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  • Uma Questão de Paixão

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  • Dragoscópio

    ...Quando eu digo Deus não é forçoso que eu signifique um Deus confinado a determinado ritual religioso; de facto, posso apenas dizer aquilo que, de certa forma, o conceito de Deus simboliza e consagra, ou seja, determinados princípios e fins - uma causa primeira e uma causa final. Quer dizer, a minha acção deve reger-se por princípios e fins; não quedar apenas refém, enclausurada e cativa dos meios. Pois, conforme estipula a matriz da nossa própria civilização, a acção humana não é um mero exercício de meios; como não é um mero exercício de fins. Nesse caso, nesse exercício desligado e cacofónico dos meios ou dos fins cair-se-á fatalmente no desequilíbrio, na desarmonia caótica. Porque, assim sendo, ou os fins justificarão os meios ou os meios determinarão os fins. Perdidos os princípios, tudo se torna, então, possível. O cosmos deixa de estar sujeito a uma necessidade –isto é, uma ordenação primordial, eterna e transcendente (e transcendente não é nenhum palavrão feio, apenas significa não estar sujeito a caprichos, acidentes e acasos do tempo) – e passa a estar ao pleno dispor da sorte e do acaso. E de quem lá impera. Desce-se, assim, do reinado do sentido, do simbólico, para a tirania do aleatório, mascarada, no melhor dos casos, duma democracia de alienados. Note-se, a esse respeito, como o nosso tempo manifesta uma hostilidade e um desprezo ostensivo pelo “primórdio” e, em contrapartida, celebra o “media” e a “finança” – decantações, respectivas, quer do “meio”, quer do “fim”. Por outro lado, esta ordenação hierárquica das coisas fundada na criação (e entenda-se aqui “criação” não no seu significado apenas religioso, mas também artístico, não sòmente demiúrgico mas também poético – ou seja, não apenas bíblico, mas sobretudo helénico) é deveras interessante e terrível. Senão, reparemos: se aceitarmos a sua lógica teremos qualquer coisa como "o criado ou criatura deve servir o criador. Assim, devemos servir a Deus, tal qual o dinheiro nos deve servir a nós." Em contrapartida, se nos rebelarmos contra essa ordem, se entendermos que (por exemplo, porque não somos criados, porque somos meras moléculas sem qualquer vínculo ao sagrado) não devemos servir a Deus, pode, à primeira vista, parecer muito libertário, catita e altamente moderno, mas depois tem um reverso sinistro que nos atira, de escantilhão, para abaixo dos pré-históricos canibais: é que, na mesma medida, o dinheiro e tudo aquilo que nós criámos deixa de estar na obrigação de nos servir a nós. Tornamo-nos então, nós próprios, servos dos nossos criados, criados dos nossos produtos, prole e plasma dum qualquer Estado burocrático. Preciso de vos apontar a realidade actual à vossa volta? Porque nos rebelámos contra o superior, tornámo-nos escravos do inferior; porque enterrámos as asas do espírito, rastejamos agora no pântano da matéria; porque desertámos do princípio, estamos agora confinados à finança. Partimos e pulverizámos em míseros caquinhos todo o imenso templo da Crença em Deus, doravante nanificada em milhares de minicrenças: crença na casa, crença no carro, crença no sucesso, crença no progesso, crença na ciência, crença no jornal, crença na televisão, crença no pastor, crença no doutor, crença na turba, crença no número, crença no trabalho, crença no umbigo, crença no dinheiro - somos agora miriápodes ouriçados não já em patas mas em crenças, com as quais amarinhamos por tudo, empeçonhando a esmo, e tudo isso embrulhado no tal saco da super-crença na Finança Toda Poderosa, gestora do Céu e do Inferno na Terra. Em boa verdade, à crença deixámos de tê-la para passar a sê-la. De sujeito degradámo-nos a objectos; de protagonistas, passámos a acessórios; de portadores, a transportes; de proprietários, a possessos. O produto tornou-se mais valioso que o produtor. Descartado o Sagrado, a natureza tornou-se descartável para o homem e o homem, por sua vez, tornou-se descartável para a sua própria máquina industrial tecno-eficiente. O conjunto evolutivo lembra, cada vez mais, um foguetão cósmico que vai consumindo e largando andares à medida que se afasta e embrenha direito a sabe-se lá onde. Certo é que quanto mais aumenta a nossa descrença no Sagrado, quanto mais ao descrédito o votamos, ou seja, quanto menos importância lhe damos, mais aumenta a importância que damos a bugigangas e próteses existenciais que fabricamos, e, inerentemente, mais se agiganta a crença que para elas transferimos. No fundo, tanto quanto uma perversão na hierarquia de valores, é uma inversão que se instaura e, gradualmente, nos vai absorvendo: o novo sobrepõe-se ao original, o produto ao produtor, o medíocre ao sublime. De espaço de cultura, o mundo converte-se assim em mero palco da profanação. Desligado do cosmos, oscila, perigosa e maquinalmente, entre a incubadora artificial e o matadouro industrial.
    in Dragoscópio. A par do Jumento, a léguas os dois melhores blogues portugueses.
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Aplaudamos quem merece

