobre o que se vai fazendo por aí com qualidade na blogosfera Nacional. Visitei muitos E BONS blogues mas… como este – “O JUMENTO”– não encontrei melhor. Então o último postal sobre a “nova lei do consumo do tabaco” é demais, se não acreditam vão lá ler.

Posto isto, vamos lá então às referências:

-Melhor Blogue do Ano: jumento.jpg O JUMENTO

-Também Excelência : dragao.jpg DRAGOSCÓPIO

– Melhor Fotografia: cainha.jpg PUTA DE VIDA…

– Determinação Militante I : raul.jpg CONGEMINAÇÕES

– Determinação Militante II: hammer.jpg HAMMER

– Determinação Militante III : arre.jpg ARRE!…

– Determinação Militante IV : birante.jpg SOCIOCRACIA

– A certa Esquerda prefiro esta Direita: ultimo-reduto.jpg ÚLTIMO REDUTO

– Poesia : jorcas.jpg SETE MARES :

– Pepe Rápido (ou) Escreves que te desunhas: macroscopio.jpg MACROSCÓPIO

Muitos outros poderiam (deveriam) caber aqui mas…

Até para o Ano.

Zé do Telhado