Parabéns Campeões!

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Rebolabola

bolaDuvido Borges: Uma muito boa noite a todos. As palavras desbocadas do Vítor Pereira, o risco ao meio do Bento, as manchetes do lampião Reys, as garrafas de bagaço do Jesualdo Ferreira, o virtuoso e impoluto Mesquita Machado e tudo o que tenha a ver com as fofocadas à margem do futebol jogado – que isso não nos interessa nada – é o que vamos tratar hoje aqui, como sempre. Para a peixeirada da ordem cá estão os nossos ilustres paineleiros do costume: O Alan Pião Seara pelo benfica, o Élio Nino Ferreira pelo sporting e o draconiano Agapito Dourado Aguiar, e finalmente eu, o Duvido Borges, apresentador desta comédia.E começamos pela atoarda do Vítor Pereira, que afirmou que quem não acredita no futebol que fique em casa.Élio Nino Ferreira, o que tem a dizer?

Élio Nino Ferreira: Esse cabeça de tomate pelado, que tem a mania que é culto, é um labrego pintado. O que ele está a dizer é alguma novidade? Por ninguém acreditar já na trapaça que é o futebol é que os estádios estão cheios de gente, por isso o raquítico vegetal não veio apontar nada de novo. Aliás, eu, se ainda venho aqui falar de bola é porque os carcanhóis que vocês me pagam me fazem muito jeito, senão…

Duvido Borges: E você Alan Pião Seara?

Alan Pião Seara: Eu?… Eu faço minhas as palavras do Élio Nino Ferreira!…

.

Élio Nino Ferreira: Mau! Isto de ter lampiões a apoiar o que eu digo não me cheira nada bem…!

Alan Pião Seara: Ora essa!… porquê?!

Élio Nino Ferreira: Sei lá porquê, não me cheira e pronto! É o mesmo que ver o diabo a rezar o Pai Nosso!

Duvido Borges: Calma meus senhores, não se peguem já que ainda é cedo e temos muito a discutir.

Élio Nino Ferreira: Então diga aí à ave de rapina para estar quietinha com o rabo que me irrita a juba.

Duvido Borges: E você Agapito Dourado Aguiar?

Agapito Dourado Aguiar: Eu o quê?!

Duvido Borges: O que pensa das palavras do Vítor Pereira?

Agapito Dourado Aguiar: Penso que cada um é livre de pintar a tromba com a pasta que quiser.

Duvido Borges: Mesmo que a pasta seja…

Agapito Dourado Aguiar: O producto intestinal pós digestivo, exactamente.

Duvido Borges: E quanto à reacção, ou reacções do Presidente do Braga e do Mesquita Machado?

Agapito Dourado Aguiar: Acho bem, coitadinho do Braga. Se não fosse a roubalheira do jogo com o benfica já tinha ultrapassado os lampiões…

Alan Pião Seara: Ai sim?… e então no jogo contra o porto?

Agapito Dourado Aguiar: Cale-se lá que o porto não teve culpa nenhuma. Os árbitros é que ficaram em brasa com as palavras do Presidente do Braga e do Mesquita e vai daí…zás! Quem não se sente não é filho de boa gente, nunca ouviu dizer?

Élio Nino Ferreira: Mas não falamos do bailarico de bola que os lampiões levaram ontem?

Duvido Borges: Tenha calma que já lá vamos!

Élio Nino Ferreira: Pois é, se fosse o sporting a levar na corneta não faltava nada; Telejornais especias, manchetes do tamanho do comboio da Beira-Baixa etc…

Agapito Dourado Aguiar: Tem razão, os andores do costume. Quando o porto vai à frente e ou os lampiões perdem, assobia tudo para o ar! Já agora… felicidades para a UEFA.

Duvido Borges: ..???!!!… para quem?

Agapito Dourado Aguiar: Para os lampiões.

Duvido Borges: Mas o benfica já lá não anda!

Agapito Dourado Aguiar: Ai não?!… então desculpem lá, eheheheheh!

Alan Pião Seara: Gozem seus animais agoirentos, que o Bayern e o Atlético já vos vão dar o arroz.

Élio Nino Ferreira: Eu cá não gosto de arroz.

Alan Pião Seara: Então comes enchidos à alemã, eheheheh!

Élio Nino Ferreira: Vamos ver se não acrescento couve portuguesa à salsicha ehehehe!

Duvido Borges: Vamos lá a coisas sérias antes que isto entorne. Falemos do arquivamento dos processos ao presidente do porto. Agapito Dourado Aguiar, o que é que pensa disso?

Agapito Dourado Aguiar: O que é que eu penso?!… Acho muito bem!… Mas nesta merda de país alguém escutado em negócios sujos é condenado por isso? Era só o que faltava, condenarem o meu presidente!…

Duvido Borges: As escutas não valeram para a justiça, é um facto, mas lá que as conversas sinistras estavam lá… estavam!

Agapito Dourado Aguiar: Mas não valem pôrra!… portanto… nicles!

Alan Pião Seara: No Papa ninguém toca. Se fosse o Vale a Azevedo…

Élio Nino Ferreira: Há sempre um otário que tem que pagar o pato para levar o pagode a crer na seriedade desta merda. O Vale a Azevedo já tinha a cama feita porque o Manuel Vigarinho queria ser presidente dos lampiões e, como havia substituto para o careca trafulha, veio tudo a calhar, ou não foi assim?

Merecido e Justo…

… o triunfo dos leões numa partida entretida, não muito bem jogada (como era de esperar em final de época) mas com um predomínio maior das cores de Alvalade. Está muito bem entregue o troféu e parabéns aos vencedores.

Aí está a FESTA!

Sou completamente neutro nesta final, eh,eh,eh,eh,eh! Que seja um grande espectáculo, uma grande festa e… que ganhe o melhor. Prometo que mais logo coloco um postal especial sobre a festa em si.

Trancada Central

Duvido Borges: Ora então muito boa noite a todos os desportistas do quintal lusitano. Com apitos coloridos qual arco-íris, cantos de dirigentes pseudo-desportivos a imitar os saudosos “Trabalhadores do Comércio” na cantiguinha “…chamem a polícia que eu não pago…”, com um major da tropa a continuar a pensar que é macaco-rei de uma república de bananas, com um chavalito no chamado Conselho de Justiça da Liga a fazer do célebre Narciso uma personagem secundária, com um treinador do “Glorioso” que mais parece acabado de sair de um recreio das Cerci, com um ex-vocalista de banda musical que um dia satisfez mais um capricho e armou-se em Presidente de um clube de futebol e deixou-o -como tudo indica- na segunda divisão, com um especialista em borracha vulcanizada e cobranças difíceis a fazer merda atrás de asneira no clube dos seis milhões, com um betinho da linha a fazer de sério e a deixar o Espírito Salgado a esfregar as mãos de contentamento e com o Papa-Mór desta turba de mentecaptos a rir que nem um perdido, terminou mais um campeonato deste quintalinho de bat(o)ateiros a que chamamos Primeira Liga. Comigo, os comentadores do costume: Pelo F.C.P. o Sr. Agapito Dourado, pelo S.C.P. o Sr. Hélio Nino, pelo S.L.B. o Sr. Alan Pião e, como convidado especial para este debate o – quanto a nós – grande vencedor desta trapalhada toda, o Sr. Manuel Que Ajuda, capataz da equipa das terras de El-Rei Afonso I. E começo pelo fim, ou seja, pelo último que até foi terceiro. Sr. Manuel Que Ajuda, que mistela é que enfiou nos chazinhos da rapaziada… perdão, que força é essa amigo?… como diria o Sérgio Godinho?
Manuel Que Ajuda: Ó mê amigue, qual chá qual carapuça!… Mais que nâ seja uns cafézitos que são riques em cafeína, como me ensinou o meu queride amigue Jaime Pacheque, eh,eh,eh,eh!, assim nã nos apanharem a dormir e…
Duvido Borges: E agora?
Manuel Que Ajuda: Como disse, o primeiro reforçe é… juizinhe! Se o Victória não o tiver, se começar a pensar qual Boavista que, depois de ser campeão julgou que já era o Barcelona cá do burgue, não tarda nada bate com a tola na parede e, num ápice, volta a lutar para não descer de divisão.
Duvido Borges: Então e quando é que o senhor vai treinar um grande?
Manuel Que Ajuda: Ó meu amigue, quando se nasce em Portugal é mais fácil sair do Guimarães para o Manchester ou para o Chelsea, para o Inter ou para o Milan, para o Barcelona ou para o Real Madrid do que para o Sporting, o Benfica ou o Porte!
Duvido Borges: Sr. Agapito, o F.C.P. campeão com vinte e tal de avanço da concorrência directa…
Agapito Dourado: Ora bem… a distância pontual é cada vez mais parecida com a distância quilométrica, eh,eh,eh,eh,eh!…. Não tarda nada e ainda ficam a 400 pontos!
Alan Pião: Ó maçarico fogacheiro do Norte, se não fossem os chocolatinhos, os quinhentinhos e outros “inhos”, se não fossem os Azevedos Duarte, Os Brunos Paixão e afins, estavas mas era na Liga Vitalis que era um gôzo pá! O desgraçado do Boavista, que já não tem um cêntimo para mandar cantar o ceguinho, é que vai pagar o pato desta autêntica palhaçada a fim de tapar os olhinhos ao pagode fazendo-lhe acreditar que há justiça pá! Mas qual justiça?! Quem se lixa é o clube que não tem culpa dos poltrões que o assaltaram nos últimos trinta anos, que se serviram dele em seu belo proveito e que agora põem o cú de fora como se nada fosse pá! Suspender o filho do batateiro?!… mas ele já nem é agente desportivo!?… E o sacaninha do papá do Ban?…hã?… Mas quem é que conhecia o Major antes de ser presidente da instituição?…
Hélio Nino: Conheciam-no os soldados no tempo da guerra quando era despenseiro de quartel e fornecia as mercearias de bairro à conta do orçamento da tropa, eh.eh.eh!, pelo menos é o que consta!
Alan Pião: Tens toda a razão vizinho de rua e companheiro de infortúnio.
Hélio Nino: Mas quando o nosso presidente andava a falar do sistema,todos diziam, também tu ó Alan Pião, que o velhote estava senil, ou não?
Alan Pião: Dou o bico à palmatória.
Hélio Nino: Há!
Agapito Dourado: Eh,eh,eh.eh.eh! estes tipos de Lisboa estão bem um para o outro. No tempo dos cinco violinos e depois no tempo do “preto”, quando os roubos de igreja ao grande F.C.P. eram o pão nosso de cada dia não piavam nem rugiam, mas agora… olha para eles quais viúvas desconsoladas eh,eh,eh,! É para verem quando doi seus sulistas do caraças!
Duvido Borges: Mas ó sr. Agapito Dourado, então o futebol dos milhões é uma treta?!… É uma luta entre máfias?
Agapito Dourado: Tem dúvidas ó Duvido Borges? Não ouviu ontem o Zé Guilherme Aguiar a dizer que nos anos setenta, quando o Chalana foi derrubado a meio metro da área dos Soviéticos o árbitro, industriado pela FIFA, macou penalty porque os Soviéticos não levavam ninguém a assistir aos jogos no Europeu de França e quanto aos Portugueses já lá estavam aos milhares? Não sou eu que o digo, é um ex-alto dignatário do futebol português!
Duvido Borges: Mas então o sistema…
Hélio Nino: O sistema é a promiscuidade que existe entre agentes desportivos, autarcas, banqueiros ou seja: Valentins Loureiro a ameaçarem árbitros “a brincar” – mas como diz o outro:”…a brincar a brincar é que o macaco foi….”. E, movendo-se e manobrando – sempre a brincar- a seu belo prazer os árbitros e delegados de arbitragem, tendo na mão por favores extra-futebol a maioria da cambada, leva sempre a água ao seu moínho, entende?
Alan Pião: E também as dívidas gigantestas que alguns clubes têm com o Espírito Salgado, que leva a que este corrompa o que fôr preciso para que o seu devedor arranje massa para lhe pagar! Esta trampa é que é o sistema pá!
Agapito Dourado: Mas vocês estão admirados com o quê? Só no futebol é que esta chafurdice existe? Ó seus totós!… esta merda é o pão nosso de cada dia em Portugal , em qualquer actividade!
Duvido Borges: Bem, depois disto não se admirem que tenha dito adeus a Portugal e volte para a minha santa terrinha, Angola…
TODOS EM UNÍSSONO: Para onde???!!!… Ó Duvido Borges… nós até que tinhamos alguma consideração por si…
               

Trancada Central

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Maio de  2006

Duvido Borges: Ora então muito boa noite a toda a malta da blogolândia. Cá estamos nós para a última sessão da época futebolística visto que foram terminados os respectivos campeonatos e a malta se prepara para umas feriazinhas na praia da Trafaria, isto se houver pilim para comprar o passe L2, o que já não seria nada mau nos tempos de vacas esqueléticas que correm.
Houve novidades, e que novidades! O Sporting terminou em segundo lugar, o Benfica foi fechado num armário a três voltas de fechadura na capital do móvel, o Vitória de Guimarães e o Rio Ave juntaram-se ao já despromovido Penafiel, como era mais ou menos esperado mas, surpresa das surpresas, o histórico Belenenses juntou-se-lhes na descida aos infernos.
Comigo os paineleiros habituais para o regabofe do costume: Alan Pião pelo Benfica, Hélio Nino pelo Sporting e Agapito Dourado pelo Porto. Como convidados especiais deste programa os senhores: Afonso Malha na Cota pelo Vitória de Guimarães e Pedro da Paz Telão pelo Belenenses.
E vamos começar pelo Agapito Dourado: Então o seu Porto lá entalou o Boavista e deu de bandeja a UEFA ao Nacional da Madeira?

Agapito Dourado: Ora bem, os amigos são para as ocasiões ou amor com amor se paga, como diz o Santo Povo.

Duvido Borges: Explique lá isso melhor ó Agapito.

Agapito Dourado: O meu Porto tinha e tem um acordo com os ilhéus e que consiste em ninguém vender jogadores sem contactar primeiro o outro…

Hélio Nino: Ah!…então aquela história da concorrência directa a que o presidente do Nacional se referia outro dia…

Agapito Dourado: …estava a referir-se à concorrência directa ao Porto e não ao Nacional…

Hélio Nino: Ai o filho da p…!

Duvido Borges: Ó senhor Hélio Nino, faça lá o favor de se portar decentemente que isto é um programa de e para gente decente…

Alan Pião: Esta lagartada é sempre a mesma pouca vergonha, hão-de ser sempre bichos do mato…

Hélio Nino: Cala-te lá ó minha coruja agoirenta, meu milhafre escabroso…

Duvido Borges: Meus senhores!!! Aviso pela última vez, ou há um mínimo de decência e a conversa se eleva ou acaba aqui e agora o programa!…

Agapito Dourado: Não se enerve ó Duvido Borges, isto são ainda os resquícios da azia desses dois animais por não terem ganho nada este ano, eh,eh,eh!

Duvido Borges: Cale-se lá você também ó senhor Agapito e recolha lá o maçarico antes que chamusque alguém. O senhor Hélio Nino fica pela última vez avisado que deve enfiar o rabinho na toca e só mete os bigodes de fora quando eu disser, entendido? E o senhor Alan Pião deixe-se de fazer vôos picados e arreie as patinhas no poleiro muito quietinhas como faz no estádio da luz.
Vamos lá a proseguir isto então: Senhor Hélio Nino, o Sporting conseguiu o acesso directo à Liga dos Campeões e aos milhões…

Alan Pião: Vale bem a pena eh,eh,eh! vêm logo para a rua à primeira volta que é um gôzo eh,eh,eh!…

Duvido Borges: Senhor Alan Pião, sou obrigado a amarrar-lhe o bico com fita isoladora?

Alan Pião: Desculpe lá ó Duvido Borges, escapou-me, ih,ih,ih!…

Hélio Nino: Não respondo a provocações rapineiras, ponto final. O Sporting está por direito próprio na Liga dos Campeões para gáudio dos seus adeptos e azia da grossa dos seus rivais. Vencemos no campo e fora dele, logo este prémio tem mais sabor.

Duvido Borges: Alan Pião, e o seu Benfica?

Alan Pião: O meu Benfica foi vítima de um holandês maluco que percebe tanto de futebol como eu de comida vegetariana, do LuxemburVeiga que enquanto cá estiver não deixa vir o grande Camacho nem descansar a cabecita do Simão; Para cúmulo do galo o Moretto resolveu aderir à criação de galináceos entre os três postes da baliza tentando convencer o Scolari a levá-lo ao Mundial na Alemanha, tal é a concorrência que está a fazer ao Ricardo. Por tudo isso… terceiro lugar e viva o velho! Agora olhe… pré-eliminatória da Liga dos Campeões e com ela lá vai a pré-época para o galheiro…

Duvido Borges: Isto sem esquecer a possibilidade de sair um osso bem duro de roer no sorteio e poderem ir parar à taça UEFA.

Alan Pião: Isso não vai acontecer; Somos os maiores do mundo e arredores e quem vier…MORRE!

Agapito Dourado: Onde é que eu já ouvi isto?!…

Duvido Borges: Cale-se lá ó senhor Agapito Dourado e deixe-se de ferroadas venenosas.
E vamos ouvir agora quem chora baba e ranho de todo o tamanho, esses sim, com motivos para tal, falo dos nossos convidados especiais começando pelo senhor Afonso Malha na Cota: O Vitória prometia tanto e afinal…

Afonso Malha na Cota: Olhe, só lhe digo uma coisa: Se em vez de um presidente sério que não anda em almoços de caldeiradas, em grupinhos na Liga, em ataques sistemáticos à arbitragem, a oferecer fios e brincos de ouro ou enfiado todos os dias na comunicação social… tivéssemos um Pimenta que eu cá sei, não só não descíamos de divisão como a esta hora estávamos a festejar a qualificação para a taça UEFA, não é assim gentes de Braga e da Choupana?

Duvido Borges: Isso quer dizer o quê?

Afonso Malha na Cota: Quer dizer isso mesmo que o senhor está a pensar, e mais não digo senão para o ano ainda vamos para a segunda divisão B.

Duvido Borges: Muito bem, passo então ao convidado seguinte, o senhor Pedro da Paz Telão: E o Belenenses?… uma equipa que quase consensualmente prometia Europa…

Pedro da Paz Telão: Faço minhas as palavras do amigo Afonso quanto à seriedade dos dirigentes e à postura do treinador, são gente demasiado honesta para esta imundice e depois…

Duvido Borges: Quer explicar melhor?

Pedro da Paz Telão: Explicar o quê?!… Mas somos todos parvos?!… Eu dou um exemplo: Acha “normal” a conjugação de factores que deixou o Belenenses na segunda divisão em 12 minutos?… Note bem 12 minutos!… Um 0-2 que vira 2-2 e logo a seguir um outro golo a preceito noutro lado. Para cúmulo dos cúmulos uma equipa que eliminou o Manchester e o Liverpol leva três cavacadas de uma equipa de marceneiros que jogam num campo de plantação de agriões… E por aqui me fico que já falei de mais.

Hélio Nino: É assim mesmo ó Pedro, essa história dos lampiões levarem três…

Alan Pião: Ó seu leão pulguento, você quer insinuar… então e o Sporting em Vila do Conde?…

Agapito Dourado: Eu também acho que houve para ali cabala. Para a próxima vez que vá ao Restelo, e há-de ser daqui a dois anos se Deus quiser, vou deixar lá duas coroas: Uma de flores ao Pepe como é costume e outra de cardos para a pandilha que emporcalha o futebol tuga… depois admiram-se que não vá um árbitro português sequer ao Mundial na Alemanha!…

Alan Pião: Olha quem fala!… Devias estar era muito bem caladinho ou já pagaste os quinhentinhos ao homem?… ou já tens a lista da Cosmos em dia? Cala-te lá ó meu maçarico de gás butano!

 ( Agapito Dourado levanta-se e vai direito a Alan Pião. Hélio Nino levanta-se também e pegam-se todos à traulitada. Duvido Borges atira-se para baixo da secretária. Afonso Malha na Cota e Pedro da Paz Telão olham boquiabertos a cena canalha não querendo acreditar no que estão a ver. Levantam-se e saem aparvalhados e chocados com o espectáculo degradante que ocorre ali debaixo dos seus olhos. Entretanto Duvido Borges, debaixo da secretária, procura afanosamente um botão)

 Duvido Borges: Ah!…Cá está ele, vamos lá!

 ( Ao accionar o botão cai uma rede de malha grossa do tecto, presa a um gancho, que enrola os três beligerantes e os iça até um metro solo)

 Os três : Mas?!… que é isto?!… Tire-nos daqui!

Duvido Borges: É o tiras! Isso é o lugar que merece a gentalha reles como vocês. Ficam aí até à próxima época que é para aprenderem a comportar-se civilizadamente, sua corja de arruaçeiros… TERRORISTAS!!! Pois passem muito bem e até finais de Agosto!

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Maio de 2006

Duvido Borges: Ora então uma muito boa segunda-feira para todos os desportistas; Cá estamos para mais uma sessão da Pancada tendo como sempre a amável colaboração dos nossos paineleiros de serviço, ou seja: Agapito Dourado pelo F.C.Porto, Alan Pião pelo S.L.Benfica e Hélio Nino pelo Sporting C.P.. Esta semana o convidado especial é o Presidente da Liga, o senhor Tenente Cornil Cobardim Loureiro e é por ele que vou começar o programa.
Senhor Tenente Cornil, o caso do Apito foi notícia esta semana, com o consequente arquivamento do processo no que toca aos arguídos Minto da Costa e Já Sinto Caixão, no entanto, o senhor só foi ilibado no processo do Metro do Porto, posto que se mantém ainda arguído no que ao caso do Apito diz respeito.

Cobardim Loureiro: Ainda bem carago, ainda bem!

Duvido Borges: Como assim?

Cobardim Loureiro: Então não está a ver? No caso do Metro do Porto já disse e torno a dizer: O estado vai ter que arrotar E BEM para me indeminizar; O meu santo nome foi enxovalhado na praça pública, e agora quando se provar que também estou inocente no caso do Apito… vai mais uma indeminização!… Assim consigo papar duas, o que sempre dá mais qualquer coisinha, está a perceber?

Duvido Borges: Ah!… estou a ver, estou!…

Cobardim Loureiro: Esta coisa é bem mais rentável que ser sargento despenseiro da tropa meu amigo, e eu sou tudo menos otário.

Duvido Borges: Pois, pois, já entendi.
Bem, vamos agora ao resumo da jornada de ontem, a penúltima deste campeonato, e onde o drama ou a glória persistem em ir de mãos juntas até à dita derradeira. Começo pelo Agapito Dourado: Então lá ofereceram a mortalha ao Guimarães?

Agapito Dourado: Olhe, temos muita pena do D. Afonso Mata-Mouros, porque tudo o que é mouro é nosso inimigo, mas a vidinha é assim mesmo.

Duvido Borges: Mas aquele penalty sobre o Jorginho cheirou a treta, independentemente de o mesmo jogador estar fora de jogo na altura do passe… e o golo limpo anulado ao Guimarães…

Agapito Dourado: São coisas que acontecem, os árbitros também têm direito a errar…

Duvido Borges: Mas isso não é a conversa de quem é beneficiado, posto que quando é ao avesso só faltam os pregos e a cruz para crucificarem o juíz?

Agapito Dourado: No Porto não fazemos isso, compreendemos sempre muito bem que o árbitro se possa enganar. Às vezes lá dizemos alguma coisinha, pequenina, quando o boi preto nos prejudica mas depois fica tudo bem quando à volta de um almocinho ou de um copinho, ou de umas miúdas… Ai que já estou a falar de mais…

Duvido Borges: Pois, adiante… Senhor Hélio Nino, o Sporting desta vez ganhou e não houve casos.

Hélio Nino: Já podíamos era ter o segundo lugar assegurado se não nos tivessem martelado no domingo passado, mas contra tudo e contra todos, especialmente contra os luxemburgueses que são sócios de três clubes, vamos conseguir o apuramento directo para a Liga dos Campeões e não ter que regressar de férias mais cedo para fazer a 3ª pré-eliminatória com um daqueles clubes ingleses ou italianos que, geralmente, atiram com o tuga para a taça UEFA. Agora contra o Braga, que já não sai de onde está, vão ser favas contadas; Já lá mora a Liga dos Campeões… e os milhões!

Duvido Borges: Senhor Alan Pião, aquilo contra o Setúbal foi muito sofridinho embora ganhassem muito justamente. Tinham a pontaria afinada aos postes ou quê?… E que boca foi aquela do vosso treinador sobre o Rio Ave?

Alan Pião: A alça das botas dos nossos avançados estavam descalibradas; Como disse, estavam reguladas para acertar nos postes e na barra do Vitória de Setúbal e não nas redes, felizmente que o nosso defesa resolveu a situação. Quanto às afirmações do Cú Man Tintim… bem, o Rio Ave até parecia que queria descer de divisão…

Hélio Nino: Ouça lá ó sua ave de agoiro, está a insinuar alguma coisa? Mas o Luxemburguês é nosso ou vosso dirigente? Ora cale-se lá muito bem caladinho e reduza-se lá ao terceiro poleiro que já vai com muita sorte…

Duvido Borges: Ó seu felino fedorento do caraças…

 ( Hélio Nino e Alan Pião pegam-se à lambada. Agapito Dourado e Cobardim Loureiro levam-se e encostam-se num canto protegido. Duvido Borges, como sempre, esconde-se debaixo da mesa )

 Agapito Dourado: Ó Senhor Tenente Cornil, quer uma boleia para o Porto? Eu levo-o. Deixemos aqui estes animais tratarem um do outro que isto não é nada com a gente e ainda vem aí a Judite por-nos outra vez a testemunhar.

Tenente Cornil Cobardim Loureiro: Não sei se vou, pode ser que haja aqui maneira de eu conseguir mais uma indeminização do estado, espere aí mais um bocadinho a ver o que é que isto dá…

Agapito Dourado: Isto não dá nada, ou melhor, pode dar é uma cadeirada no alto da peúga em cada um de nós, venha daí!

Duvido Borges: (debaixo da mesa) Já sei o que vou fazer; vou pedir o patrocínio da super cola 3 e vou besuntar as cadeiras destas bestas todas antes de começar o programa, ai vou vou!